Ponte segue sequência sem vencer fora em 'nova era' Kleina

Gazeta Press
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A retranca do galã está matando a Ponte fora de casa


O jogo já se desenhava muito difícil. Enfrentar o Flamengo no Rio de Janeiro não é missão tranquila, ainda mais que a partida tinha tons de dramaticidade e obrigação para o rubro-negro. Com um elenco super estrelado e em má-fase, o Fla aproveitou o embalo da torcida na estreia de sua nova arena na Ilha do Governador para bater sem sustos uma Ponte Preta inofensiva.


Aliás, esse tem sido o teor da Macaca ao jogar fora de casa sob o comando de Gilson Kleina: presa absurdamente fácil a seus adversários. Por isso a crítica nesse post é direcionada a esse assunto. Uma derrota para o Flamengo na capital carioca é normal, mas atuar sempre de forma covarde dessa maneira longe de seus domínios pode custar muito caro à Alvinegra nas competições que disputa - tanto o Brasileirão quanto a Sul-americana.


É bem verdade que, tirando o vexame homérico da final do Campeonato Paulista - justamente quando não podia falhar -, a Ponte tem sido extremamente forte jogando em Moisés Lucarelli. Sempre foi uma característica da Macaca e é assim que o torcedor gosta. Porém, não vai ser 100% das vezes - e aquele 0 a 3 prova isso - que a Nega vai sair vitoriosa do Majestoso. Vêm aí Cruzeiro e Palmeiras em sequência de dois jogos como mandante e é bem plausível temer não somar seis pontos.


Só isso já é um motivo para buscar algo mais quando joga fora de Campinas. A necessidade de pontuação em busca de seus objetivos na tabela de classificação. Entretanto, certamente o que mais incomoda o torcedor é a postura. Ou a falta de. É notória a ausência de atitude dos atletas já ao pisarem no campo do rival, ou seja, isso está acima de ser apenas um defeito no esquema tático. Se Kleina não consegue convencer seus jogadores de que eles são capazes de bater seus adversários em suas fortalezas - e aí talvez também entre as instruções extremamente defensivas e medrosas do treineiro -, vai ser impossível vencer.


Sem atacar, sem machucar, sem incomodar, fica muito mais confortável para o outro time dominar as ações e partir para a vitória. Foi o que aconteceu na partida de ontem, quando o Flamengo esteve longe do seu melhor, criou pouco, mas, de tanto tentar e mesmo desorganizadamente martelar, conseguiu abrir o placar em escanteio, falha da zaga e gol de Réver. Aliás, o segundo tento rubro-negro também foi em bola aérea, só que de bola rolando. Cruzamento de Vinicius Junior e antecipação de Leandro Damião.


Como motivar seus jogadores a zelar pelo 0 a 0, se a defesa não transmite a menor confiança? A zaga da Ponte tomou 5 gols de cabeça nos últimos três jogos. Número absurdo para qualquer sistema defensivo que se preze.


Antagônicos


Na saída do intervalo, quando já perdia por 1 a 0, o lateral Nino Paraíba disse em entrevista que o empate seria "ótimo" resultado. Apesar de liderar o prêmio Bola de Prata desde a primeira rodada do Brasileirão, o lateral não tem mais atuado tão bem quanto nas últimas partidas do Paulistão e na estreia no certame nacional contra o Sport. Ora, Nino, para um clube da grandeza da Ponte Preta, um empate, seja onde for, jamais será considerado "ótimo". Somente em circunstâncias de classificação em um mata-mata.


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Além de melhor do time, Lucca teve personalidade para criticar esquema medroso. Palmas para ele


 Já Lucca, o único alvinegro que saiu com nota boa e aprovado no boletim na partida de hoje, pensa diferente. Não só ficou desolado com a derrota, como esbravejou abertamente aos microfones seu descontentamento com o posicionamento do time ao reclamar da "falta de agressividade" quando joga fora de casa. Além de ser um dos que mais sofre por isso, já que é o jogador mais avançado do esquema, sabe bem o que é usufruir de um time que também joga futebol mesmo na casa do adversário. Num dos únicos bons momentos da Macaca de visitante no Brasileirão 2017 até aqui, marcou os dois gols da virada da Ponte sobre o Atlético-MG no Independência, onde, justamente de bola aérea e por se retrancar demais, a Nega sofreu o empate nos minutos finais.


Antes das duas pedreiras como mandante, a Macaca tem mais um desafio fora de casa. Sábado, às 21h, enfrenta o Santos, no Pacaembu. Vamos ver se até lá, com pouco tempo de trabalho entre uma partida e outra, Kleina deixa um pouco de seu medo de lado e ouse na estratégia de trazer pontos. Não importa a boa fase recente que vive o Peixe, a Ponte Preta deve ser diferente ao atuar longe de Campinas se quiser fazer um campeonato seguro.


Macaca Galopeira?


A Ponte já sabe quem enfrenta na próxima fase da Copa Sul-americana 2017: será o Sol de América, do Paraguai. Primeiro jogo no Majestoso e definição fora de casa.


O sorteio pode ser considerado favorável pelo ponto de vista de um rival sem torcida, sem tradição e de viagem relativamente curta. Porém, se continuar atuando dessa maneira de visitante, a Macaca precisa tomar cuidado para não tomar um 'baile em Asunción'.


Sequência negativa em jogos fora de casa na 'nova era' Kleina:


Santos 1 x 0 Ponte Preta (quartas do Paulistão, classificação nos pênaltis)


Palmeiras 1 x 0 Ponte Preta (semi do Paulistão, classificação no agregado) 


Corinthians 1 x 1 Ponte Preta (final do Paulistão, vice campeonato) 


Gimnasia y Esgrima 1 x 1 Ponte Preta (Copa Sul-americana, classificação pelo gol marcado fora de casa)


Botafogo 2 x 0 Ponte Preta (Brasileirão)


Atlético-MG 2 x 2 Ponte Preta (Brasileirão)


Atlético-GO 3 x 0 Ponte Preta (Brasileirão)


Flamengo 2 x 0 Ponte Preta (Brasileirão) 

*Última vitória da Ponte Preta como visitante foi sobre o São Bento, em Sorocaba, por 2 a 1, na reestreia de Kleina com o boné da Macaca.