Derrota desastrosa acaba com boa fase da Macaca e preocupa

A Ponte Preta entrou no gramado do Barradão, nesta quarta-feira, para confirmar sua reação e boa fase na temporada. As duas vitórias seguidas pelo Brasileirão (Coritiba e Atlético Paranaense) e uma pela Copa Sul-americana (Sol de América), sendo as duas últimas fora de casa, credenciavam a Macaca a almejar mais um resultado positivo em Salvador. O Vitória vinha de 5 derrotas seguidas em seus domínios e em péssima situação no campeonato, além de somar apenas duas vitórias contra o time campineiro na história do confronto. Qualquer torcedor comemoraria essa introdução, menos o pontepretano. 


Por mais que esteja calejado e acostumado a ser Robin Hood (já entregou pontos de bandeja para Avaí, Atlético-GO e Bahia), não há como não se irritar profundamente quando isso acontece. Ainda mais da maneira que foi o desastre. A Ponte entrou dormindo - ou não entrou - no jogo. Rodrigo cedeu escanteio e, na cobrança, em falha individual de Jeferson na marcação, o centroavante Santiago Tréllez subiu sozinho para abrir o marcador antes mesmo dos 3 minutos de jogo. Aranha, que vinha de ótimas atuações, pareceu levar um susto com a bola e falhou no lance. 


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Santiago Tréllez acaba de desembarcar em Salvador para ser o matador. E na Ponte? Cadê o centroavante?


A opção de Gilson Kleina em escalar três volantes e três atacantes, visando um jogo truncado para explorar a velocidade nas costas de um time desesperado que sairia para o jogo - como foi contra o Furacão, na Arena -, foi por água abaixo. Não sem antes, em mais uma bola levantada na área, Rodrigo escorregar e errar bizonhamente a bola. Ficou muito fácil para Neílton ampliar ainda aos 12 minutos da partida. Um balde de água fria da quente capital baiana no time e na torcida alvinegra. 


Kleina decidiu mudar e "arrumar" o time. Sacou Jadson e deixou Naldo, amarelado - um risco que preferiu correr -, em campo, para promover Renato Cajá. Não foi o suficiente para a Macaca se acertar e, ainda errando muitos passes e dando espaços para o rubro-negro, era questão de tempo que o placar ficasse ainda maior para o time da casa. 


Em lance misto de displicência com pixotagem, Elton deu uma assistência - deve ter até contado ponto no fantasy game e tudo - para o ataque do Vitória. De novo Tréllez saiu livre para finalizar bem, no alto, e matar a partida ainda no primeiro tempo. Da maneira que a carruagem da Nega Veia descia a ladeira, em meio a erros individuais e incapacidade de colocar a bola no chão e jogar futebol, o temor era que o cotejo se tornasse numa surra histórica. 


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Defesa da Macaca bateu cabeça durante toda a partida


A chegada da etapa final, por outro lado, deu um sopro de esperança ao macaco. Logo aos três minutos, o mesmo Elton acertou um pombo sem asa indefensável para o arqueiro Caíque. A Macaca diminuia e ganhava gás com tempo o bastante para buscar pelo menos o empate. Porém, faltou bola. 


Na hora de adiantar a marcação, ficar com a posse, trocar passes, praticar tabelas, afunilar as jogadas ou caprichar nos cruzamentos para a área, é simples dizer o motivo de a Ponte não conseguir reagir: não teve qualidade para isso. Além de não ter boas atuações, tanto dos jogadores limitados quanto dos que tinham mais para dar, o time não mostrou variações de jogadas, entrosamento e nem atitude. 


E o jogo ficou morno, à feição do que imaginava o Vitória, ávido pelos três pontos. A Macaca teve, em uma jogada, talvez a oportunidade de ouro para botar fogo na partida. Lucca deixou Danilo cara a cara com o goleiro baiano, mas o lateral-esquerdo, sem cacoete de definidor, demorou para finalizar e foi travado na hora do bate. Se desconta, era óbvio que os ânimos para partir para cima seriam outros. 


Errando muitos passes toda vez que a bola passava pelo meio, mais uma vez deu agonia ver a Ponte Preta não conseguir fluir. Isso que teve uma semana cheia para treinar, com o adiamento da partida do fim de semana contra o Fluminense. 


Um dos que mais errou na partida, Elton foi eleito pelas rádios de Campinas como o melhor da Ponte em campo. Entendo que, por questões de patrocinadores e linha editorial, tenha de se escolher alguém, mas Elton? O volante errou tudo! Passes, lançamentos, botes e foi extremamente desinteressado quando entregou de lambuja o tento adversário que liquidou a fatura. O gol que fez foi lindo, embora eu o desafie a passar a tarde inteira no CT do Bahia tentando repeti-lo amanhã. 


Individualmente fica muito difícil eleger algum atleta alvinegro como o menos pior. Já citado, Aranha falhou no primeiro gol. Jeferson também foi desatento e, não adianta insistir, não tem nível para Série A. De jeito nenhum. Foi uma opção interessante para fazer Nino Paraíba sentar no banco e repensar seus últimos jogos, mas espero que Nino volte à titularidade nas próximas rodadas. Precisamos de suas jogadas insinuantes pela lateral direita para garantir vitórias, assim como o fez várias vezes no início do ano. Rodrigo falhou de maneira grotesca no segundo gol e ficou inseguro no resto do jogo. Yago, quando voltar, deve retomar seu posto na dupla com Marllon, que foi o único que passou 'despercebido' pelo vexame de hoje. Até Danilo, na esquerda, fez partida ruim.


Na meia cancha, Jadson mal tocou na bola até sair, aos 25 minutos. Naldo é esforçado, embora muito limitado. Não agride em nada e se atrapalha em momentos defensivos. Renato Cajá não conseguiu criar e dar o que dele se espera. Enquanto, no setor de ataque, Lucca esteve muito bem marcado e forçou jogadas, até pela confiança em que se encontra, que não deveria tentar. Além de Emerson Sheik ter feito uma de suas piores exibições com a camisa da Macaca. E Maranhão, coitado? Nem foi visto no gramado. Opção errada para o jogo e que precisa ser revista nas próximas escalações.


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Falha de Elton, no terceiro gol do Vitória, não pode ser vista naturalmente


Assim, nesse show de horrores, a Veterana ficou mais uma vez sem os pontos fora de casa e voltou a ser o time que decepciona seu torcedor. Resta torcer para que uma combinação de resultados não coloque a Alvinegra pela primeira vez no ano na zona de rebaixamento do Brasileirão, o que complicaria, e muito, o moral para as importantes partidas que estão por vir. 


Como se incentiva o torcedor a comparecer? Seria muito importante tê-lo apoiando nos dois jogos em casa, contra Vasco e Fluminense, onde os seis pontos são primordiais e quase obrigatórios para quem planeja um segundo turno de tranquilidade. 


Alguém se arrisca a indicar um bom público já para o domingo, mesmo com a mega promoção de ingressos (R$ 40,00 a arquibancada e TC10 com direito a acompanhante)? Digo isso aqui há tempos. A solução não é preço. É time! Enquanto essa equipe, mal montada para o Campeonato Brasileiro, continuar decepcionando, as arquibancadas de Moisés Lucarelli dificilmente vão se animar e lotar. 


Ao menos teremos a volta dos batuques e faixas das torcidas organizadas - que nunca deveriam ter sido proibidos - para animar um pouco o gelo que estava o Majestoso ultimamente.