Estreia com goleada: até onde vai a Ponte de 2017?

É fato consumado em Campinas que a Ponte Preta foi além das expectativas no Campeonato Paulista de 2017, chegando à decisão do torneio. No começo do ano, aos comandos de Felipe Moreira e time limitado, nem o mais fanático torcedor e os próprios dirigentes do clube contavam com uma campanha tão longeva, batendo em gigantes e eliminando favoritos. 


Resultado desse sucesso - para os outros, já que o torcedor alvinegro ainda sente mais uma decepção em finais -, a Macaca, como em poucas vezes em sua história, entra na Série A do Brasileirão sem ser cotada ao rebaixamento. É unânime. Não importa a emissora de TV, aberta ou fechada, rádio, mesa redonda ou mesa de bar. Na visão de todos, a Ponte não é uma das candidatas ao descenso esse ano.


O motivo principal é exatamente o já citado acima. Chegar a disputar as finais do mais difícil campeonato estadual do Brasil é um trunfo. O patamar é alterado, os olhos se voltam para o clube, o nome da Ponte Preta torna a ser pesado em nível nacional. Disputando a Série A já há algum tempo, com firmeza nas campanhas, e agora mostra força também no Paulista, a Macaca é uma realidade.


O que para o Brasil inteiro é super bem visto, dentre os alvinegros, tão calejados, pesa como mais uma decepção. Talvez se a Ponte não tivesse ido tão longe no Paulistão, a torcida iria se fazer mais presente no começo do Brasileirão 2017. Estar na final e mais uma vez não ganhar é um osso duro de roer para a já sofrida torcida da Macaca. É natural que a ferida demore um pouco a sarar e isso fica nítido no público de pouco mais de 3 mil presentes no Moises Lucarelli, na tarde de domingo. Dia das mães, predominantemente chuvoso, mas, ainda assim, um público muito abaixo do comum.


O pontepretano já se acostumou a fazer apenas uma figuração no Campeonato Brasileiro. Ano passado bateu recorde de pontos ganhos em campanha de pontos corridos de 20 times, mas não empolgou. Teve chance de alcançar a Libertadores, só que faltou fôlego. Querendo ou não, o que se espera da equipe no certame, agora, é mais uma vez o meio de tabela. E isso comprovadamente não empolga o torcedor.


Não falo aqui que se deve visar o título do Brasileirão. Longe de mim. Com a diferença abismal de investimentos entre os clubes que jogam o torneio, a Ponte Preta tem feito excelentes campanhas. Cobramos sempre no blog, e nas arquibancadas, uma postura distinta em campeonatos de mata-mata. Ganháveis. Como era o Paulistão, como é a Sul-americana. Com um posto cada vez mais sólido da primeira divisão, é nisso que a Macaca deve focar para empolgar seu torcedor e fazê-lo voltar gradativamente ao Majestoso.


O jogo


Gazeta Press
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Em sua melhor fase na Ponte, Nino Paraíba marcou seu primeiro gol com a camisa (azul-sic) alvinegra




É bem verdade que a equipe - reserva - do Sport esteve muito aquém. Porém, no domínio total da Ponte em campo, percebeu-se evolução elogiável em algumas peças e, sobretudo, no coletivo.


Mesmo com um meio-campo de, teoricamente, pouca qualidade de passe, a posse da bola esteve sempre com a Macaca. O fraco Naldo não se compara a Fernando Bob, que sentiu lesão pouco antes da partida, mas substituiu o capitão à altura. Jadson é ótimo em recompor, posicionar nas linhas, desarmar o adversário. Tem seríssimas dificuldades de toque, drible e armação de jogadas e, ainda assim, foi muito bem. Ravanelli teve papel novamente importante na bola parada e desafogou o time achando Lucca no escanteio do primeiro gol.


Com a atuação dessa meia-cancha, pode-se perceber o quanto a Macaca está bem treinada nas mãos de Gilson Kleina. Uma equipe muito bem postada defensivamente em campo, que consegue se entender bem e ter qualidade na saída para o jogo ofensivo. Foi nisso que a Ponte bateu o Sport no domingo. Domínio absoluto desse setor.


Pouco exigida, a zaga também merece elogios. Marllon foi o de sempre, não perdeu nenhuma jogada. Que belo zagueiro! Kadu, além de supreendentemente não comprometer, teve até seus lances de meio-campo puxador de contra-ataques, e também foi gigante pelo alto.


Nas laterais, o melhor em campo, não só neste domingo, como também nos últimos jogos, Nino "o LAHMpião" Paraíba, tem voado. É o principal criador de jogadas de perigo para o ataque alvinegro. A Macaca passou por isso no ano passado, quando tinha no lateral Reinaldo o seu principal desafogo. Nino tem desequilibrado e pôde comemorar seu primeiro gol com a camisa da Alvinegra, numa belíssima cabeçada.


A assistência veio do estreante João Lucas. Sem confiança nos laterais-esquerdos que contratou para a temporada, a diretoria providenciou duas peças para a posição. A principal delas, entrou logo de titular na estreia do campeonato, e já parece ter ganho a vaga. João Lucas tem físico interessante, alto e veloz, formou dupla dinâmica com Lucca, e infernizou a zaga pernambucana, principalmente no primeiro tempo. Mostrou qualidade de passe, cruzamento e ultrapassagem. Com câimbras no segundo tempo, deu lugar ao também estreante Fernandinho. Adeus, Artur.


No ataque, Lucca e Clayson foram os matadores ideais para que o torcedor não sentisse falta de Pottker. Aliás, no começo do jogo, quando o Sport truncava a partida, ainda deu saudades do camisa 9. Mas após Lucca marcar em escanteio, atuar bem na segunda etapa e Clayson decretar a vitória com dois gols, ficou mais fácil aceitar a saída do Bruxo,  ex-craque do time.


Também de saída, o antes criticado Clayson deve ter feito sua despedida da Macaca em grande estilo. Bateu muito bem a cobrança de pênalti e finalizou para as redes um contra-ataque que culminou em cruzamento rasteiro de Nino Paraíba.


A consagração de um bom campeonato e uma boa campanha da Ponte Preta passa diretamente por isso: a manutenção de seus principais jogadores e reforço a um elenco limitado. Contra o Gimnasia y Esgrima, na terça, e contra o Leão, no domingo, a Alvinegra não tinha zagueiros reservas no banco. Isso mostra deficiência grave no plantel montado até então.


Refiro-me especificamente a Clayson. Acho que o ponta tem de ser negociado, de fato, aproveitando a época em que está em sua melhor fase e mais valorizado. Apesar de achar PÉSSIMO o negócio que a diretoria está fechando, novamente, com o Corinthians. Fruto de relações promíscuas com o time da capital, que já vêm de certo tempo.


É muito importante que a Macaca se esforce para bancar os atletas que se destacam. Faz parte de um time do nosso tamanho ser visto como vitrine pelos jogadores e sofrer com esse assedio, embora, também caiba à Nega Veia, saber lidar com isso. Por exemplo, já com essas recentes atuações, resta torcer para Nino Paraíba jogar logo suas seis partidas, que o proibiriam de se transferir para outro clube da Série A.


Se por um acaso, inevitavelmente, vier a perder jogadores, como aconteceu com Pottker e deve ocorrer com Clayson, o segredo é repor em grande estilo. Com atletas do mesmo nível ou melhores que os que nos deixaram. Ilustrando, é a chegada de Emerson Sheik, para compor o setor de ataque. Desta maneira, mantendo seu corpo técnico qualificado, espinha dorsal, e bons jogadores de destaque, a Ponte pode, outra vez, fazer campeonato seguro na primeira divisão e lutar para bater seus recordes.


Sem esquecer que o pensamento da nação alvinegra é maior, a sede por conquistas só tem crescido, e a Sul-americana segue sendo o sonho e maior desejo do pontepretano moderno.


Resultados largos a favor da Ponte, como o deste domingo, serão raros durante o Campeonato Brasileiro. A sequência da tabela será dura com a Macaca. O que reforça ainda mais a importancia de começar o certame com o pé direito.