Porto e Benfica: entre a fuga e o pelotão

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Porto e Benfica prometem levar a briga pelo título até o sprint final


Uma das modalidades que mais me chama a atenção é o ciclismo. Em uma competição como o Tour de France, por exemplo, com suas 21 etapas, quase todas elas seguem o mesmo script. E ainda assim é um esporte interessante.

Para quem não conhece, todos os ciclistas largam juntos, formando o pelotão. Em um dado momento da prova, um pequeno grupo, no máximo com meia dúzia de corredores, se desprende e dá início à fuga.

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Como o nome sugere, os fugitivos são perseguidos pelo pelotão até o final da etapa, em uma corrida contra o tempo. Um enredo que se repete prova após prova, competição após competição.

Há estratégia nisso tudo. Os fugitivos não são com os “coelhos”, corredores que recebem dinheiro da organização para imprimirem um ritmo mais forte numa maratona e logo, sem forças nas pernas, desistem. Também não são camicases. Se desprendem em um momento aonde se sentem confortáveis e imprimem um ritmo mais forte. Como não existe almoço grátis, tal esforço cobra seu preço lá na frente, geralmente quando o pelotão os alcança.


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Corona marca o gol portista no empate com o Setúbal, que custou a liderança


Existe um certo romantismo nisso tudo. Há quem se encante com a fuga, como se os ciclistas pedalassem pela liberdade. Outros torcem pelo pelotão, como se fossem responsáveis por impor novamente a ordem na prova.

A fuga, neste caso, veste vermelho, enquanto o pelotão azul e branco se esforça para alcança-lo. Verdade seja dita, houve um momento na Volta à Portugal, digo, na Liga Portuguesa, em que parecia que o Benfica levaria a melhor. Sete pontos de diferença em um campeonato aonde é raro os grandes tropeçarem nos pequenos é muita coisa.

Pedalada por pedalada, o Porto diminuiu a distância. Apenas um ponto o separa da liderança, que já poderia ser sua, inclusive. Os empates com o Vitória de Setúbal e no clássico com o próprio Benfica, nas duas últimas rodadas, impediram que os Dragões assumissem a ponta.

Mas a Liga não é como uma etapa de estrada plana. Está mais para uma montanha, com suas curvas perigosas e a necessidade de se colocar sempre mais força. Encostar na fuga não significa necessariamente passá-la. É preciso mais, e os portistas contam com sete rodadas para mostrarem isso.


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Não saiu um golzinho sequer nos dois jogos com o Belenenses nesta temporada


O próximo desafio é no Dragão, contra o Belenenses, que ocupa o 12º lugar. Não se deixem enganar pela classificação. Nos dois confrontos que aconteceram na temporada, uma pela Liga e outro pela Taça da Liga, dois empates por 0 a 0.

A tendência, mais uma vez, é o clube do Restelo jogar fechado, se posicionando atrás da linha da bola. Um jogo que, ao mesmo tempo em que exige paciência, pede eficiência ofensiva.

Para ser campeão é preciso vencer. Não apenas neste sábado, mas até o fim da temporada. Afinal de contas, assim como em uma boa prova de ciclismo, a Liga Portuguesa promete ser decidida apenas no sprint final.