Ponte vencer fora de casa? Só no dia de São Lucca

Só a Ponte Preta para fazer até quem não é nem um pouco religioso apelar para todos os deuses e crenças. Foi na base dos milagres, na bacia das almas, na reza 'braba', que a Macaca quebrou seu próprio jejum de mais de um ano sem vencer fora de casa pelo Brasileirão. Bateu o Atlético-PR, em Curitiba, por 2 a 0, somou a segunda vitória consecutiva e pegou o elevador para a primeira página da tabela de classificação. 


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Jogadores comemoram primeiro gol de Lucca na partida


O jogo


O futebol apresentado, mais uma vez, foi aterrorizante e de causar agonia. Assistindo o primeiro tempo, ficava muito difícil pensar que a Veterana fosse conseguir sair da Arena da Baixada com a vitória. Só mesmo numa obra divina. 


Assim como já é praxe desse time de Gilson Kleina quando atua fora de seus domínios, a Ponte simplesmente não jogou futebol na primeira etapa. Não trocou sequer três passes seguidos, só se defendia e rebatia a bola de volta para os pés do Furacão. Com mais de 70% de posse de bola, os paranaenses criaram diversas oportunidades de gol, sobretudo pelas bolas aéreas, e só não abriram o placar por falta de pontaria e muita eficiência do goleiro Aranha. Um dos principais nomes do jogo. 


Para comprovar a pobreza da Macaca com a bola nos pés, a única finalização da equipe nos primeiros 47 minutos de jogo foi um tiro de Lucca, de muito longe, sem nenhum perigo à meta atleticana. Passando dificuldades com o gramado artificial e com suas próprias limitações, Claudinho e Léo Artur sequer dominavam a pelota.


Para a segunda etapa, a solução para sair do zero era somente uma: explorar a lentidão dos zagueiros Paulo André e Thiago Heleno num lançamento inteligente ou enfiada na profundidade para a velocidade de Maranhão ou letalidade de Lucca. 


Kleina decidiu mudar a equipe e a saída de uma simples peça fez toda a diferença, mais do que a entrada de Cajá. Li nas redes sociais essa semana de que o torcedor pontepretano estaria repetindo com Claudinho o mesmo que fez com Clayson - muito criticado, o atacante, agora no Corinthians, demorou um tempo para se firmar e mostrar seu valor no Paulistão 2017. É diferente.


Via-se em Clayson, desde sua chegada na Macaca, em 2015, alguns valores, como o drible e a ousadia. E a maneira como a torcida pegava no seu pé, sobretudo pela incapacidade nas definições e finalizações, era mais que merecida. Já em Claudinho, até agora, não se pode observar absolutamente nada de construtivo. Era para ser veloz pelas pontas, mas não é. É atacante e deveria fazer gols, porém perde as oportunidades mais claras. Foi testado como 10 e não demonstrou criatividade. O que, então, leva o Galã a optar por sua escalação como titular? Inexplicável. 


Muito mal desde que voltou a vestir a camisa da Ponte Preta este ano, Renato Cajá ainda não havia servido nenhum companheiro para gol em 2017. Logo que entrou, protagonizou em bola parada mais um erro que vem sendo típico seu na temporada: cruzar forte demais e desperdiçar chance por falta de concentração e capricho. Desinteresse. 

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Quem é artilheiro do campeonato levanta os dedos

Mas quem sabe, sabe. E Cajá não desaprendeu a jogar a bola que comia em 2015. Fez uma para Deus ver. Após ganhar a jogada na marcação pressão de meio de campo, encontrou a brecha que a Macaca precisava na defesa rubro-negra e acionou Lucca em profundidade. E Lucca é o cara. Mesmo dominando errado, conseguiu pensar rápido, coisa de craque, reagiu e ganhou de Thiago Heleno na corrida para tocar com extrema tranquilidade e categoria por cima do goleiro da seleção Weverton. Como se tudo aquilo fosse incrivelmente fácil de se fazer. 1 a 0. 

Nessa hora que o torcedor alvinegro fica ainda mais nervoso do que no empate. É o tesão pelo drama de estar na frente e não saber muito bem lidar com essa emoção. A primeira reação do CAP foi ir para cima com tudo e ensaiar uma pressão, mas a defesa da Ponte voltou melhor pelo alto e Aranha estava infalível. Quando Ribamar recebeu cara a cara com ele, o goleiro abafou o chute duas vezes mesmo já com a jogada paralisada por impedimento. Prova de que ali não entraria nada. 


A última cartada do técnico Fabiano Soares foi promover a entrada de Felipe Gedoz. Enquanto isso, Kleina praticava sua especialidade de trancar a equipe e estacionar um ônibus na frente da área pontepretana. Sacou o meia Léo Artur pelo volante Jadson e o ponta Maranhão pelo zagueiro Kadu. Retranca total. 


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Zagueiro Marllon agradece Aranha por mais um milagre concedido


Gedoz, o 10 do Furacão, levou bastante perigo nos chutes de longe. Claro que Aranha estava lá para garantir com mais lindas defesas. Tudo isso ia irritando cada vez mais os torcedores curitibanos, que vaiaram o time da casa desde os 10 minutos do primeiro tempo. Reflexo disso em campo era o desespero dos jogadores do Atlético. 


No momento em que conseguiu colocar a bola novamente no chão e trocar passes, uma ótima tabela com Élton fez Jadson invadir a área e ser derrubado. Pênalti. Para assumir a artilharia isolada do Brasileirão com 10 gols, Lucca foi mais uma vez muito concentrado e frio, deslocou Weverton e deu números finais à partida. Macaca 2 a 0 e alívio em Moisés Lucarelli. 


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Galera do CAP não ficou muito feliz com Lucca. Fazer o que?


Se precisava urgentemente de uma vitória como visitante, a Arena da Baixada era o lugar certo. Curiosamente, a Ponte Preta tem mais vitórias em Curitiba do que em Campinas em confrontos contra o Atlético-PR. 


Mesmo com os desfalques de Fernando Bob (lesionado) e Sheik (suspenso), a conquista da segunda vitória seguida pela primeira vez no Campeonato Brasileiro dá a tranquilidade que a Macaca precisava na tabela e permite a mudança de foco para o desafio de quarta-feira.


Estaremos em Asunción em busca da classificação para a próxima fase da Sul-Americana, contra o Sol de América. Mais uma vez orando pelos milagres de São Lucca e Santo Aranha, canonizados na nossa religião que é a Ponte Preta.