Em noite de futebol nublado no Majestoso, só Sheik salva

O final de um dia de temperatura aprazível em Campinas tinha céu claro e uma linda lua nova para iluminar os últimos momentos da quinta-feira. Não era a melhor das fases da Ponte Preta na Copa Sul-americana. Não fosse um lampejo de Emerson Sheik, nos minutos finais, garantindo o triunfo por 1 a 0, a previsão era de turbulência nos corredores do Majestoso.


Bastaram pouquíssimos minutos para perceber as características do confronto. O clube paraguaio apostava na velocidade de seus delanteros, embora mostrasse imensa dificuldade em jogar com eles - e em todos os outros setores do campo. Como é fraco o Sol de América! Por outro lado, a Macaca sofria com a ausência do seu principal jogador, Lucca, cumprindo suspensão, e demonstrou limitações preocupantes na hora de mandar na partida.


O jogo


Gazeta Press
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Sheik se destaca mais uma vez em um elenco limitado e 'comum'


Tentando aproveitar a deixa de um adversário frágil, a Ponte Preta partiu para cima e, no abafa, criou algumas chances de gol para tentar abrir o placar. Principalmente em escanteios e bolas alçadas na área, mas sem sucesso.


A impressão era de que aquele ímpeto continuaria até a Macaca conseguir um tento que deixaria tudo mais fácil. Um gol naquele momento tiraria o rival da retranca, amplificando as oportunidades de espaço. Na nossa cabeça, se passasse o boi, iria junto a boiada toda.


Mas não foi isso que aconteceu. Depois de um certo tempo de abafa sem perigo e letalidade, o Sol de América conseguiu entender e encaixar a marcação no ataque alvinegro. Neutralizou as jogadas pelas laterais, que também foram problema no duelo ante o Palmeiras, domingo, e com isso tornou a Ponte Preta uma equipe totalmente inofensiva em seus domínios.


É muito complicado contar com Elton tentando qualificar a saída de bola e apostar em Claudinho na criação pelas beiradas. Cansa tornar isso repetitivo no blog, mas é obrigatório Gilson Kleina repensar a escalação desses dois atletas na equipe titular da Macaca. Ambos foram amplamente criticados durante toda a partida, principalmente Elton, que demonstrou enorme nervosismo quando sentiu que a arquibancada já pulsava de ansiedade quando ele recebia a bola.


Para não ser injusto, foi uma partida infeliz de todos que precisavam de alguma criatividade para tirar a Ponte do mais do mesmo. Nunca achei que fosse sentir tanta falta de alguém que pensasse esse jogo ou que ao menos fosse incisivo o suficiente para causar algum incomodo no outro time. Ou seja, nunca pensei que fosse sentir saudades de Clayson. Meu Deus. 


Em dado ponto do confronto, o jogo ficou até confortável para a equipe paraguaia. O Sol tinha o ataque da Macaca controlado, então, partiu para tentar marcar seu gol qualificado fora de casa e complicar a missão do time brasileiro. Passou perto, assustou o goleiro Aranha, mas não conseguiu concretizar as jogadas, principalmente em bola parada, que criou para cima da Ponte.


Enquanto isso, do lado Alvinegro, faltava inspiração a Nino Paraíba, Elton, Bob, Cajá, Lins, Sheik e Claudinho. Do meio para frente dava aflição tentar acompanhar uma criação de jogada saindo dos pés de alguns desses citados. Mesmo com poucos pagantes e sem pressão, só apoio, a bola parecia queimar no pé de cada um que tivesse a responsabilidade de armar o ataque da Ponte Preta.


O pior ficou por conta de Gilson Kleina, que, mesmo precisando vencer a partida para levar uma vantagem à casa do rival, tirou o criticado Elton para promover Naldo em campo. Um jogador ainda mais defensivo do que o volante inofensivo que deixou o gramado. Naldo conseguiu a proeza de irritar rapidamente uma boa parte da torcida Alvinegra, que já estava muito impaciente com o rumo que tomava mais um dificílimo cotejo sul-americano.


O que Kleina tem contra Wendel? Um atleta que agrada a maioria dos torcedores, conta com qualidade de passe, marcação e mostrou ano passado que também sabe fazer gols, vestindo até a camisa 10, não tem a confiança da comissão técnica nem para iniciar, quanto para entrar no decorrer do cotejo. Isso quando ele já havia sacado Renato Cajá para colocar em campo Negueba. Causando ainda mais enrosco no setor criativo da Nega Veia.


A Ponte disputa esse torneio desde 2013, quando chegou na final. Ou seja, já estava na hora de aprender a lidar com a catimba e o antijogo já tradicional sul-americano. Se deixou levar e chegou a ceder muitos minutos entre bolas desperdiçadas e tempo ganho pela equipe paraguaia em momentos oportunos de cera que praticavam.


Entre as medidas equivocadas do treineiro, faltou bastante para a Ponte Preta ser um time que assustasse e machucasse o Sol de América. As jogadas não funcionavam pelos flancos, por causa das singelas aparições dos laterais em campo. Pelo meio, sem Cajá e com volantes sem tanta qualidade, também era muito difícil. No ataque, as jogadas individuais raramente davam certo em primeiro momento de mano-a-mano, e logo deixavam muito a desejar nas sequências. Chutes de fora da área eram poucos e também ruins. 


Já faz muito tempo que a Macaca sofre na falta de um fazedor de gols nato. Lucca tem sido este jogador, embora não seja sua principal característica de jogo. Ficou muito nítido o quanto a Veterana é uma equipe comum sem poder de fogo com um ataque limitado pelas deficiências de seu elenco. A contratação de alguém para frente da grande área é a maior necessidade atual, faz tempo, e parece que o Departamento de Futebol não dá a mínima para isso. Até agora, nada de reposição para Pottker. E o atacante foi vendido em março!


Quando tudo parecia se encaminhar até mais um 0 a 0 desagradável na Copa Sul-americana 2017, Sheik recebeu de Claudinho, na entrada da área, e resolveu arriscar. Contou com a sorte e um desvio na zaga que matou o goleiro do time paraguaio, para a festa da sofrida torcida alvinegra em Moises Lucarelli. Depois, soube, como ninguém, segurar o ímpeto revanchista dos rivais. Seu chapéu, sofreu falta e garantiu levar a vitória mínima da Macaca para Asunción.


Partiu?


O jogo de lá pretende ser mais uma batalha, assim como foi em La Plata, contra o Gimnasia, mas a Ponte e sua torcida estarão preparados. A histórica campanha da Macaca na Sul-americana de 2013 credencia essa competição como a obsessão eterna dos alvinegros. Isso não pode ser esquecido pela diretiva da Nega Veia, que deve tentar reforçar esse elenco para o decorrer das competição é capacitar esse time para causar outros eclipses, dominar noites de lua e fazer o torcedor orgulhoso de ver seu time disputando em alto nível um campeonato continental mais uma vez.