Soberano em Campinas? Só a Ponte Preta

Soberano em Campinas? Só eu. Como é bom ganhar do São Paulo!


Faz até consideravelmente bastante tempo da última vez em que a Ponte Preta entrou em campo para um dérbi campineiro. Foi pelo Campeonato Paulista de 2013, vitória da Macaca: 3 a 1, lá em baixo da avenida. 


Nada se compara a um dérbi, não vou nem entrar nessa prerrogativa. O dia amanhece com um cheiro diferente, o clima é tenso pelos quatro cantos da cidade e, apesar de não sentir falta nenhuma do ex-rival, a nostalgia é óbvia. 


Por isso, quando há um clássico em Campinas, é óbvio que as emoções se afloram novamente. Embora proibições autoritárias e sem sentido do Ministério Público e Federação Paulista de Futebol assassinam o clima de estádio, sem faixas, bandeiras ou batuques, ainda é especial encontrar um time da capital, com sua torcida na cabeceira do fundo e poder curtir essa rivalidade. Melhor ainda seria se os 47 ônibus da torcida independente tivessem logrado chegar ao Majestoso. Foram direcionados de volta à capital pela Polícia Militar.


Criado em Vinhedo, na região metropolitana de Campinas, tive pouco contato com bugrinos quando criança. Tinha meus amigos pontepretanos e na escola a esmagadora maioria era simpatizante das equipes da capital. Produto muito bem vendido pela mídia para quem não se importa em ir ao estádio no máximo duas vezes ao ano e ama um sofazinho confortável.


Pois bem, meus 'amiguinhos' mais chatos eram os são-paulinos. E cresci assim, numa época em que o time paulistano ganhava taça a rodo, era campeão mundial, Libertadores, Brasileiros em sequência... tudo isso foi criando, além de uma antipatia minha natural, uma soberba insuportável por parte dos tricolores. E não existe nada no mundo que me incomode mais do que algo ou alguém se sentirem superiores.


Um clube que se autoapelida de "soberano" foi logo de cara o que me despertou incômodo instantâneo. Pelo pouco contato com o outro rival local, ganhou espaço como meu particular principal rival. Inclusive ambos possuem muitas semelhanças. O nariz em pé é uma delas.    


Mas o futebol tem dessas. Ainda mais a montanha-russa do futebol brasileiro. Não permite que passe impunemente um "eu sou mais do que você". E assim, deliciosamente, a Ponte Preta tem gostado der ser uma pedra no sapato tricolor e já acumula quatro vitórias consecutivas contra o São Paulo em Moisés Lucarelli.  


Gazeta Press
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Sem sentido nenhum, time sãopaulino perdeu a cabeça durante o jogo


Ver o descontrole dos atletas 'soberanos' ao perderem o jogo, cavarem confusões, e entrarem na roda alvinegra hoje foi mais uma vez maravilhoso. Por isso, obrigado, Ponte! Mais três importantes pontos num campeonato tão difícil quanto o Brasileirão.


O jogo


Gazeta Press
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Gilson Kleina tentou com Nino no ataque e não deu certo. No segundo tempo corrigiu para conseguir a vitória


Com o rival entalado pelo 5 a 2 sofrido na primeira fase do Campeonato Paulista, a Macaca começou mal a partida. Passou sufoco nos minutos iniciais, mas logo equilibrou o encontro numa primeira etapa bem ruim tecnicamente por parte de ambas as equipes. 


O improviso de Nino Paraíba como atacante na ponta direita não deu certo e Gilson Kleina foi obrigado a mudar e corrigir seu próprio erro. Promoveu a estreia de Emerson Sheik e somente a presença dele em campo foi o suficiente para criar uma atmosfera positiva na macacada e negativa nos adversários. 


Melhor no segundo tempo, a Macaca chegou ao gol da vitória mais uma vez com Lucca, demonstrando a qualidade de atacante finalizador que tem. Na ausência de um 9 de ofício após a saída de Pottker, ele tem feito a diferença com louvor. Esperamos que continue assim, mas a cobrança pela chegada de um reforço na posição não pode parar. 


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Sheik ainda precisa de ritmo de jogo, mas é diferenciado. Outra estreia valorosa foi a do lindo uniforme novo da Macaca

Depois disso, além de perder o jogo o São Paulo perdeu a cabeça. Rodrigo Caio estava completamente incomodado com a presença de Sheik e, embora se desse melhor na maioria das jogadas em campo contra o veterano atacante, um pouco fora de forma e sem ritmo de jogo, no psicológico ele e o time tricolor inteiro demonstravam imensas fragilidades. Enquanto isso, Rogério Ceni estava sentado no banco de reservas, sem ação para conter o ímpeto equivocado de seus jogadores. 


A Ponte, agora muito bem postada por Gilson Kleina, foi bastante segura para segurar o resultado, em mais uma atuação brilhante do zagueiro Marllon, boa estreia como titular de Rodrigo, Elton e Wendel ditando ritmo interessante no meio campo - seguimos sem saudades de Fernando Bob - e Nino e João Lucas efetivos pelas laterais. 


É mais um bom começo de Brasileirão da Macaca, que precisa se cuidar para não perder jogadores e manter o olho aberto em novas contratações e oportunidades de melhorar o plantel. A tendência é que o certame seja novamente toado pelo equilibrio. Com essa organização dentro de campo, demosntrando força dentro de casa e sabendo jogar fora, os resultados tendem a favorecer uma nova campanha interessante na Série A.