O Porto não pode ter medo da liderança

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Brahimi lamenta chance perdida no empate com o Braga


O estresse é uma doença da sociedade moderna, reflexo de um tempo aonde as pessoas vivem por resultados, e a pressão é uma consequência disso.


O futebol não escapa dessa realidade. Calçar uma chuteira e entrar em campo, sendo assistido por milhares de pessoas em um estádio, já deve ser algo que pressiona. Saber que milhões acompanham a distância tudo o que se passa ali também não facilita as coisas.


Mas não basta pisar no gramado. O esporte de alto rendimento exige resultados. É preciso dar satisfação aos torcedores, à diretoria, aos patrocinadores e à mídia.


Nesse cenário, o futebol vai além de ser um esporte jogado com os pés. Para vencer é preciso atuar com a cabeça. Leia-se: é necessário ter inteligência e, acima de tudo, controle psicológico.


O mau começo do Porto na Liga dava a impressão de que o clube seria um mero espectador da briga pelo título. Longe dos holofotes, o time de Nuno Espírito Santo se acertou e deu início a uma arrancada que o deixou a um ponto da liderança.


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O empate diante do Vitória de Setúbal custou a liderança ao Porto


Mas uma coisa é chegar, outra é ultrapassar. Aí entra a questão psicológica citada acima. Quando é preciso vencer a qualquer custo, se faz necessário também saber lidar com a pressão.


Os números credenciam os Dragões ao título. São donos da melhor defesa da Europa (ao lado do Benfica) e do melhor ataque de Portugal. Contam com dois atacantes que somam 33 gols, melhor do que qualquer outra dupla na Liga. Mais do que isso, jogavam o melhor futebol do campeonato até o momento em que retornaram aos holofotes.


A sorte sorriu aos azuis e brancos há quatro rodadas, quando o Benfica empatou em 0 a 0 com o Paços de Ferreira, fora de casa. Bastava uma simples vitória diante do Vitória de Setúbal, no Dragão, para assumir a liderança.


Com todo o respeito ao time do Bonfim, mas em 10 jogos em casa como esse o Porto venceria 11. Mas não venceu aquele que precisava. Depois de um primeiro tempo truncado, como era esperado, a vantagem por 1 a 0 deveria garantir uma etapa final mais tranquila. Mas, nove minutos e alguns erros depois, veio o empate.


Na semana seguinte, o clássico na Luz. Em sete minutos um pênalti bobo e a desvantagem. Em Braga, no último sábado, foi ainda mais rápido. Seis minutos e 0 a 1 no placar.


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Diante do Braga, um primeiro tempo para se esquecer


O primeiro tempo no Minho foi desastroso. Um time nervoso em campo, sem poder de criação e exposto aos contra ataques, o que poderia ter custado o campeonato.


Não é o tipo de postura que esse espera de uma equipe cuja a média de gols sofrido é inferior a 0,5 por partida. Não se constrói uma marca dessas com falhas individuais e desatenção.


O fato é que certos jogadores caíram de desempenho também. André Silva, depois que desandou a marcar gols com Cristiano Ronaldo na seleção e viu ser especulado em vários clubes, parece perdido em campo. Felipe, cotado a ir para o Real Madrid, nas últimas rodadas não mostrou a mesma solidez. O mesmo se pode dizer de Óliver Torres. Desde que o Porto manifestou que o comprará em definitivo junto ao Atlético de Madrid no final da temporada, não consegue se impor em campo.


Nuno segue alternando entre o 4-1-3-2 e o 4-1-4-1, e parece não saber qual caminho seguir. Embora seja claro que o time renda mais com cinco homens no meio campo e tendo dois pontas de origem dando amplitude ao ataque.


O Porto tem qualidade e plantel para ser campeão. Precisa colocar a cabeça no lugar e saber lidar com a pressão. Tem que esquecer tudo ao redor e se focar apenas em vencer os últimos cinco jogos. O título será consequência.