Benfica 1 x 1 Porto: as duas faces de um clássico

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Maxi (esq) fez valer a 'Lei do ex' e silenciou o Estádio da Luz


Tudo é uma questão de perspectiva. Há o fato, consumado, e a partir disso é possível ter as mais diversas opiniões sobre ele. Duas pessoas diante de uma mesma cena podem ver coisas totalmente diferentes.

E o futebol, que está longe de ser uma ciência exata estudada por um computador, traduz bem isso. Muitas vezes tudo se resume ao copo estar meio cheio ou meio vazio.

Diante do Benfica, Nuno Espírito Santos optou pelo 4-1-4-1, com Corona no lugar de André Silva. Fazia todo o sentido. A ideia era ter superioridade numérica na faixa central, reforçar a armação de jogadas e, de quebra, tentar descontruir o jogo do adversário.

Mas tal estratégia nem teve tempo de ser colocada à prova. O gol madrugador de Jonas, em um pênalti convertido aos seis minutos, mudou totalmente a partida.



O que se desenhava como uma batalha pelo meio campo se tornou um jogo de ataque contra defesa, com os Encarnados posicionando suas linhas atrás da bola, dando o campo e a posse para os Dragões.

Um cenário não muito diferente do que os Azuis e Brancos enfrentam durante toda a Liga, mas dessa vez com o diferencial de ter pela frente um time com forte poder para contra-atacar.

Os portistas dominaram as ações na primeira etapa, chegando a somar 60% de posse de bola durante um período. Mas a tática de Nuno perdeu efeito diante de tal cenário. Já não era mais preciso dominar o meio, mas sim entrar pelo terço final.

O Porto conseguiu o empate, curiosamente, também com um gol logo no início da etapa, dessa vez a segunda, claro. Mas como uma moeda que tem duas faces, o clássico se inverteu a partir disso.

A equipe de Lisboa avançou suas linhas e compactou o meio, encaixotando o Porto. Brahimi, que fez um bom primeiro tempo, caiu de rendimento, enquanto Corona não esteve em seus melhores dias. As entradas de Diogo Jota e Otávio (o último já perto do final) não mudaram o roteiro. Havia dificuldade para armar o jogo, em um time que não conseguia mais dar amplitude ao ataque.


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Casillas fechou o gol no segundo tempo e garantiu o empate no clássico


Se a etapa inicial foi dos portistas, a final ficou sob domínio dos mandantes, e coube a Casillas, o melhor em campo, segurar o placar na Luz.

Lembram do copo meio cheio ou meio vazio? Empatar saindo atrás no marcador, em um clássico na casa do rival, não é um mau resultado. Por outro lado, não se pode ignorar o fato de que os Dragões perderam duas oportunidades seguidas para assumir a liderança. Embora improvável, é possível vencer os sete jogos que faltam e mesmo assim não ser campeão.

Entre copos cheios e vazios, eu prefiro um cálice de Vinho do Porto. O clube da Invicta evoluiu durante a temporada, encontrando sua maturidade como equipe. Apresenta números de campeão, com direito a uma arrancada notável.

Se mantiver o ritmo, a liderança pode ser questão de tempo. Não há motivo para pressa ou agonia. Afinal de contas, o campeão é quem ocupa o primeiro lugar ao término da última rodada, não quem tomou conta do lugar por mais tempo durante o campeonato.