Alívio na Macaca, e nada mais

Por Rodrigo Vieira, autor convidado


O nível do Campeonato Paulista está muito baixo, e nossa liderança de grupo ilude os fãs do oba oba, mas o torcedor realista sabe que não há muito a se empolgar. Não enquanto entre os 11 principais estiver uma enganação chamada Clayson, não enquanto nossa armação ficar a cargo dos jovens Ravanelli e Cassini - e aí é inevitável que a criação ofensiva sobre para os volantes na ligação direta e para os laterais. Não enquanto não vierem ao menos quatro reforços para ser titular desse time (veja a tabela da série A e imagine nosso time atual tendo de encarar a maratona de pedreiras).


Nesse domingo a Ponte bateu um invicto em seus domínios, um time que joga junto há um tempo considerável, porém, acima de tudo, um time horroroso. Foi um alívio vencer, mas o Ituano é horroroso. Um time completamente perdido em campo, e aquela entrada criminosa em cima do Matheus Jesus, uma tesoura por trás cartilha para cartão vermelho, foi só uma amostra do despreparo do oponente.


Batemos em defunto. Assim foi com São Bernardo em casa, com Ferroviária na estreia e com Botafogo, em Ribeirão. Infelizmente assim não foi com Cuiabá (quem?), uma das maiores vergonhas recentes que amargamos. O único time grande, de Série A, que enfrentamos em 2017, resultou naquela tragédia que prefiro nem mencionar para não ter de recordar do “filhote de ídolo” que por algumas semanas ousaram chamar de treinador, e agora já é passado no Majestoso.


O jogo


Gazeta Press
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Partida teve 15 minutos iniciais eletrizantes. Depois, sobrou pancadaria e faltou futebol


Após um primeiro tempo sonolento, sem quase nenhuma criatividade, com algumas boas defesas de Aranha e um gol bem anulado da Macaca, vimos um segundo tempo melhor, com injeção de ânimo após a expulsão do oponente aos cinco minutos.


A superioridade numérica deu à Macaca maior volume de jogo. Dominamos as ações, mas faltou empurrar a bola para dentro - destaque para dois gols monumentais perdidos, um por Cassini e outro por Lins. A partida se encaminhava para um zero a zero amargo quando nosso melhor jogador nesse início de temporada, Lucca, mesmo deslocado, achou um gol entre os postes que o Ituano chama de zagueiros. Três pontos para trazer, acima de tudo, alívio para trabalharmos essa semana.


Voltando ao nível do campeonato, quem assistiu ao clássico Corinthians x Santos no final de semana sabe do que estou falando. Jogo terrível, sem criação, truncado, de nível técnico baixíssimo. No Morumbi, a arbitragem teve de prejudicar escandalosamente o Santo André para dar a vitória aos mandantes...


“Então dá para aproveitar que esse ano a coisa está muito feia para quem sabe almejar o caneco?” Assim seria, não fosse a falta de ambição da diretoria alvi-negra. Assim seria, se desde o final do ano passado houvesse um planejamento com um treinador de verdade, que escolhesse os jogadores pensando em um trabalho para toda a temporada, com peças que compusessem um esquema tático sólido, e não com um catadão sem qualquer sentido sob o comando de uma criança.


Esse é o futebol de hoje, principalmente para os times de menor orçamento. Ou há uma seleção criteriosa de acordo com o perfil dos atletas e do treinador para que um conjunto seja formado, ou o caos está plantado. Ano passado, Eduardo Baptista entrava em cada partida sabendo o que faria. Entre erros e acertos, o time tinha uma postura em campo, cada jogador como uma engrenagem compondo um todo, o que ainda não vimos e não devemos ver tão cedo esse ano. Não com um coitado de um treinador que caia de para-quedas e tenha de começar o trabalho do zero, com jogadores que não passaram por seu crivo.


Quem não sabia que seria assim? Fico imaginando a cúpula do futebol da Nêga Véia sentada no início do ano: "Já sei, que tal dar uma chance ao Felipe Moreira? Técnico tarimbado, prontíssimo para encarar uma Série A, vamos ganhar o título de treinador revelação e colocar o troféu do lado do bi-superávit 15/16.”


O que a Ponte vem fazendo nos últimos anos, usando o FÁCIL Campeonato Paulista de laboratório, é o exemplo mais simbólico dessa falta de ambição que tira o torcedor do sério - e das arquibancadas. Ninguém aguenta mais ter de ver as oportunidades passando clarividentes à nossa frente e não saber aproveitar. Ninguém quer saber se ano passado tivemos a melhor campanha de nossa história nos pontos corridos, pois isso não é título. O que queremos é ter um time competitivo desde janeiro, com um técnico que o planejou, chegou para ser campeão paulista.


Ontem, em Itu, batemos sem dificuldade, um time fraquíssimo, sem torcida, sem tradição, sem história, minúsculo, mas que acabou de levantar o caneco desse mesmo campeonato. Já o fez em duas oportunidades.


Por fim, essa liderança do Grupo D não deve iludir ninguém, só aliviar. Alívio que nossos concorrentes sejam Mirassol e um Santos em crise, e olhos abertos para não se acomodar com esse elenco limitado. Esperemos pelo nome do próximo treinador. E que venha com coragem. E, acima disso, que as lições fiquem para o Paulista de 2018.