Palmeiras punido, Peñarol poupado: a América precisa se libertar desta vergonha

A entidade que comanda o futebol Sul-Americano e responsável pela organização da Taça Libertadores deu na tarde de sexta um atestado de parcialidade e incompetência.


Diante de fatos e evidências que escandalizaram até a imprensa uruguaia e qualquer cidadão que tenha um mínimo de escrúpulos e sentimento de justiça, a entidade optou por aliviar para o infrator e punir as vítimas de mais um episódio de covardia e falta de vergonha na cara.


Após virada histórica do Palmeiras no Uruguai e de uma emboscada violenta e documentada, perpetrada por atletas, torcedores e seguranças do Peñarol contra os atletas e torcedores do Palmeiras, a Conmebol mostrou de que tipo de material humano é feita: aquele que não precisamos em lugar nenhum.


A entidade aplicou duas penas ao Palmeiras: Felipe Melo ficará suspenso por 6 jogos, enquanto o clube não terá sua torcida nos próximos 3 jogos fora. O impacto para o Palmeiras é claro e concreto. Ficará sem o apoio da sua torcida, fundamental na estabilização psicológica dos jogadores nos difíceis confrontos que terá pela frente (até a semifinal) se o time se classificar. E ficará também sem seu principal volante, um jogador que se mostrou capaz de atuar (e falar muita besteira, é verdade) em altíssimo nível. Uma punição a Felipe poderia ser considerada justa, a depender da punição proporcional dada aos seus agressores. E é aí que os indignos dirigentes da Conmebol perderam completamente a mão.


O clube uruguaio, que apresentou futebol e atitude de gente pequena e pobre de espírito, recebeu a 'duríssima' pena de 1 jogo com portões fechados, justamente em um jogo que já não lhe vale mais nada. Perderá, talvez, alguns trocados em bilheteria, mas não terá nenhum prejuízo desportivo. Isso a despeito de não prover a segurança necessária para jogadores e torcida visitante, de trancar os atletas e comissão técnica do Palmeiras dentro do gramado em um momento de conflito e risco à integridade física dos visitantes. Um episódio que entra para a coleção de pequenezas praticadas por este clube que desonrou mais uma vez uma das melhores escolas de futebol das Américas.


EFE
EFE

A covardia do adversário foi fartamente documentada. Para a vergonha da Conmebol!


Entendam a magia ardilosa da entidade sul-americana: a maior consequência da pena aplicada ao clube uruguaio é jogar sem torcida em um jogo que não lhe interessa. Mas é pior que isso! A derrota do Peñarol na última rodada pode favorecer diretamente ao concorrente do Palmeiras por uma vaga na próxima fase. O incompetente Peñarol, que não conseguiu bater no Palmeiras nem dentro nem fora de campo, ganhou um benefício travestido de pena – vai jogar enfraquecido contra o Jorge Wilstermann e, assim, para prejuízo do Palmeiras. Terá o Peñarol a dignidade de lutar pela vitória? 


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Além do papelão na (falta de) punição ao Peñarol, a entidade sul-americana também aliviou para os jogadores uruguaios envolvidos na confusão ao fim do jogo contra o Palmeiras. Apenas três atletas foram punidos com 5 jogos cada um (menos que os 6 jogos de punição a Felipe Melo), a despeito de agressões sem bola e de terem iniciado deliberadamente a confusão quando já não tinham mais nada a perder - tudo amplamente documentado. É, como qualquer um que acompanha futebol sabe, mais um caso clássico de um time eliminado que procura a confusão para provocar o maior prejuízo possível para o adversário na sequência da competição.


Impressiona que, em 2017, cargos e responsabilidades de tamanha importância nesta alta instituição sul-americana continuem preenchidos por pessoas fracas, incompetente e incapazes de mostrar força diante do interesse mesquinho de cartolas antiquados. Em pleno século XXI, ainda estamos reféns de gente que não consegue entender o presente, quanto mais fazer o que é necessário para conduzir o futebol latino em direção ao futuro.


Impressiona que, com o material que possuem nas mãos (um futebol jogado com amor, com qualidade, com suingue e com alma), esta entidade julgue como quem faz média com pequenos interesses ao invés de promover a qualidade do único campeonato capaz de concorrer com em audiência e qualidade com o futebol Europeu. Em termos de negócio, esta Conmebol será incapaz de desenvolver o maravilhoso produto que possui. Ou matará o futebol sulamericano como a CBF vem matando o futebol brasileiro.


Qual seria o motivo de tamanho erro? A total falta de compromisso com o que é certo, a cegueira, ou a incompetência? Ou será talvez que esta gente é tão fraca moral e tecnicamente que precisa agir de maneira a proteger sua posição de privilégio com pequenos favores a quem lhe sustenta?


O que parece é que nos querem para sempre reféns desse jogo, mendigando pequenos favores ao invés de justiça. Nos querem calados diante do absurdo. Mas não é dessa fibra que fizeram o Palmeiras. Nem é dessas migalhas que qualquer clube brasileiro ou sul-americano precisa viver.


Mal sabem as mentes minúsculas e covardes que sua frouxidão nos encheu mais uma vez de orgulho. Ao contrário de torcedores e jornalistas que defenderam o abandono da competição, o Palmeiras e seus atletas podem e devem lutar de cabeça erguida e apaixonadamente contra este abuso. Não é a primeira vez que nos colocam nesta posição, que somente nos engrandece.


O próximo e METAFÓRICO tapa deve ser na cara desse amadorismo! Quem não compactuar com esta presepada, como nós, estará representando a Justiça na Libertadores. E deve fazê-lo sem temer ou se decepcionar com os percalços do caminho. Porque a libertação do futebol sul-americano dessa vergonha ainda dependerá de duras batalhas. E só nos cabe lutar com tudo o que temos, sem jamais perder a dignidade.