Quem decide pelo Palmeiras?

Amigo palestrino. Amiga palmeirense. É duro de admitir, mas o time do oba-oba, o Real Madrid das Américas (que comparação infeliz), o melhor e mais caro elenco do Brasil... só vai jogar em outubro. Até lá, ficaremos nesse modorrento quarta e domingo, sem tempo de treinar, sem apresentar um bom futebol, sem colocar nossas pratas da casa pra jogar. Com toda a expectativa que criamos e que criaram em cima do Palmeiras, campeão brasileiro no ano passado com sobras, é difícil descer do salto. Mas passou da hora.


Perdemos em casa para o Corinthians, que fez partida impecável fechadinho e no contra-ataque, jogamos mais uma vez como se tivéssemos um time tecnicamente muito superior ao adversário, daqueles que naturalmente chega ao gol: posse de bola, toques curtos e tentando construir as jogadas pelos lados (já que o meio estava congestionado). Funcionou bem, até o adversário fazer o gol no nosso erro, em pênalti pra lá de infantil Bruno Henrique. Mesmos assim, tivemos 64% de posse no primeiro tempo e finalizamos 8 vezes contra 2 do SCCP. Mas a bola não encontrou ninguém capaz de decidir pelo escrete alviverde.


No segundo tempo, entretanto, a maionese alviverde desandou. O Palmeiras mostrou apenas um resquício da organização do primeiro tempo. Nervoso, ansioso, abusou dos erros e mesmo as jogadas pelas laterais deixaram de funcionar. Fomos punidos com o gol em contra-ataque e a desorganização, então, passou a ser completa. Quem decidiu colocar o zagueiro para atuar de atacante, o atacante de lateral, etc.?


Com o resultado, praticamente demos adeus a qualquer chance de título brasileiro. Poderemos, quiçá, lutar por uma vaga no G4. E há diversos motivos para isso. Estamos quase em agosto e ainda estamos montando o elenco (contratamos o Deyverson e ainda jogamos com meio campistas nas laterais). Impressiona estarmos nesse estado a esta altura, já que ao menos em tese éramos o time que tinha o dinheiro, a infraestrutura, o profissionalismo e a tranquilidade de recém-campeão para buscarmos um novo e mais alto patamar. Aproximamo-nos do final da temporada ainda pagando caro pelas mudanças no comando técnico da equipe. E com a bola que jogamos, impressiona ainda estarmos vivos na Copa do Brasil e na Libertadores.


Pois é justamente nestas copas que nos resta alguma esperança de que a gente ainda possa sorrir. Como os dois campeonatos vão até o fim do ano, talvez haja tempo para arrumar esta bagunça chamada Palmeiras, mas isso depende de sobreviver a Cruzeiro e Barcelona após resultados nada confortáveis nas partidas de ida. Este Palmeiras que vimos hoje somente jogará um bom futebol (com otimismo) lá para setembro ou outubro, convidando o palmeirense a hibernar até lá.


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O maior problema, o que mais aflige os diletos leitores e leitoras, é que não parece haver horizonte. Cuca insiste num esquema tático que não tem funcionado, com dois atacantes abertos, e em invencionices, como Mina de centroavante, Roger Guedes na lateral direita, entre outras. O Cucabol perdeu a magia, e não colecionamos mais tantos gols em cobranças de laterais e escanteios.


A panela de pressão só não estourou porque o palmeirense ainda saboreia um pouco do resgate da sua dignidade acostumou-se a dias inglórios. Mesmo assim, a torcida já irritada busca uma explicação, e diante da inexplicável derrocada do novo-rico Palmeiras, culpa os ídolos Prass, ataca o campeão Cuca, vocifera contra a queda de futebol de Tche Tche, critica o Borja que não entra e o que entra e não joga, iniciando aquele processo de fritura que já cansamos de assistir.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Dentro de campo, as decisões de Cuca não têm surtido o efeito esperado.


Fora de campo, Galiotte curte suas férias em um momento crítico. A patrocinadora-conselheira segue investindo no time (e na sua própria imagem), por enquanto sem questionar (o que é ótimo). O ex-presidente Mustafá continua sua cruzada contra a profissionalização de qualquer departamento, continua mandando e desmandando, criando exceções no estatuto para favorecer seus amigos políticos e espalhando o amadorismo em cada palmo das alamedas do Palestra Italia. Quem pensa que o Palmeiras mudou, está redondamente enganado. As velhas múmias que assolaram o Palestra nos anos 2000 possuem invejável longevidade política.


Derrota no Derby significa, ao menos, alguma turbulência. O piloto da nave está de férias. Precisamos nos reorganizar após perder uma invencibilidade de 28 jogos em casa contra o maior rival. Cuca precisa encontrar um caminho mesmo sem tempo para treinar.


Tudo indica que escolhas precisam ser feitas e, a esta altura, parece burrice lutarmos com todas as forças em todos campeonatos. É preciso treinar este time. Precisamos definir prioridades. Mas quem decide na ausência de Galiotte?


Enquanto procuramos respostas, o indeciso Palmeiras segue vivo. Oxalá até reencontrar seu futebol.