Cadê o ataque? Ponte perde 3 pontos por péssimo planejamento

Não adianta, não importa o que o torcedor pense, cobre e exija, a diretoria mimada da Ponte Preta só vai fazer o que bem entender. Quando acerta, merece elogios, claro, mas, quando erra, é dever nosso bater.


Após abrir as pernas e vender os dois melhores jogadores do time no ano até então, ambos atacantes, William Pottker, para o Inter, e Clayson, para o Corinthians, a Macaca jogou praticamente sem poder ofensivo neste domingo, ante o Botafogo, no Rio de Janeiro. Resultado? De acordo com o site Footstats, teve o domínio das ações, a posse de bola de 60%, seis escanteios contra um do adversário, porém, apenas dois chutes a gol. Deles, só um no alvo. Perdeu para o alvinegro da estrela solitária por 2 a 0, em erros de marcação na entrada da área, de jogadas de contra-ataque, e arremates de média distância sem defesa para o goleiro Aranha.


Gazeta Press
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Como já havíamos dito no post anterior após vitória acachapante na estreia contra o Sport, é inevitável, que depois de campanha bem feita no estadual, uma equipe do porte da Ponte Preta teria assédio em seus principais jogadores. Cabe ao clube saber se proteger, se a venda for inevitável e, sobretudo, capacidade em repor com peças de mesma ou superior qualidade.


Em nenhum dos dois casos citados isso aconteceu. No começo do ano, a diretoria alvinegra e, óbvio, os representantes do atleta, pareciam ter pressa em vender William Pottker. Será que não confiavam no potencial do centroavante recém coroado com a artilharia do Brasileirão, mesmo reserva em grande parte da competição? O entregaram de lambuja e preço de banana ao Corinthians, que perdeu o negócio por infantilidade. Na primeira outra oportunidade que teve de conseguir o mesmo (pouco) dinheiro, os envolvidos o negociaram com o Internacional de Porto Alegre. Coitado de Pottker, que novamente artilheiro do campeonato que disputou com a camisa da Macaca, dessa vez no Paulistão, teve de ir jogar a Série B. Em breve, monstruoso atacante que é, bem capaz que seja artilheiro da segunda divisão - já marcou em sua estreia pelo Colorado e tem tudo para ser vendido ao exterior por uma bolada.


Assumidamente contratado para o posto vago de Pottker, Emerson Sheik chegou após alguns meses parado, longe do futebol. Ainda vai precisar de um tempo para estar apto a atuar e, por isso, vai deixar essa lacuna aberta, pelo menos por enquanto. Precisando reforçar peças no setor, inclusive urgentemente de um camisa 9 de ofício, a diretoria não teve força e interesse de segurar mais um dos cortejados e também perdeu Clayson.


O caso dele é diferente. Grande parte da torcida pontepretana não reclama da saída do jogador, sempre muito criticado em Moises Lucarelli. Particularmente, entendi a necessidade da venda de um atleta que não passa segurança de futuro e está valorizado em sua melhor fase na carreira. Acontece que as circunstâncias do negócio mostraram como a transferência foi péssima à Macaca.


O Corinthians vem sendo frequente alvo de processos judiciais por sequenciais calotes. Inclusive no pagamento de TELHAS para reforma no seu clube social. Não pagou Marlone, não pagou Kazim, o que garante que irá honrar seu compromisso com a Ponte Preta pelos R$ 3,5 milhões acordados? Na "recompensa técnica", dois atletas desconhecidos, ou seja, outras apostas. Leo Arthur e Claudinho não chegam para titularidade, na melhor das hipóteses serão 'novos Claysons' e, após amadurecimento sem empolgação e destaque repentino, serão vendidos. Nisso, quem ganhará dinheiro será o próprio Corinthians, que ainda detém maior parte da porcentagem do passe dos garotos. Inacreditável, não? Onde a Macaca ganha com isso?


Todos sabíamos que mais uma perda de jogador do time titular, no mesmo setor, ia causar impacto na Ponte dentro de campo. Contando com uma péssima partida de Ravanelli, que ainda não pode ser o 10 ideal, Jadson, Lins e Lucca, a Ponte teve zero criatividade e enormes problemas em levar perigo ao Botafogo. Foi literalmente inofensiva. Ou seja, pode colocar esses três pontos perdidos na conta de um péssimo planejamento a curto prazo feito pela alta cúpula da Alvinegra.


A peça de reposição escolhida para o lugar de Clayson é conhecido pelo nome e por atuar em grandes clubes: Negueba. Pelo futebol? Nada. Disputou o estadual goiano pelo Atlético Goianiense e, em 11 jogos, nenhum gol e nenhuma assistência. Foi dispensado pelo Dragão antes do início do Brasileirão. De novo, assustador.


Engraçado que o que sempre foi dito em Moises Lucarelli nos últimos anos foi uma pregação doutrinal sobre a importância de ser austero no primeiro semestre e ter um Campeonato Paulista para testar apostas em laboratório, visando armar elenco um pouco mais forte pela permanência na Série A do Brasileiro. O que se vê é um desmanche aterrorizante, ainda mais na iminência da saída do próprio capitão Fernando Bob para o São Paulo. E a remontagem de um grupo onde não se vê nada além de risco de rebaixamento. Justamente quando a Ponte conseguiu, enfim, pelo menos para 2017, a confiança do torcedor e da imprensa em não correr mais esse perigo de descenso.


Mesmo quando o futebol prova dentro de campo os nítidos erros da diretoria, vem xilique e até presidente do clube colocando a culpa na torcida. No vexame da primeira final no Majestoso, a festa na chegada do ônibus "assustou" os jogadores. Na primeira rodada do Brasileirão, baixo público "desmotivou" o time. Oras, quando o resultado dentro de campo vai passar a ser responsabilidade assumida de quem realmente detém essa responsabilidade? Assim fica impossível esperar do aniversariante presidente de honra e sua trupe cardeal o 'algo mais' que o torcedor alvinegro, tão sofrido e sem culpa de nada, tanto almeja.