Linha do tempo dos técnicos: apostas e mais do mesmo

Pelo autor convidado Vinicius Falavigna em colaboração de André Sales



A diretoria da Ponte Preta se gaba, ano após ano, de "se segurar na Série A do Brasileirão" e "manter as contas em dia". De fato, isso é louvável. Levo muito em consideração sermos o ÚNICO time do interior Paulista que ainda se mantém competitivo, disputando campeonatos de elite e até competição internacional.


Tudo isso graças ao bom trabalho dos cartolas, certo? Bem, não é bem assim. Seguindo uma linha do tempo dos treinadores de 2013 para cá e colocando a final da Sulamericana como uma "divisão", vamos mostrar abaixo como os dirigentes se perderam em diversos momentos e, por uma tacada de sorte talvez, conseguiram surgir as famosas "desculpas" de que o saldo é positivo. 


Aos menos críticos: é fato que não é fácil montar um time de futebol, em um mercado tão competitivo quanto o brasileiro. Para os times pequenos e médios, resta a sobra dos chamados grandes e uma ou outra "aposta" que vem para reforçar o elenco. Desde sempre, temos pouco dinheiro entrando, seja na Série A (uma das menores cotas de televisão) ou na Série B (a merreca que os times ganham, da mesma cota de televisão). Logo, fica mais difícil ainda para contratar ou segurar os destaques.


Só que essa desculpa, ano após ano, uma hora cansa. Muitos torcedores perguntam "por que a Chapecoense contrata e nós não?". Esse ano, por exemplo, Reinaldo, um dos nossos destaques de 2016, está jogando - e voando - por lá, enquanto nós estamos em março e temos de improvisar o garoto Jeferson na posição.


Agora, vamos ao assunto principal do texto: a falta de convicção e amadorismo da diretoria pontepretana na escolha dos treineiros. Vou poupar anos anteriores e focar de 2013 para cá. Nessa época, Gustavo Bueno assumiu como coordenador técnico do departamento de futebol. Vínhamos da frustração brutal da Sula e do rebaixamento para a Série B de 2014. Para tentar reerguer a Ponte, a filosofia de trazer um treinador que estivesse no início de carreira, mas que já tivesse mostrado competência para assumir grandes desafios.


Quem veio? Sidney Moraes, "super credenciado" pela boa série B com o Icasa. A diretoria acreditava tanto no seu trabalho que, após os três primeiros jogos do Paulistão de 2014, foi mandado embora.


Para o seu lugar, um acerto óbvio. Oswaldo Alvarez, o Vadão, assumiria a Ponte novamente e estava indo bem. Antes do começo da Série B, porém, aceitou o convite para treinar a Seleção Feminina de Futebol. Para seu lugar, quem chegou foi Dado Cavalcanti, na mesma toada de "início de carreira" e com certo apoio e otimisto de grande parte da torcida. Até tinha material humano - não à toa subimos para Série A -, mas não conseguiu fazer o time jogar.


Foi daí que começou a bizarra história de jogar nome de novo treinador no ventilador para ver se a torcida aprovava. Assim como vimos recentemente com Adilson Batista, à época, os dirigentes da Macaca vazaram a chegada de Ricardinho, o grisalho. Segundo o próprio, a passagem para Campinas já estava comprada. Mas, na mesma noite, Guto Ferreira havia sido demitido do Figueirense e, rapidamente, acertou seu retorno. Atitude claramente insegura por parte da diretoria. Na oportunidade, Guto, monstruoso treinador como é, salvou a pele de Bueno e companhia: um segundo turno irrepreensível nos levou de volta para a elite. Apesar do papelão nas últimas rodadas e fazer questão de entregar a taça de bandeja ao Joinville.


O ano de 2015 foi a exceção. Bueno manteve o treinador, mas, com ele, veio o famoso termo "campeonato de manutenção". Recém-chegada à Série A, a torcida comprou o discurso de brigar contra o rebaixamento no Brasileirão. Porém, esperava uma boa campanha no Paulista. E, para nossa esperança - e até surpresa -, isso aconteceu. Fomos até às quartas e caímos garfados para o Corinthians na Arena Itaquera.


Na sequência da temporada, começamos bem o Brasileirão, com Renato Cajá comendo a bola. A saída dele culminou no declínio do time e, após sete jogos sem vencer, “Gordiola” caiu. Em decisão acertada, Bueno recrutou Doriva e o time melhorou. Todos já sabemos qual foi o fim da história e a saída dele pela porta dos fundos ao Morumbi. Terminamos o ano sem comandante, com Felipe Moreira assumindo nos últimos jogos.


Mas, para o ano seguinte, parece que a boa campanha na temporada passada subiu à cabeça da diretoria pontepretana. A soberba tomou conta dos diretores e da coordenação de futebol. Achavam que tudo o que faziam dava certo. Passaram a censurar torcida e imprensa, seja em redes sociais ou coletivas. Compraram uma guerra burra e impossível de vencer. E, claro, como tudo que vai, volta, se perderam de vez.


A ladainha de austeridade no começo do ano era a mesma. Técnico e jogadores que vinham como apostas. Desta vez não deu certo e o péssimo planejamento foi escancarado. Vinícius Eutrópio chegou e não aguentou o tranco. Jogadores fracos tecnicamente também. Cansada de só disputar, a torcida caiu em cima em protestos. E, desde então, o laço se rompeu devido à pouca identificação com os "3,4 mil de sempre".


Passamos um dos maiores vexames recentes do clube no Paulista. Só não caímos porque o nível do torneio é bem fraco, mesmo. Perdida, a direção trouxe Alexandre Gallo para resolver. Desde sua vinda, era claro que ele duraria dali até uns oito jogos do Brasileiro, e na sequência outro teria de vir para segurar os ânimos e descontentamento da massa pontepretana.


Gazeta Press
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Nome de Gallo fugiu do mais do mesmo, mas se mostrou um 'mandado tampão'


Gallo foi até razoável. Tirou a Ponte do risco de rebaixamento, mas não mostrou muita evolução tática. Aproveitando da sorte - mais uma vez -, Bueno dispensou o treinador e aproveitou que o tão sonhado Eduardo Baptista estava desempregado.


Não dá para negar que a decisão foi, de certa forma, acertada. Porém, por linhas tortas, o modo como toda essa história foi conduzida demostrava a bagunça nos corredores do Majestoso. Inclusive provada nas declarações furiosas de Alexandre Gallo sobre a maneira como foi destratado.


Para lembrar: exaltado na chegada, Gallo ficou apenas um mês e meio na Ponte. Na época, Baptista era o sonho, mas estava empregado, prestes a cair no Fluminense. Ganhou uma folga após ganhar o clássico contra o Vasco. Pouco tempo depois, foi demitido. A Ponte esperou Gallo fazer seu trabalho, livrar o time do rebaixamento para a A-2, para depois sacá-lo. Ainda destacou o "excelente trabalho" do até então comandante da Nêga. "Derrota de toda classe", foram as palavras dele após o desligamento.


Como de praxe, papai Carnielli deu o aval e a diretoria teve de gastar para reforçar o time. Alguns jogadores chegaram para tentar subir o nível da péssima equipe do Paulista. Mesmo assim, Baptista, bom técnico que é, teve de tirar leite de pedra do elenco pontepretano. Chegamos a sonhar com Libertadores, mas faltou a tal força no elenco e seriedade de alguns atletas na reta final.


Apesar dos consecutivos erros e pancadas na cabeça, achavamos que 2017 poderia ser melhor. Disputaríamos Sul-Americana, Copa do Brasil e Paulistão. Esses são, ou eram, os campeonatos que acreditamos ter mais chance de jogar de igual para igual com os outros times e quem sabe beliscar uma conquista. São nos mata-matas que deveríamos focar. Isso está óbvio no pensamento de cada pontepretano.


Acredito que falamos por todos que torcem pela Ponte: chega de só disputar. Chega de "campeonato de manutenção". Chega de reforçar o elenco depois do estadual. NÓS QUEREMOS DISPUTAR PARA GANHAR, NÃO MAIS SÓ ENTRAR EM CAMPO. Talvez a diretoria não tenha diagnosticado ainda a falta de torcedores no campo e a desilusão até dos mais fanáticos pontepretanos, mas nós já e ela está aí, na nossa cara.


Lembram quando falamos acima da desconexão com a torcida? Pois é. O filho de Nelsinho Baptista saiu e o filho de outro ex-jogador assumiu o posto, mesmo sem NENHUMA experiência para o cargo. A burrada era anunciada e já sabemos o fim da história. Parece óbvio, mas os PLANEJAMENTOS de um time de futebol devem ter início no fim do ano que passou, para tentar prever as ações do ano seguinte. Mas acho que só a nossa diretoria não pensa assim.

Gazeta Press
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Aposta fadada ao fracasso em Felipe Moreira nos custou a Copa do Brasil

Não posso deixar de citar que o calendário brasileiro mudou. Os estaduais estão mais curtos e as competições que eram disputadas mais a frente - Copa do Brasil, Sul-Americana e Libertadores - tiveram início no começo do ano. Qual a lógica a se fazer? Se preparar desde o início, assim como os outros 19 times da Série A. Mas não... nós continuamos com o mesmo planejamento FURADO dos três anos anteriores, numa estratégia brochante e desestimulante para os torcedores.

A sequência dos derrotados é: time fraco no Paulistão > pressão da torcida > "resposta" da diretoria com contratações que vão "agradar" e "acalmar" os ânimos.


Como já perceberam, isso está acontecendo de novo. O velho conhecido Gilson Kleina foi confirmado como novo treinador. Respaldado pela bela passagem de 2011/2012 - no caso, seu último (e único) BOM trabalho - o "Bruxo" volta com o crivo de papai Carnielli. O que esperar? Nos parece claro que o elenco é pior do que em anos anteriores e que vai ser muito mais difícil se manter na primeira divisão, uma vez que os outros times já estão se preparando, muitos já redondinhos, e encorpando para a sequência da temporada.


Ao assistir ao clássico Santos x Palmeiras, na semana passada, trouxe até a dúvida se seria interessante ver a Macaca nas fases finais do Paulistão contra esses gigantes jogando o fino da bola, enquanto nós ainda engatinhamos.


E, novamente, quem manda na Ponte "jogou para a torcida". Trouxe um treinador com o claro intuito de passar uma borracha nos erros, para depois vir a público se gabar por manter o clube na elite, classificado para um torneio internacional, além de terminar o ano com a conta no azul - essa parece ser a mais nova estrelinha no peito dos diretores, só que não vale absolutamente nada para o torcedor. A nova cor da moda, em Moisés Lucarelli. Está em todas as ações de social media, está no horrendo terceiro uniforme, está em tudo.


É claro que, olhando para quem está na avenida de baixo, essas "condecorações" parecem ótimas. Mas quando falamos de futuro, isso não nos basta mais. Todos estamos cansados das bundadas e das desculpinhas. Queremos mais ambição, mais vontade de vencer, mais profissionalismo e mais cara de PONTE PRETA no time que é DO POVÃO. Façam o trabalho por nós, seus fiéis torcedores, e não por vocês, os cardeais da turma do cafezinho.