Só vontade não faz Ponte 'passar por cima' de ninguém

Gazeta Press
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Ponte volta a demonstrar imensas fragilidades e sucumbe diante do Novorizontino


Na saída para o intervalo, quando o placar já anotava 1 a 0 para os visitantes, o goleiro Aranha e William Pottker cobraram apoio da torcida aos microfones da Rádio Central. Ora, veja você se não é a banana colhendo os macacos - com o perdão do trocadilho. Atletas que ganham polpudos salários - e em dia - reclamarem do torcedor, tomando chuva pra ver derrota parcial contra um time do interior dentro do Majestoso. Era só o que me faltava.


Jogador não tem de ensinar pontepretano a torcer. Tem é de jogar bola. O resultado está aí para mostrar que as críticas eram merecidas e também dar um choque de realidade de futebol para esses mimadinhos de azul.


O que fez a Ponte Preta perder hoje foi a falta de time de qualidade - em especial no meio-campo de criação - e ausência de técnico desde o princípio do ano. Um elenco longe de ser digno de Série A e completamente desorganizado. Culpa de quem? Da diretoria superávit. Tudo isso foi sua opção fria e calculista para o primeiro semestre.


A Macaca até começou em cima, pressionando o adversário. Provavelmente no pique da preleção de Brigatti e respingos da coletiva após o jogo contra o Corinthians, quando o interino bradou que "passaria por cima" do Novorizontino. Pois no futebol de 2017, só vontade não passa por cima de ninguém. Nem mesmo de um modesto time do interiorzão.


Desorganizada, sobretudo na recomposição de defesa, a Ponte perdeu total o controle da partida e passou a sofrer sufoco dos visitantes. Levou 1 a 0 e se desnorteou mais ainda. Na volta do vestiário, outro balde de água fria e o 2 a 0 logo no início da segunda etapa.


Sem nem precisar saber da pataquada nas entrevistas de saída ao intervalo, a torcida alvinegra se inflamou. Ignorou os dois côcos na cabeça e a chuva insistente que caia em Campinas e tentou carregar o time nas costas, sem parar de cantar um segundo em busca do empate.   


Brigatti encheu o time de atacantes, sacou Rava - péssimo e merecendo perder a titularidade - para promover Cassini e o substituto também demonstrou criatividade nula. Pottker marcou após escanteio e acabou com breve jejum de gols, porém não foi suficiente para evitar a derrota e perda da invencibilidade em Moisés Lucarelli no ano. 


Espero que acabem, de uma vez por todas, as conversas de efetivação do auxiliar no cargo de treineiro. A Ponte precisa de experiência, inteligência e cabeça tática para armar esse time, acima de toda a garra que demonstrou em campo nas últimas partidas sob o comando de João Brigatti. 


Nada azul


Nem no céu chuvoso campineiro, nem no futebol. Nada ornou com o terceiro uniforme azul da Ponte Preta neste sábado. Pelo menos um conforto na derrota de hoje é saber que essa camisa rasgadora de estatuto não ganhará o estigma de 'sortuda' como a amarela, em 2016. 


Tabela


Olho aberto na classificação. A derrota em casa do Mirassol para o Santo André, por 3 a 2, minimizou os estragos do resultado pontepretano, embora possa ter colocado o Peixe de volta no caminho da Macaca. Se vencer o Palmeiras na Vila, o alvinegro praiano ultrapassa a Ponte e assume a liderança do Grupo D do Paulistão - além de ligar a luz de alerta no risco de eliminação da Ponte ainda na primeira fase do campeonato.