Desfile no Majestoso: o bloco da Macaca sem meio

Mais uma vez com pouquíssima criatividade e zero futebol, a Ponte Preta venceu o São Bernardo, por 1 a 0, no Moisés Lucarelli. Eu achei que o Linense era um dos piores times do Campeonato Paulista de 2017. Obviamente, ainda não tinha visto o São Bernardo jogar. O Aurinegro do ABC foi bisonho e não exigiu muito do sábado de carnaval sonolento da Macaca. 


Repetindo a escalação das últimas partidas, a Alvinegra campineira não modificou sua maneira de jogar, com pouca qualidade ofensiva como característica. Dessa vez, ainda pior. Não contou com uma boa atuação de William Pottker, o melhor do time. Apagado, o Bruxo se perdeu no esquema e praticamente não apareceu no jogo. 


Poucas coisas valem ser salientadas da partida. A Macaca, por exemplo, tem quase nada de positivo a ser ressaltado. Uma ressalva à zaga, firme com Marllon e Yago - lembrando que, por algum motivo, Kadu e Fábio Ferreira já foram titulares no início do campeonato - e os jovens laterais, Emerson e Reynaldo. Todos sem falhas graves, apesar da fogueira e de passar alguns sustos, quando a Ponte passou a ser pressionada ao se retrancar e dar campo ao adversário, em alguns momentos do cotejo. 


No meio-campo, mais do mesmo. Aliás, qual meio-campo? Fernando Bob teve a qualidade de sempre, mas não pode fazer milagres, além de melhorar a saída de bola da zaga. Matheus Jesus, cobiçado pela Fiorentina, demonstrou aquela preguiça que lhe é peculiar e, às vezes, traz dúvida se o camisa 8 está realmente dentro de campo, de tão sumido. Lucca, improvisado, fez, de novo, o que pode, inclua-se o gol da vitória. Mas é óbvio que essa não é sua posição e não é ali que ele deve atuar. 


Gazeta Press
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Sob os olhos da macacada, Pottker teve atuação tímida


Quem se salvou no setor de ataque foi Lins. O ponta foi um dos mais incisivos em campo e deu um lindo passe para o gol de Lucca. E Clayson também foi regular com o que costuma fazer em campo: nada.


A vitória serviu para colocar a Ponte Preta na cola do Mirassol - derrotado para o Corinthians na rodada -, na segunda colocação do grupo D. São 11 pontos somados, dois atrás do líder. O Santos venceu seu jogo e vem logo atrás, com 10 pontos na classificação. Em último no grupo, o Audax, que também saiu vitorioso nesse sábado, soma agora 7 pontos ganhos.


Mas a sonolenta partida foi mais do que suficiente para perceber, outra vez, que esse time, com esse aprendiz de treinador, não vai para lugar nenhum. O que fez Felipe Moreira, até agora, foi defender seu emprego com unhas e dentes. E não se importa em abrir mão da qualidade futebolística para isso. Moreirinha foi intensamente vaiado e criticado pela torcida alvinegra nas arquibancadas.


O modo retrancado que atuava a Macaca, já ao começo da segunda etapa, provava isso, e tirava do sério as poucas mais de 2.800 testemunhas que foram ao Majestoso nesse sábado de carnaval. Quando sacou Lucca, autor do gol, para promover o volante Jadson, o estádio veio abaixo nas costas do treinadorzinho.


Falta qualidade em Moreira, óbvio, mas também falta coragem de assumir sua responsabilidade como treinador do maior clube do interior paulista. 


Tudo isso é o que quer a atual gestão diretiva da Ponte Preta. Sem holofotes nacionais, em caso de uma grande participação no campeonato, e apenas se manter na primeira divisão do estadual sem gastar um tostão furado na montagem de um elenco frágil, com treinador barato e caseiro. Que, com sua fragilidade, desfoque os mandos e desmandos de uma direção sem ambição.