Bipolar: Ponte consegue ponto no Horto, mas poderia ser melhor

Apesar de buscar tranquilidade e foco na semana de intertemporada em Itu, a Ponte Preta passou por mais momentos turbulentos. Dessa vez, a incapacidade de segurar seu capitão no elenco, por conta de mais um negócio mal amarrado, deve intensificar o desmanche na Macaca com a breve provável confirmação da saída de Fernando Bob ao São Paulo.


O primeiro tempo da Ponte no Horto foi horrível, digno de time rebaixado, e saiu ao intervalo perdendo por 1 a 0. Porém, com mudança de organização e principalmente atitude, foi capaz de buscar uma virada incrível sob o comando de Lucca. Infelizmente, em um lance de azar na bola aérea, o Atlético-MG empatou e deu números finais à partida: 2 a 2.


O jogo


Gazeta Press
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Lucca volta a ser destaque e mostra seu valor


Sem Bob, a Macaca teve algumas poucas mudanças no meio campo: a entrada imediata de Naldo com a 5 e substituição de Jadson por Wendel. A manutenção da eterna promessa Ravanelli na armação das jogadas e o ataque sendo o mesmo com Lins e Lucca, foi o bastante para que a Alvinegra fosse, no primeiro tempo contra o Galo, a mesma inofensiva que enfrentou o Botafogo na rodada anterior, no Rio de Janeiro.


Naldo fez papel de terceiro zagueiro numa linha de 5 defensores que foi, até certo ponto, bastante segura para anular a pressão do time da casa. O problema não estava no momento defensivo. A Ponte Preta simplesmente não era capaz de ficar com a bola.


E quando teve seu primeiro chute a gol, numa falta de Ravanelli aos 35 minutos do primeiro tempo, falhou na recomposição após escanteio e deu contra-ataque ao Galo. Em jogada perfeita de almanaque, Robinho abriu o placar. A Macaca conseguiu a proeza de tomar um gol de contra-ataque somando 23% de posse de bola naquela altura do jogo.


É isso o que acontece quando se vende um setor inteiro da equipe. É difícil reconstruir, toma tempo, muito trabalho e, enquanto isso, vai causar muitos problemas. O pior é que com a maneira que foram construídas as transferências, a preço de banana e em negócios mal-amarrados - vide o empréstimo frágil de Fernando Bob a troco de Pottker, que durou 15 jogos -, a Ponte perdeu seu ataque praticamente de graça. Sem muita coisa em troca e sem o contraponto financeiro que tanto zela.


A mudança de postura


O que não dava para entender até então era como o baque das saídas de Clayson e Pottker tinham influênciado na organização inteira do time e nada era feito para alterar essa postura. Não creio que uma bronca no intervalo tenha sido a solução para o futuro da Ponte no campeonato, mas essa simples mudança de atitude deu outros rumos ao jogo.



Por falar em atitude, ou na ausência dela, foi na saída de Ravanelli o começo de outra cara à Macaca em campo. A eterna promessa, novamente, não vinha justificando mais um voto de confiança depositado. Leo Arthur na função de 10, com a ajuda de Lins e Wendel na armação das jogadas, proporcionaram ocasiões especiais para Lucca, em menos de 10 minutos da etapa inicial, colocar a Ponte Preta na frente do placar.


Lucca era um dos jogadores que mais decepcionava nas últimas partidas. Muito por conta do esquema que o sacrificava como único homem de frente a brigar solitariamente diante da zaga adversária. No segundo tempo contra o Galo provou mais uma vez suas enormes qualidades e deixou William Pottker para trás na artilharia alvinegra no ano.


Não foram lances isolados. A Macaca continuou com mais volume depois da virada, aproveitando o baque do time da casa. Teve chances de marcar o terceiro, mas desperdiçou.


Aos 30 minutos, Gilson Kleina recuou demais e muito cedo o time. Promoveu a estreia do zagueiro Rodrigo no lugar de Wendel, que vinha fazendo boa partida. Nessa altura, ambas as equipes já estavam bastante desgastadas e o jogo parecia em câmera lenta. Embora o recuo exacerbado tenha sido precipitado, não foi ele a razão do empate do Galo, que foi para um abafa sem tanto sucesso. Mas em escanteio, lance de sorte e falha de posicionamento da zaga, Rafael Moura ficou sozinho na área para igualar.


Se o ponto conquistado contra o Atlético no Horto tem de ser valorizado em qualquer circunstância, não é só pela virada a lamentação da Ponte por não ter levado a vitória para Campinas. Nino Paraíba teve em seus pés a chance de ouro, no último lance da Nega Veia. Foi fominha, decidiu bater para o gol ao invés de dar o hat-trick a Lucca e Victor fez milagre defendendo com o rosto.


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Em três jogos no Brasileirão 2017, Ponte jogou todas de azul. Hoje pode ter servido para tremer um pouco o Galo


Duas facetas da Ponte Preta foram vistas neste domingo pela manhã, em Belo Horizonte. Um primeiro tempo de time rebaixado e uma etapa final que mostra indícios positivos e esperançosos de melhora e reconstrução. A esperar e ver qual Macaca que deve continuar seu sinuoso percurso no Brasileirão 2017, após mais um desmanche preocupante.