Não se pode reclamar de azar na Ponte Preta

A infelicidade no gol de empate do Coritiba, ontem, foi daqueles lances típicos de um time que está no caminho do rebaixamento. Quando a fase é ruim, essas bolas estranhas tendem a entrar com mais facilidade, é bem verdade.


Porém, na Ponte Preta atual, não se pode culpar e reclamar de azar. E especificamente nesse lance, na desatenção do meio campo que permitiu o lançamento, a falha de posicionamento do frágil Jeferson e a pataquada de Yago, que poderia e deveria ter mais tranquilidade para desarmar a jogada, ao invés de, desajeitado, chutar em cima do atacante Yan, fazendo com que a bola tomasse o rumo das redes de Aranha, o problema não mora na falta de sorte.


A ruindade do elenco é notória a todos desde o princípio do campeonato, mas a cada erro da zaga titular predileta de Eduardo Baptista, a conta do rebaixamento vai ficando mais gorda na comanda do treinador. E de novo Yago. Sabendo das limitações de peças que tem, quem prefere deixar a qualidade de Marllon e Luan Peres no banco, vai sempre correr o risco e, como se fala no jargão popular, dar sopa para o azar.


E mais uma vez a Macaca foi melhor. Prova de que não é terra arrasada e que ainda há alguma chance de salvação da degola. Embora eu não acredite na manutenção e acho até que esse time e essa diretoria mereçam o descenso. Todavia, a esperança é a última que morre e o papel do torcedor é acreditar, mesmo com mais uma rodada se passando sem que a distância para a saída da zona de rebaixamento fosse diminuída.


A atuação mostra uma evolução no trabalho tático de Baptista e também foi uma forma de abrir os olhos do treinador para deixar de ser tão cauteloso, inclusive quando se joga fora de casa. Pela necessidade do resultado e sem Sheik, Eduardo entrou com Léo Gamalho como titular, fazendo trio ofensivo com Lucca e Danilo Barcelos. A opção de Léo Artur também foi bem vista, melhor do que mais um volante destruidor. O problema é que o ex-corinthiano é muito fraco de bola.


Assim, a tônica do primeiro tempo foi uma Alvinegra com o domínio da maioria das ações ofensivas da partida, só que esbarrando em suas próprias pernas na armação das jogadas. Tantos erros de passe e falta de criatividade não permitiram que ocasiões de mais perigo ao adversário fossem criadas. E quando apareceram, qualquer finalizador meia boca teria guardado pelo menos uma das três oportunidades claras de chute a gol que teve Léo Artur.


Gazeta Press
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Léo Gamalho comemora gol que inaugurou o placar no Couto Pereira


Na segunda etapa a Macaca esboçou pressão. Tentou, martelou e perdeu chances até encontrar o êxtase. Lucca levantou escanteio para a área e Léo Gamalho, que já havia levado perigo em levantamentos anteriores, testou forte para as redes e saiu para o abraço. Léo tem seus problemas, principalmente com a bola no chão. Entretanto, nesse campeonato, tem sido importante e conquista assim seu espaço não só no time titular atual como possivelmente no futuro do clube, seja na divisão que for.


Mas alegria de pobre dura pouco. Mal deu tempo de comemorar e proporcionalmente à dificuldade que a Ponte tem de fazer gols, é a facilidade com a que leva. Tanto esforço para sair na frente foi jogado fora, quando um lançamento longo encontrou o atacante Yan nas costas do limitadíssimo Jeferson. Ele dominou errado e Rodrigo tocou na bola para afastar, porém a posse continuou com Yan dentro da área, só que mais para o zagueiro Yago. O defensor tentou espanar para onde o seu nariz apontava e criou o gol coxa branca no bate rebate. Falha defensiva grotesca e gol de pinball digno de um episódio antigo de ‘Os trapalhões’. Apenas segundos após o tento alvinegro.


Depois disso, novamente foi a Macaca quem tomou a iniciativa de buscar a vitória e se prejudicou nos mesmos problemas da partida passada contra o Grêmio: a ineficiência ofensiva em concluir suas alternativas com sucesso em gol.


Fogo baixo


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Sheik é criticado, mas não pelo futebol que apresenta em campo


Em entrevista coletiva na saída do Couto Pereira, Eduardo Baptista declarou que gostou do time e vai valorizar o comprometimento de quem entrou em campo na partida de ontem. Especialmente Léo Gamalho, autor do gol. Talvez um recado a Emerson Sheik. A Ponte Preta informou que ele não foi a Curitiba por conta de um desconforto muscular, mas é sabido que o atacante tem algumas regalias e costuma ser poupado em jogos fora de casa para ter mais gás nos jogos como mandante no Majestoso.


Para muita gente na imprensa campineira e alguns torcedores, Eduardo deu a entender, nas entrelinhas, que Sheik não tinha lesão constatada. Principalmente quando exaltou o sacrifício do volante Wendel, que entrou no segundo tempo, e vinha de recuperação e rápida transição aos gramados durante a semana.


O veterano tem sido alvo de matérias dos veículos locais já há algum tempo, a maioria questionando se vale a pena ter um jogador diferenciado como ele, pelo alto custo aos cofres pontepretanos e participar de poucos jogos durante a temporada. Sheik já foi mais importante e mais decisivo na Macaca no primeiro turno, mas é de longe o melhor jogador da equipe e faz a diferença quando está em campo. Embora, nos últimos jogos, tem errado bastante e sentido, talvez, a pressão de ser um lampejo cerebral e de habilidade num time praticamente acéfalo e tão fraco tecnicamente, vivendo um momento delicado na tabela de classificação. Pode estar desmotivado.


Não é questão de soltar os cachorros e culpá-lo da situação da Ponte, nem muito menos momento de protegê-lo, mas nisso (na declaração) Eduardo está certo. Nessa altura do campeonato - literalmente -, não se pode ter “preguiça” de 40 minutos de voo. Quem quer jogar, joga e quem não quer vai cozinhar no Instagram. De saco cheio desse time ruim eu também estou, o sentimento não é exclusividade de Sheik, e nem por isso deixo de cumprir meu dever - pessoal, muito comigo mesmo - de escrever nesse blog e dar minha opinião sobre o que se passa na Macaca.


Certamente pode não ser a melhor solução a curto prazo para a partida contra o Atlético-PR, mas pegar um banco de Claudinho deverá mexer com os brios do multicampeão atacante. Ou quem sabe foi uma tática de Baptistinha soltar as palavras ao vento na coletiva para ter resultado imediato em cima da repercussão. O deixar sem o colete de titulares no rachão de terça, não sei.


A única verdade é que a Ponte Preta precisa de tudo o que puder ajudá-la a sair dessa lama, porém, sobretudo, de quem estiver disposto a ajudar.