Ponte perde invencibilidade para arbitragem e para ela mesma

Como foi dito no post anterior deste mesmo blog, a Ponte Preta só seria capaz de perder a invencibilidade em Moisés Lucarelli caso ela quisesse. Sem a seriedade, concentração e boa atuação das partidas anteriores, foi a Macaca quem cedeu ambos os lances mais perigosos do jogo ao adversário, sofreu na mão de uma arbitragem tendenciosa quando precisou correr atrás do resultado e perdeu a primeira em casa no Brasileirão 2017: 1x2 para o Palmeiras, placar do primeiro tempo.


O jogo


Gazeta Press
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Fernando Bob peca na marcação de Guerra e pelo seu já típico excesso de confiança


O começo do cotejo foi bem parecido com o início do jogo de quinta-feira, contra o Cruzeiro. Os dois times com muita disposição, porém pouca inspiração, proporcionavam embates bastante truncados e ocasiões de gol criadas na base do abafa e sobretudo em contra-ataques. A Ponte chegou a assustar primeiro com Renato Cajá de fora da área, enquanto o Palestra se defendia bem e apostava nos contra-golpes.


É o que me faz pensar que este campeonato realmente vai ser o mais equilibrado da história. Tirando o Corinthians, inesperado ponto fora da curva, todas as equipes estão muito parelhas. Pode ter o investimento que for, descarregar caminhão de dinheiro no time, que nenhuma missão será fácil dentro do Brasileirão 2017. O milionário Palmeiras mostrou isso hoje. Não criou absolutamente nada de perigo à Ponte que não tenha sido com auxílio da própria Macaca ou do juiz.


Num lateral nitidamente invertido, Rodrigo falhou e entregou a bola no pé do time adversário. Na enfiada de bola para Guerra, Aranha se precipitou e saiu muito mal do gol. Estava aberto o placar no Majestoso para a festa dos pouquíssimos palestrinos no setor visitante.


A Macaca não sentiu o baque. Sabia que poderia ser superior no jogo e chegou ao empate mais uma vez nos pés do artilheiro Lucca. E que golaço! O atacante confirmou sua magnífica fase e acertou excelente chute de média distância, na rede lateral da baliza, sem chances para Fernando Prass.


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De novo ele! Lucca comemora golaço que empatou a partida


Quando tudo parecia estar favorável para a Ponte partir em busca da virada, agora com as arquibancadas inflamadas pelo gol de Lucca, a zaga pagou novamente com uma cena que está se tornando rotineira. Fernando Bob é um jogador fantástico. Em seu auge, cheguei a dizer que foi o melhor jogador que vi em nível de atuação com a camisa da Ponte. O volante se perdeu um pouco no Internacional, voltou disperso, bem mais violento e, acima de tudo, confiante demais.


O excesso de confiança de Bob tem custado muito caro e ele se tornou um exímio entregador de gols para o adversário. A linha é bastante tênue entre uma saída de bola de extrema qualidade, eficiente e esteticamente bonita, ao correr perigo de maneira desnecessária. O capitão, inclusive, foi responsável direto por dois gols corinthianos na final do Paulistão deste ano. Ontem, contra o Palestra, deu presente ao ataque verde e ficou fácil para, após linha de passe, Guerra colocar novamente o time da capital na frente antes do apito final do primeiro tempo.


A legislação que favorece o antijogo


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Rodrigo, Cajá e Lucca são punidos pelo árbitro por querer jogar futebol


Pensando em segurar a vitória a qualquer custo, o Palmeiras veio disposto a truncar o segundo tempo e abriu mão de jogar. Praticou de tudo, menos futebol. Por outro lado, a Ponte Preta tinha a obrigação de tentar mudar o panorama da partida e buscar manter sua hegemonia em Moises Lucarelli. Foi impedida pela arbitragem numa demonstração clara de que, no Brasil, o apito favorece sempre o antijogo. Assim fica difícil exigir que o futebol nacional tenha qualidade e que o jogo flua, quando nem os árbitros e nem os atletas agem para tal. O segundo tempo teve apenas impressionantes 23 minutos de bola rolando. Um absurdo.


O mato-grossense Wagner Reway, dono do apito, é um velho conhecido da Macaca. Já havia operado a Ponte numa partida contra o Flamengo, no Majestoso, em 2012. Inclusive validando um gol irregular do Urubu nos lances finais da partida, além de expulsar o centroavante Roger por reclamação.


Na partida de ontem, o comportamento do árbitro foi irritando aos poucos os atletas alvinegros. Sobretudo por não se importar e nem fazer nenhuma menção de punir a cera que faziam os jogadores do Palmeiras desde o início da etapa final. E essa é a minha maior crítica. Lucca foi dos que mais reclamou e, quando a situação foi a mais acintosa, num lateral em que Maike demorou mais de 30 segundos para bater, quem recebeu cartão foi o atacante da Ponte, por reclamação. Ora, veja só. Punido por querer jogar bola. Francamente.


Quando não marcou uma falta claríssima em Felipe Saraiva na linha de fundo - até o técnico Cuca citou esse lance -, o árbitro perdeu de vez o controle da partida e sua má intenção ficou nítida. Não sei se chegou ao Majestoso já com esse pensamento ou se o foi criando com o passar das decisões erradas que fazia, levando jogadores e torcida do time da casa contra si. Em mais uma demonstração de punição a quem estava somente interessado em ter pressa com a bola e com o futebol, Rodrigo foi atrapalhado por Borja e chutou a bola propositalmente no atacante palmeirense. Foi ridiculamente expulso, numa cena que eu nunca vi antes. Enquanto para o colombiano, nada.


E não foi só isso. Ainda deu tempo de mais uma situação de antijogo palmeirense ser premiada. Tchê Tchê entrou na frente de Renato Cajá para impedir cobrança de falta. Os dois se desentenderam, teve mão irônica e carinhosa de Cajá na cara do ex-pontepretano e agressão do meia palmeirense. Ambos expulsos de campo e mais confusão, fora totalmente do controle do péssimo juiz da partida.


Engraçado que a diretoria da Ponte Preta não faz nada nos bastidores para impedir que esse tipo de coisa aconteça. A prova disso é que não foi a primeira vez em que esse cidadão ganhou holofotes de maneira negativa e teve de sair escoltado do estádio. Qualquer outro clube faz representações junto à CBF quando é garfado dessa maneira. Pode? É o caminho? Adianta alguma coisa? Na minha opinião, pouca coisa. Mas já demonstra atitude, sobretudo perante seu torcedor, que não aguenta mais ser prejudicado dentro de casa.


Em meio a tudo isso, ficou muito complicado para a Macaca colocar os nervos no lugar e buscar empatar o jogo. Até criou oportunidades, a melhor delas com Leo Artur, que perdeu gol feito na cara de Prass, após ótima jogada de Sheik. Foi predominante para a derrota da Veterana ter a pior atuação de seus laterais até aqui no Brasileirão. Principal escape do time, Nino Paraíba subiu pouco ao ataque e foi muito discreto. Já João Lucas sempre mostrou limitações, mas estava dando para o gasto. Contra o Porco, defendeu muito mal e atrapalhou no ataque. Muito confuso, errou tudo o que tentou e saiu vaiado. Menção honrosa para outra péssima partida de Elton e Claudinho, que inexplicavelmente seguem na equipe titular de Gilson Kleina.


A derrota só será menos dolorosa em caso de vitória ante o Avaí, próxima rodada, em Florianópolis. O problema é que esse time não tem demonstrado nada de convincente quando joga fora de seus domínios. Absolutamente nada que dê esperança ao seu torcedor para pensar ser capaz de vencer o Leão, mesmo ele seja o lanterna do campeonato. Aliás, quando enfrentou o - na época lanterna - Atlético-GO, em Goiás, foi presa fácil e levou de três.


Agora, a chave muda. A competição é outra, o adversário é um pequeno clube paraguaio, o que exige imposição da Macaca em seus domínios. A sul-americana, torno a dizer, é a obsessão do alvinegro desde 2013 e não pode ser deixada de lado de maneira alguma pela diretiva e comissão técnica da Ponte Preta, como fizeram em outras oportunidades.


A Polícia tem de sair do Majestoso


É evidente que a Polícia Militar, em vez de ser a solução contra a violência nos estádios brasileiros, é apenas mais um agravante ao problema. Não vou entrar em detalhes sobre essa corporação, pois quem frequenta a cancha já está vacinado e saturado de ser tão maltratado na mão de quem deveria nos proteger. Aqui mesmo em Campinas até a diretoria da Ponte Preta teve de se pronunciar pedindo explicações da PM por algumas atitudes e exigências que não existem em nenhum outro lugar. 


A segurança privada - além de ser mais barata (!) - é a solução no mundo todo. Só aqui no Brasil, sobretudo em São Paulo, que as coisas caminham para trás, proibições esdrúxulas são postas em prática prejudicando qualquer coisa do simples torcer e as praças esportivas seguem violentas e cada vez mais vazias.


Após a partida contra o Palmeiras, vídeos e fotos viralizaram pelos grupos de mensagens na web e redes sociais. Nas imagens, integrantes da Polícia Civil do estado São Paulo, fardados, tiram sarro da Ponte Preta em pleno salão nobre do Moisés Lucarelli. É isso mesmo que você acabou de ler. Quem deveria zelar e dar exemplo de bom comportamento, faz o contrário e incita a violência dentro do estádio do clube durante uma partida do Campeonato Brasileiro.


Dentro do salão nobre de Moisés Lucarelli? A Ponte Preta de hoje parece terra de ninguém.