Porto: não é o fim do mundo (e nem do campeonato)

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André Silva lamenta chance desperdiçada diante do Vitória de Setúbal


É compreensível a frustração. Tudo estava preparado para a festa. Lotação esgotada, comemoração do Dia dos Pais (festejado ontem em Portugal) e uma enorme empolgação após o empate do Benfica com o Paços de Ferreira.

Mas o futebol não é teórico. Ele é decidido no tapete verde, durante 90 minutos. Enquanto a bola rola, não importa a posição da tabela de classificação ou quantos milhões de euros você investiu na temporada. Por isso é um esporte apaixonante.


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O Porto não mereceu vencer. É bem verdade que poderia ter ido ao intervalo com uma vantagem maior do que o 1 a 0, que possivelmente seria o suficiente para garantir os três pontos. Mas isso aconteceu mais pelo Vitória de Setúbal ter se acuado em seu terço final de campo do que por um domínio portista de fato.



Isso pode soar conflitante, mas faz todo o sentido quando analisamos o segundo tempo. Os Dragões não conseguiram sair da armadilha imposta por José Couceiro, seja do ponto de vista tático ou pela luta dos alviverdes para segurarem o relógio. Esfriaram a partida sempre que puderam, fizeram cera e levaram o Porto a um jogo psicológico que só interessava aos visitantes.

Do ponto de vista tático, Nuno Espírito Santo perdeu o meio campo. Sem André André, o time azul e branco se viu com um menor poder de criação e qualidade nos passes. Além disso, o 4-1-3-2 de Nuno foi engolido pela marcação do Setúbal.

Corona, apesar do belo gol, é um ponta de origem e, como tal, se prendeu ao extremo direito do campo, ao contrário de André, que sempre costuma flutuar para a faixa central. Brahimi, de certa maneira, fez o mesmo pela esquerda. Com Óliver sempre se desprendendo de Danilo, o meio campo portista se espalhou em campo e foi presa fácil para uma marcação compacta. O resultado disso foi a aposta em boa parte do jogo em ligações diretas, que interessavam mais ao Vitória do que aos mandantes. 


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Corona faz um golaço para abrir o placar


Nuno falhou ao manter o esquema tático apesar da visível ineficácia. Não fazia sentido ter dois atacantes se a bola não chegava até eles. Deveria ter mudado para o 4-1-4-1, como fez em Turim e em Arouca. Herrera poderia ter entrado no lugar de um dos avançados, por exemplo, fazendo com que os Dragões pudessem controlar o meio campo e ter mais poder de criação.

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Independentemente disso, o resultado é um ponto fora da curva, não um indicativo de queda de rendimento. É preciso levar em conta toda a atmosfera e pressão que rondavam o jogo. O clube da Invicta mostra uma grande evolução nesta temporada e se encontra atualmente em sua melhor forma.

Não é o fim do mundo, tampouco do campeonato. O fato é que a Liga chega ao clássico entre Porto e Benfica, dia 1º de abril, na Luz, tendo uma final antecipada e seguindo o script esperado: com azuis e brancos um ponto atrás dos encarnados. Ou alguém imaginava que a dupla tropeçaria na última rodada?