Ponte 0x3 Bahia: a derrota da diretoria alvinegra

Não é novidade para ninguém o quanto o blog #MacacaNaESPN costuma ser crítico da atual gestão da Ponte Preta, sem cabresto ou outra intenção que não seja apenas o bem do próprio clube. Portanto, sempre que esse tom se faz necessário, é meu dever ser ponderado para não morder e assoprar ou bater sem embasamento em aspectos talvez infundados. Esse vexame em casa pode e deveria custar o cargo de Gilson Kleina no comando técnico da Macaca, mas o buraco é bem mais embaixo - ou mais em cima, como preferir.


A primeira reação de alguns ao título do texto pode ser: "mas o presidente não entra em campo", "o vice não é lateral-esquerdo" ou que "o diretor de futebol não mete a bola na rede". Enfim, enumeremos abaixo algumas das razões que definem a atuação vexatória para o Bahia, perdendo por 3 a 0, em pleno Moises Lucarelli, como uma derrota emblemática para a diretiva alvinegra.


 Cadê o 9? 


Gazeta Press
Gazeta Press

Rodrigão estava encostado no Santos, será que não "cabia no orçamento"?


A primeira circustância mede 1,86cm, tem 23 anos de idade e atende pelo nome de Rodrigão. O centroavante estava sendo oferecido pelo Santos a clubes que tivessem o interesse no empréstimo do jogador, pouco aproveitado na Vila Belmiro. Curiosamente, é a posição em que a Macaca mais precisa e mais busca desde que perdeu William Pottker - vendido em FEVEREIRO.


Rodrigão foi artilheiro do Brasil em dado momento do ano passado, é especialista na boa aérea, fede a gol e estava dando sopa no mercado. Mas parece que a colher do departamento de futebol da Ponte, na verdade é garfo. Perdeu o jogador para o Bahia e de cara levou dois gols dele na partida de estreia como titular no tricolor.


Enquanto, do outro lado, a Ponte alçou nada mais nada menos que 60 (SESSENTA) bolas na área. Sendo 9 acertos e 51 erros de cruzamento. Isso para uma equipe que começou a partida sem um centroavante de ofício e teve de promover a entrada de Yuri, um garoto que até ontem estava treinando no sub-20, para fazer a função.


Erro crasso de planejamento. E que não me venham com "limitações de orçamento" nesse caso, não.


Só a critério de informação, depois de passar em branco mais uma partida, a Macaca ultrapassou a marca de incríveis 320 minutos sem marcar um gol no Brasileirão da Série A.


Ainda bem que ninguém tem pressa em buscar uma solução para esse problema e contratar um fazedor de gols. Imagina se a Ponte precisasse.


E a camisa 10?


Gazeta Press
Gazeta Press

Sheik foi obrigado a recuar e jogar improvisado como armador. Falhas no elenco


Dicá deve se debater em coceiras no sofá de casa ao ver Claudinho mais uma vez vestir a camisa que ele mais usou na vida. O jovem meia, recém chegado do Corinthians em acordo mal-feito pela venda do ponta Clayson, já havia demonstrado enormes limitações em campo e que faltava muito para poder ser capaz de ajudar a Ponte nesse campeonato. Ganhou mais um voto de confiança do professor Kleina na ausência de Renato Cajá, suspenso, e desperdiçou de maneira pífia as melhores oportunidades da Macaca no jogo, ainda cedo do primeiro tempo.


Quando tentou um calcanhar mal sucedido no setor defensivo, quase resultando em mais um gol dos visitantes, esgotou a paciência da torcida e do treinador. Saiu ainda antes do intervalo para dar lugar ao menino Yuri, visto que a Ponte já abusava das bolas aéreas.


Com isso, o comando das jogadas no meio campo da Alvinegra restou aos pés de Emerson Sheik, improvisado. Xuxa entrou para ajudar o setor de criação na segunda etapa e também foi péssimo. Coitado de Sheik. Visivelmente irritado em campo com os seguidos erros de seus colegas.


Laterais


Gazeta Press
Gazeta Press

Nível de atuação de Nino Paraíba está em queda livre


Se errou tantos cruzamentos assim, a razão não é apenas a falta de qualidade dentro da área, mas também fora dela. Nino Paraíba segue em decadência brutal após ótimo início de campeonato e mais uma vez não conseguiu acertar absolutamente nada pela lateral direita.


Já no outro extremo, problema crônico desde a saída de Reinaldo, no ano passado, a diretoria já pode pedir música no Fantástico por ter contratado errado três laterais esquerdos em 2017. Artur - que jogou final de campeonato para ser dispensado na semana seguinte, vejam vocês -, João Lucas e Fernandinho. Todos tiveram oportunidades de mostrar seu valor, mas nenhum conseguiu se firmar ou ao menos dar confiança de que não vai atrapalhar. Muito pelo contrário.


Se o torcedor já andava assustado com a má fase de João Lucas, sobretudo ofensivamente, antes do lateral sair do time, agora está atônito com as ainda piores exibições de Fernandinho. E agora? Contratar o quarto lateral esquerdo no ano é a solução? Fica difícil creditar esse problema específico à falta de dinheiro, se não um problema de observação da qualidade dos atletas antes de contrata-los.


No banco de reservas 


Gazeta Press
Gazeta Press

Jorginho deixou saudades na torcida da Ponte e rusgas com a diretoria


A fase de Jorginho não era das melhores no Bahia. O Tricolor vinha de sete jogos sem vencer e crescia a pressão em cima do técnico. Mas alguém aqui ousa dizer que Gilson Kleina é mais treinador do que ele?


Por motivos de briga interna com a diretoria da Ponte, inclusive por almejar demais um título internacional em 2013 - que seria o maior feito da história da instituição, talvez para sempre - e bater de frente com o dono do clube, o treineiro carioca não é bem-vindo em Moises Lucarelli. Um nome a menos dentro de uma limitada gama de treinadores que brincam de dança das cadeiras no futebol brasileiro.


Já o Galã, se perde em exagerar na opção por três volantes até quando joga dentro de casa, não tem demonstrado absolutamente nada de positivo quando joga longe de Campinas e parece até meio perdido na escolha de algumas peças. A escalação de ontem provou isso, embora o que tenha mesmo saltado aos olhos foi não inscrever o até então titular da lateral esquerda João Lucas na Copa Sul-Americana, preferindo Fernandinho, que ganhou a vaga e não saiu mais do time. 


A chave de ouro 


Gazeta Press
Gazeta Press

Renê Junior hoje parece superior a todos os volantes do elenco da Macaca


Como toda lei do ex é pouco e para coroar a apresentação medonha de um elenco muito mal montado, só faltava um gol de Renê Junior. E eu comentei isso antes mesmo de acontecer. Não é que Renê deixou o dele?


Acho que vocês se lembram como que o volante deixou a Ponte Preta. Repatriado da China com status de estrela, Renê Junior foi apresentado como um dos grandes reforços da Macaca para 2016. Quando entrou em campo, se mostrou visivelmente sem ritmo de jogo e fora de forma, porém, ainda com a qualidade de bola no pé que lhe era peculiar quando despontou por aqui no Brasileirão de 2012, antes de ir para o Santos.


No momento em que começou a pegar no tranco novamente, após uma sequência melhor de jogos, o atleta se contundiu e ficou um bom tempo afastado, em recuperação.


Logo depois da transição, quando voltou a estar disponível, a Ponte fez um negócio que nunca vou me esquecer. Tanto pelo o absurdo que aquele acordo me parecia, quanto pelos comentários que fiz na época e ainda fui bastante criticado. No papel, Renê Junior seria emprestado ao Bahia até o final da disputa da Série B do ano passado e o Tricolor Baiano cederia, também por empréstimo, o desconhecido Zé Roberto, que fez Paulistão pelo Mirassol e hoje está no Criciúma.


O atacante foi embora daqui ao final de 2016 sem marcar um gol sequer com a camisa da Alvinegra. Renê recuperou seu futebol de qualidade, como não havia de ser diferente, ficou no Bahia e assinou contrato definitivo lá por Salvador. Ou seja, a Ponte Preta forneceu de graça um jogador que poderia e deveria ser aproveitado. Num grupo em que os volantes são Jadson, Naldo, Elton, com Fernando Bob e Wendel em má fase, Renê Junior seria rei. Bota mais essa brilhante negociação na conta do departamento de futebol.


Público


Dessa maneira fica difícil cobrar a presença do torcedor no Majestoso. As decepções em sequência, falta de ambição de quem gere o clube, preço altíssimo nos ingressos, proibições da festa no estádio pelo Ministério Público e pífio futebol apresentado pelo time em campo só podem piorar uma média de publico que já chega a ser uma mancha na história de uma instituição reconhecida pela força de sua torcida.


A minha opção é continuar apoiando o time do meu coração nas arquibancadas que tanto amo, embora eu já não julgue ou critique mais quem deixou de frequentar o Majestoso. Insisto em bater na tecla de que o torcedor não abandonou a Ponte Preta. Ele está ali, leva ela no coração eternamente, só prefere se afastar pelo seu próprio bem estar.


Se não ganha fora de casa há mais de 1 ano pelo Brasileirão, agora a Macaca deixou de ter sua tradicional força em Moisés Lucarelli. São dias muito tenebrosos previstos pelo lado alvinegro, que enfrenta o Grêmio, no fim de semana, em Porto Alegre, e vê a realidade da zona de rebaixamento cada vez mais perto.


Será que o diretor de futebol Gustavo Bueno dará entrevista satisfeito com os rumos do time agora?