Emoção, pixotadas e empate amargo na tarde de terça

Olha o que a Ponte Preta conseguiu fazer com a minha tarde de terça-feira. 


Tenho certeza que, assim como eu, muito pontepretano largou o que tinha para fazer neste dia útil, meteu aquele 'miguézinho' no serviço e deu um jeito de acompanhar a Macaca, contra o Santo André, pelo Paulistão. Ficou p. da vida antes das 3 e meia da tarde, vibrou na igualdade, esbravejou novamente na segunda etapa, chegou ao êxtase na virada, para enfim levar um balde de água fria no último lance. 


O problema é que quem veste a camisa do clube que amamos não merece tanta atenção. Foi um show de pixotadas, que deixaram até a partida bastante interessante, como um 3 a 3 é capaz de fazer. Mas o final com gosto amargo e ceder empate nos últimos minutos, desanima quem trata como prioridade e é tão maltratado dessa maneira.


Fica repetitivo e chato bater nessa tecla, porém não há escapatória e é sempre necessário ser citado. O elenco montado pela diretoria alvinegra para a disputa do Campeonato Paulista de 2017 é péssimo.


O técnico escolhido era horrível, Felipe Moreira caiu, o interino João Brigatti é inexperiente e, agora, enfim, deve chegar alguém com o mínimo de experiência para tentar começar o ano de uma vez por todas. William Pottker, o melhor jogador do time, vai embora, para terminar com chave de ouro o planejamento horrendo e um início de temporada capaz de afastar ainda mais o torcedor do estádio.  


O jogo


A Ponte saiu atrás logo cedo na partida. Em erro individual de Marllon, que teve péssima atuação, o centroavante do Santo André cabeceou e Aranha falhou. O empate veio em seguida. Na única ultrapassagem de volante pelas laterais na primeira etapa, Elton cruzou para Lucca fuzilar.


Brigatti optou por três volantes, marcava no 4-1-4-1 e sofria muito nas bolas aéreas no setor defensivo. Do meio para frente, havia um buraco negro entre a zaga e o ataque, falta de criatividade enorme e a retranca era preocupante para um jogo de suma importância. 


Na segunda etapa, Brigatti fez alteração interessante. Tirou o sonolento '10' Matheus Jesus e promoveu o jovem centroavante Yuri. Tomando a iniciativa da partida, a Macaca perdeu duas grandes oportunidades através de Lucca. Como quem não faz toma, o Ramalhão voltou à frente num gol contra de Jefferson, após mais uma falha defensiva.


Sensibilizado com o lateral pontepretano, o Santo André resolveu dar de presente a virada ao time campineiro. Daniel Borges, zagueiro andreense, fez um dos gols-contra mais bizarros que eu já vi na vida. E, praticamente na sequência do lance, Clayson fez boa jogada só que não sabe fazer gol, chutou para a defesa do goleiro. Pottker pegou rebote e bateu forte para a falha do arqueiro do Ramalhão. 


A virada fez o torcedor pontepretano vibrar muito. Era muita emoção e alívio para uma mera tarde de terça-feira.


Como nada é fácil para a Ponte Preta, no último minuto da partida, mais um bate-cabeça em bola levantada na área culminou no gol de empate do time da casa, dando números finais ao jogo.


A Macaca não mereceu em nenhum momento a vitória. E pior: com esse péssimo resultado periga muito não se classificar.


Vaga em perigo


No grupo da morte, todo mundo está fazendo questão de morrer. Mesmo com momentos de dificuldade, Mirassol e Santos podem passar a Ponte na tabela e tirar a Alvinegra da zona de classificação do grupo D. 


Enquanto isso, a Macaca, patinando na competição, tem dois confrontos complicados adiante: São Bento, em Sorocaba, e Palmeiras, em Campinas.


Não duvide, torcedor, se a Ponte Preta ficar fora das quartas-de-final do Campeonato Paulista pelo segundo ano consecutivo. Seria mais um carimbo vexatório da administração da diretoria atual e seu plano brochante de 'brincar' e economizar dinheiro no Paulistão.


Kleina chegando?


Mais do mesmo, disco arranhado. Cite um bom trabalho de Gilson Kleina após sua saída da Nega Veia em 2012. A diretiva alvinegra não consegue sair dos mesmos nomes. Será que não existe um trabalho de observação de futebol fora do que acontece em Campinas?


Sobretudo, a escolha de Kleina é uma prova cabal de que quem manda na Ponte Preta é Sergio Carnielli, pronto e acabou. Sua palavra é a única que tem poder lá dentro. Para um 'líder' que não quer ser campeão, o papelão do Campeonato Paulista desse ano era tudo o que ele e sua gestão queriam.