Com essa seriedade, Ponte bate qualquer um em casa

Gazeta Press
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Lucca é novamente o dono do gol da vitória


Posso zicar? Já ziquei. 


Pois trate bem de assimilar, você, torcedor de um clube que vá enfrentar a Ponte Preta em Moisés Lucarelli, seja ele qual for. Se a Macaca jogar com seriedade e sintonia com a torcida, sua missão será inglória. Pode baixar o Real Madrid de Cristiano Ronaldo: garanto que o gajo vai tremer quando tiver de disputar um mano a mano contra Nino Paraíba perto do pulsante alambrado da geral, sobretudo se Marllon estiver na sobra. Rodrigo, então, nem se fala. Caiu no Majestoso, é isso. Não tem para ninguém.


Mesmo com as enormes e inconcebíveis proibições do Ministério Público de São Paulo, juntamente com Polícia Militar do estado e a Federação Paulista de Futebol. Essa trupe fez questão de acabar com qualquer festa que se preze dentro de uma campo de futebol na província paulista. A regra é a do "não pode". Batuques e barulho estão fora de cogitação, assim como faixas e bandeiras. Instrumentos que, de longe, têm alguma relevância ou influência na violência tão presente nas praças esportivas do Brasil. Se não conseguem resolver nem por meio de paliativos burros, a proibição é uma maneira de ao menos irritar quem gosta de frequentar estádios. Atitude para lá de lamentável. Com o clima diminuto, resta o gogó ao torcedor alvinegro, que, nesse quesito, nunca deixou a desejar. É o décimo segundo jogador da Ponte Preta desde 1900 e assim vai ser até o final de sua história. Afinal, esse grito faz a diferença dentro de campo.


O Cruzeiro, adversário deste meio de semana, aliás, havia sido um dos últimos algozes mais doloridos no Majestoso, no que tange a Brasileirão. Ano passado, o clube celeste não tomou conhecimento e atropelou a Macaca por 4 a 0 em seus domínios. Resultado completamente anormal para quem está habituado a mandar e desmandar em sua residência.


O alvinegro sempre teve em Moisés Lucarelli sua fortaleza e se sente amplamente confortável por fazer desse lugar uma resistência a tudo o que há de desagradável no futebol brasileiro. Poder xingar o sistema, a injustiça das cotas e se fazer ouvido, ao roubo do juiz, ver o adversário que, por maior que seja, trazer pouca torcida, por medo ou por desconfiança. O Majestoso é um santuário, um antro de futebol puro dentro de tanto 'mimimi' e 'frufru' que cerceiam o Brasileirão atual e afastam a cultura de bancada.


Poucas coisas dão tanto orgulho ao pontepretano quanto ouvir da mídia ou de um rival sobre como é complicado enfrentar a Ponte Preta em Moisés Lucarelli. E isso está reforçado em 2017. A Macaca é fortíssima quando manda jogos ao lado de seu fiel torcedor. E é primordial, ao próprio torcedor, entender sua importância de estar ao lado e apoiar fisicamente o clube que ama. E como é bom estar no Majestoso!


O jogo


A partida contra o Cruzeiro não foi fácil. Muito pelo contrário. A atuação da Ponte está longe de ser de gala. Quando cheguei em casa, perguntei à minha mãe se havia visto a partida e ela contestou que preferiu acompanhar a novela. Sorte da velha. Acho que na Globo o drama foi menor.


Até abrir o placar em cobrança de pênalti perfeitamente executada pelo craque Lucca, no final da primeira etapa, a Nega Veia encontrou as enormes dificuldades de um jogo extremamente truncado e disputado. Tanto no bom time cruzeirense, quanto no confuso trio de arbitragem.


Após o 1-0 no marcador, coube à Ponte ter tranquilidade para segurar o ímpeto dos mineiros, exacerbado no segundo tempo.


Mesmo com o adversário vindo para cima, a Macaca sofreu pressão sem correr tanto perigo. Foram muitas bolas alçadas na área sem que fizessem grandes estragos na zaga alvinegra, assustando apenas pelo volume. Quando chegou forte, o Cruzeiro esbarrou em mais uma noite muito iluminada de Aranha. O goleiro tem sido, por mais uma temporada, destaque da equipe alvinegra campineira. Menção honrosa, defensivamente falando, para a excelente partida do zagueiro Rodrigo. Muito questionado ao desembarcar em Campinas, o veterano mostrou um futebol de qualidade, acima de tudo na tranquilidade em exercer sua soberania na zaga em relação ao bom e estrelado ataque celeste.


Apesar de em muitos minutos jogar com dois a menos no momento ofensivo, no caso Elton e Claudinho, que pouquíssimo contribuíram nesse quesito, a Macaca chegou a criar oportunidades interessantes na frente. Fica o elogio particular, novamente, para Emerson Sheik. Que jogador de futebol diferenciado! Que fantástica contratação. Criou perigo à zaga rival, prendeu a bola, armou jogadas, deu bonitos dribles e, ao sair atrás na disputa de velocidade e chegar adiante do zagueiro equatoriano Caicedo - mais novo, mais baixo e mais leve do que eu - em uma certa jogada da segunda etapa, Emerson provou que tem tudo para voar com a peita alvinegra. Se o gol não saiu até agora, é questão de tempo.


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Emerson Sheik: veterano, muito bom de bola e pique de menino da base.


Em mais uma atuação convincente, a Ponte manteve importantíssimo e valiosíssimo 100% de aproveitamento em seus domínios. Permanece na parte de cima da tabela de um Brasileirão extremamente parelho. Talvez o mais equilibrado da história. E, se mantiver essa pegada dentro de casa, pensando sempre em beliscar algo mais com uma atitude diferente fora, tem tudo para, além de não correr nenhum perigo, sonhar com coisas maiores no certame.


Eles aqui de novo


Se há um time que entende a força da mística majestosa, esse clube é o Palmeiras. Passou por aqui duas vezes no ano e perdeu as duas, sendo uma saraivada em plena semi-final de Campeonato Paulista. Devo citar o memorável 5 a 1 de 2000, com direito a Hat-trick de Washington?


No histórico do confronto em Moisés Lucarelli, a Ponte Preta tem mais vitórias – 22 x 17, computando 16 empates. Nos últimos duelos na cidade de Campinas, a Macaca ganhou cinco e perdeu apenas uma única vez – em 2013.


Visando esse retrospecto, o Palestra está com a Nega Veia engasgada. Tanto aqui, quanto na Arena deles. Todo cuidado é pouco para conseguir mais três pontos, seguir com tabu e freguesia, reforçando cada vez mais a força colossal da sintonia entre time e torcida dentro dos portões monumentais deste estádio mágico construído pelas mãos de seus apaixonados.