Por que a Ponte não informa os valores de suas transferências?

Sei bem que nas últimas exibições de Ravanelli vocês costumavam mandar o garoto para lugares bem longe e impronunciáveis neste blog. Só não precisava exagerar. A Ponte Preta divulgou nesta terça-feira a concretização da venda do meia, revelado nas divisões de base da Macaca, para o Terek Grozny, da Rússia. A cidade de Grózni é capital da região da Chechênia, marcada por intensos conflitos separatistas e atualmente de volta ao poder russo. 


Gazeta Press
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Rava teve muitas chances de demonstrar seu futebol em 2017 e nunca convenceu



A discrição foi tanta que o anúncio pegou todos de surpresa logo pela manhã. Tanto torcedores quanto a imprensa campineira. Nunca sequer ouviu-se falar de um interesse no jogador, considerado uma das principais jóias da base da Alvinegra nos últimos anos. 


O que não pode ser aceito pela torcida pontepretana é a forma sigilosa como praticamente todas as transferências são tratadas em Moisés Lucarelli, mesmo depois de batido o martelo. Em nota, o gerente de futebol, Gustavo Bueno, disse que "o negócio foi muito bom para a Ponte Preta", ressaltando que a Macaca ainda ficou com uma porcentagem do passe do atleta. 


Ora, Gustavo. Essa sua declaração não basta, de maneira alguma, para convencer o torcedor. Bom para quem? Qual valor? Qual porcentagem? O pontepretano se incomoda muito por ver todos os clubes do Brasil e do mundo divulgando valores de seus negócios. Por que somente a Ponte Preta impõe cláusulas contratuais que exigem sigilo de valores? 


É óbvio que o macaco fica com pulga atrás da orelha. Eu fico. E não há como ser diferente, quando o clube faz questão de agir dessa maneira sem transparência. 


Esse sentimento é reforçado quando se tem pouca confiança nos últimos negócios feitos por essa diretoria. O que me leva a pensar que esconder os valores é simplesmente saber que a torcida não vai aprovar a negociação. 


Nas circunstâncias normais de temperatura e pressão, considero justa a venda do meia. Ravanelli demonstrou, para mim, ter talento e condição de um dia ser o camisa 10 da Ponte Preta. Formado em casa, isso reforçou meu pensamento de que merecia mais oportunidades e confiança durante certo tempo. Porém, desde o ano passado ganhando esse voto, sem traduzir as oportunidades em sucesso e - pior de tudo - pecando até em certa falta de comprometimento e doação em campo. Em duas temporadas na Ponte, Ravanelli fez 41 jogos e marcou apenas 2 gols. 


Entretanto, sem saber as condições reais do acordo, não posso dizer e/ou concordar com Gustavo que foi de fato um bom negócio para a Ponte Preta. Quem me garante? 


Histórico de segredinhos


Se fosse apenas uma ocasião especial, em que, suponhamos, os chechenos tenham pedido sigilo na transação, a história seria outra. Porém, o pontepretano está acostumado - e de saco cheio - de não saber detalhes da saída de seus jogadores. Essa falta de transparência só serve para abalar ainda mais uma já nada saudável relação da atual diretoria com grande parte da torcida. 


Você, alvinegro, certamente irá se lembrar de algum caso. Conversando brevemente com alguns amigos, surgiram casos como: o empréstimo sem sentido do volante Mineiro ao São Caetano, em 2003, a saída de Fabiano ao Rennes, em 2000, o atacante Washington, Vander, só para citar alguns dos principais atletas a passarem pela vida recente da Macaca. 


A Ponte Preta também não divulgou oficialmente os valores e nem exigências seguras de pagamento do Corinthians na venda de Clayson, justamente o clube que vem sendo acusado de calote sistematicamente.