Vitória sobre Palmeiras anima a torcida. Teria a Ponte evoluído?

A partida entre Ponte Preta e Palmeiras foi envolvida por uma atmosfera interessante desde o começo da semana e movimentou os ânimos do torcedor pontepretano, mas a grande verdade é que ela pouco valia para a tabela do Campeonato Paulista. O time da capital já estava assegurado na primeira colocação de seu grupo e aproveitou seus inúmeros desfalques para fazer alguns testes. Na Macaca, a esperança de cavar uma liderança no grupo foi reforçada pela sinalização de Dorival Junior em escalar um Santos alternativo ante o Novorizontino, na Vila. Ainda assim, seria muita pretenção contar com uma ajudinha do Tigre, além de ter de cumprir um dever de casa difícil.


Na realidade, para a Macaca, a vitória de ontem, por 1 a 0, valeu muito mais por outros motivos do que os três pontos ganhos propriamente ditos. A Ponte ainda não havia vencido nenhum time de Série A em 2017. Colecionava, até então, uma derrota vergonhosa para o São Paulo, por 5 a 2, no Morumbi, um empate animador com o Corinthians, em 1 a 1, no Majestoso, na sua melhor exibição no ano, tendo sido a ampla merecedora da vitória, e outro empate por 1 a 1, em amistoso realizado contra o mesmo rival de ontem, no Allianz Parque. Ganhar do Palmeiras, nesse caso, era ganhar confiança para si mesmo e, sobretudo, para com o torcedor. E mostrar que, apesar de ainda ser uma equipe em montagem, com graves deficiências técnicas, tem capacidade de brigar de igual para igual com o Santos nas quartas de final e ser competitivo contra o Gimnasia, na primeira fase da Copa Sul-Americana. 


Gazeta Press
Gazeta Press

Kleina acumula segunda vitória em dois jogos, bate seu ex-clube e, de quebra, Eduardo Baptista


Gilson Kleina acabou de desembarcar em Moises Lucarelli. O planejamento furado da diretoria alvinegra fez com que o time chegasse em fases decisivas do primeiro semestre ainda engatinhando em identidade dentro de campo - mais tarde falo da crise de identidade fora das quatro linhas. Tencionado por essa pressão, Kleina fez aposta segura e que entende bem: optou por uma estratégia bastante cautelosa e chamou o Palmeiras para seu campo. Povoando o meio com marcadores e bastante disciplina tática, contou com a velocidade do ataque em cima dos erros do rival. Seria essa a cara da Ponte Preta para 2017? O elenco limitado talvez forçasse tal atitude e foco. Arrumar a casa para depois sair jogando. Se intencional ou não, funcionou bem ontem.


O jogo


Convidado para entrar, o Palmeiras teve uma chance claríssima de gol logo no início da partida com uma pancada de Raphael Veiga, que explodiu no travessão do desatento Aranha. Talvez tenha servido para acordar o arqueiro da Macaca, um dos principais nomes do jogo.


A partir dali, virou uma baita pelada de compadres. O alviverde detinha a posse de bola e trocava passes sem muita - ou quase nenhuma - objetividade. Nada que ocasionasse um lance de maior perigo. Nessa altura, sabendo que o Novorizontino, surpreendentemente, havia aberto o placar na Vila, a Ponte se fechou mais e esperava erros para disparar na verticalidade. Em contra-ataques, a Alvinegra teve alguns desperdícios de boas chances, principalmente nos pés de Clayson. Mais uma vez Pottker era sacrificado na marcação, assim como Lucca, pela esquerda, e o papel de atacante centralizado ficou mesmo com o camisa 7. Muito franzino para levar perigo nessas circunstâncias.


Antes do intervalo, o lance de maior perigo do jogo até então aconteceu numa enfiada de bola do meio campo palmeirense, que quebrou as linhas de marcação da Macaca. Aranha, agora ligado, apareceu rápido para dividir a bola com o atacante e evitar a abertura no marcador.


A segunda etapa tirou a sonolência do embate. Com a virada do Santos, somente o empate já não era suficiente para a Ponte Preta ficar em primeiro lugar do grupo D. Embora era o time da capital quem tinha mais intensidade em Moisés Lucarelli. Via em Dudu sua principal arma de criação de perigo, Keno entrou muito bem no lugar do apagado Erick, e a Macaca passou a sofrer bem mais.


Gazeta Press
Gazeta Press

Em noite de milagres, Aranha lembrou tempos áureos

Em seguidas oportunidades do Palmeiras dentro da área, pressionando, foi a hora de Aranha aparecer. O goleiro já foi criticado aqui no blog recentemente. Nunca questionando a técnica, mas seus problemas físicos, até em decorrência na de sua idade avançada, influenciam e muito nas atuações. Aranha não é mais o mesmo de 2008, porém, ontem, teve uma atuação de gala digna de seus anos de ouro e segurou firme a blitz palmeirense. Menção honrosa para a solidez defensiva do time - apesar de Fábio Ferreira, que fez um jogo discreto, em campo - e um pouco de sorte para garantir o 'cleansheet'.


O desafogo da Macaca era quase sempre com Pottker pela direta. E foi numa dessas bolas lançadas que o artilheiro ganhou de Zé Roberto na velocidade, puxou para a esquerda fatal, invadiu a área e, quando estava prestes a fuzilar, levou uma rasteira do lateral. Zé já tinha cartão amarelo e foi expulso: pênalti para a Nega Veia. Muito concentrado, o Bruxo foi decisivo novamente e não desperdiçou. Bateu muito bem e guardou seu sétimo tento, se mantendo como um dos artilheiros do certame. Diferente dos últimos jogos, em que não estava à vontade para celebrar, a comemoração do gol foi bastante explosiva junto à torcida no alambrado do Majestoso. Do jeito que o macaco gosta.


Gazeta Press
Gazeta Press

Assim que se comemora! Vibrante, sobrou até voadora do 'Bruxo' Pottker na bandeirinha de escanteio


Com um jogador a mais em campo e vencendo, a Ponte Preta soube aproveitar e tomou as rédeas da partida para si pela primeira vez. Foi muito interessante ver trocas de bola com qualidade, sobretudo no meio campo. Coisa que não se via com tanta frequência na Macaca de 2017. 


Ainda houve tempo de uma última tentativa dos visitantes em marcar. Jogada incisiva de Keno terminou em chute de Hyoran, à queima-roupa, para outro milagre de Aranha.


Com a vitória, a Ponte mantém escrita uma série invicta de jogos contra o Palmeiras em Moisés Lucarelli desde 2013. Apesar do crescimento exponencial do rival nos últimos anos, o clube campineiro se consolida cada vez mais como uma pedra no sapato dos palestrinos. Seja em Campinas ou na nova arena da capital. Gilson Kleina acumulou sua segunda vitória em dois jogos afrente da Macaca e Eduardo Baptista, conhecemos bem, persiste em sua sina de não saber vencer jogos fora de casa.


Identidade no padrão de jogo, não no uniforme


Jogar clássico, em casa, transmitido pela Rede Globo, e vestir azul, é pedir para criar desavença com o exigente e tradicionalista torcedor alvinegro. Queria entender essa falta completa de noção nas pessoas que tentam gerir a Ponte. A terceira camisa da Ponte Preta gerou comentários na maioria das emissoras, inclusive de Antero Greco, no SportsCenter da ESPN Brasil. TODAS as ponderações foram negativas. Só não vê o "absurdo" quem não quer. E insistir nele, de um modo que tenha ainda mais visibilidade, beira a loucura.