Macaca mantém 100% no Majestoso, mas oscilações preocupam

Certamente os três pontos mais importantes da Ponte Preta no Brasileirão de 2017 até aqui foram conquistados diante da Chapecoense, este domingo, em Moisés Lucarelli. Alvinegra chegou a abrir 3 a 0 no placar, vacilou, quase cedeu empate no fim, porém saiu vitoriosa para chegar aos 10 pontos na tabela de classificação.


A Macaca tinha obrigação moral de mostrar futebol completamente diferente do apresentado quinta-feira em Goiânia, quando levou uma saraivada do até então lanterna Atlético-GO. A vitória viria em decorrência dessa exibição superior e assim aconteceu. Contou com boa participação de seus 'medalhões' e mais uma partida brilhante de Lucca - menção honrosa ao excelente jogo de Léo Artur - para manter 100% de aproveitamento no Majestoso em três oportunidades.


Ponto negativo ficou por conta do 'apagão' de 10 minutos, quando a Veterana levou dois gols e quase colocou o resultado em cheque. Equipe catarinense teve a bola do empate, mas não aproveitou. Mais uma vez jogadas aéreas, inclusive novamente em escanteio, foram o pesadelo da Ponte, que tem oscilado muito e demonstrado certa bipolaridade em nível de atuação dentro das mesmas partidas. Quase uma montanha-russa.


O jogo


Foram muitas mudanças de Gilson Kleina na escalação inicial. O que era questão de tempo foi acelerado pelas más atuações de Lins, sacado do time para a entrada de Emerson Sheik, pela primeira vez como titular. Renato Cajá foi a opção para ter mais criatividade e ofensividade na ausência de Elton, expulso contra o Dragão. Naldo solução óbvia para péssima atuação de Fábio Braga na primeira volância.


A Chape era bem melhor no início da partida e tinha domínio da criação de jogadas de perigo. Porém, em erro grotesco de sua zaga, permitiu que Renato Cajá disparasse em liberdade até a entrada da grande área. O meia teve tranquilidade e tempo o suficiente para bater com categoria, tirar do goleiro Jandrei e abrir o placar. Foi seu primeiro gol após volta conturbada e apenas segundo jogo como titular em 2017.


Gazeta Press
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Quando te xinguei você teve de me ouvir. Agora, no gol marcado, é teu direito me provocar, Cajá


Cajá tem de entender que as críticas que recebe são, em sua imensa maioria, muito justas. Cobra-se muito de quem tem muito para dar e poucas vezes demonstrou muito empenho para tal. Saiu comemorando com a mão no ouvido, provocando a torcida, direito dele. 


Foi aí que apareceu um dos principais nomes do jogo: Emerson Sheik. Ele ainda não marcou seu esperado primeiro gol com a camisa da Ponte, só que é diferenciado e deu outra cara ao time. Tudo o que Lins não fez até aqui no Brasileirão. Em novo contra-ataque, o experiente atacante deu lançamento brilhante e deixou Lucca de cara com o goleiro. Confiante, era mais fácil para o artilheiro servir Nino Paraíba, mas Lucca preferiu finalizar com perfeição no ângulo. 


Aproveitando de sua verticalidade mortal nos contra-golpes, a Macaca optou por descansar na defesa durante o resto da primeira etapa. No começo do segundo tempo, teve o controle do jogo e chegou naturalmente ao terceiro gol. Naldo foi inteligente ao pegar rebote de primeira dentro da área. O volantão fez gol de centroavante. 


Aí você deve pensar que a Ponte 'matou jogo'... só que não. Em apagão inexplicável de 10 minutos, a Nega Veia cedeu dois gols ao adversário. Ambos em bolas alçadas no pagode da grande área. O primeiro de escanteio, assim como em Goiânia. Empolgada por ter encostado no marcador, a Chapecoense foi para cima e encurralou o time pontepretano. Tinha quatro atacantes e criou chances claras de chegar ao empate. A mais assustadora delas, novamente em cruzamento e cabeçada, dessa vez para fora. Ufa!


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Mesmo fora da forma perfeita, Sheik é diferenciado. Imagina quando voltar a voar


 Valeu muito da experiência de Sheik em saber segurar a bola no ataque e sofrer faltas para esfriar o final do cotejo que poderia terminar em sufoco dos catarinenses. Com mais três pontos somados, apesar de ficar sem o saldo que construiu em certo ponto no jogo, Macaca subiu novamente na tabela e chegou ao quinto posto. Importantíssimo para manter confiança e alegria da torcida na sua força e 100% em casa e, sobretudo, para gerar robustez no que há por vir adiante.


Sequência das mais duras


O Campeonato Brasileiro é um dos mais difíceis do mundo. Não tem jogo fácil e quinta-feira foi prova disso. Acontece que o que vem pela frente assusta mais do que o normal e a Ponte Preta vai ter de guerrear pela maior quantidade de pontos que puder conquistar. 


Fora de casa, na quarta, Macaca enfrenta o Flamengo, no Rio de Janeiro. O rubro-negro está em crise, o que cria uma atmosfera diferente na partida. Se eles mantiverem Zé Ricardo no cargo, é dever da Nega explorar deficiências de um time sem confiança nenhuma em seu treinador. Sábado é a vez de pegar o Santos no Pacaembu. A lembrança das quartas do Paulista ainda estão vivas, mas o alvinegro praiano é sempre muito difícil de ser batido na capital. 


Quando voltar ao Moisés Lucarelli para testar novamente sua perfeição de aproveitamento e força de seus domínios, a Alvinegra receberá Cruzeiro e Palmeiras. Sequência das mais duras, mas, para comer o bife, há de se roer os ossos. Nada de abaixar a cabeça para derrotas imponentes ou subir no salto quando tiver vitórias na mão.