O Palmeiras é o time dos acréscimos!

Deus! Abençoe esses corações alviverdes, porque eles vão precisar de muita saúde. Afaste o colesterol ruim, porque cada minuto acréscimo a batida do peito fica em suspenso como velho Palestra. Afaste de nós os árbritos mal-intencionados, que amarram os jogos em casa, expulsam os craques e fazem correr os jogos longe do nosso chiqueiro.


O Palmeiras não é só o time do amor. Nem apenas o time da virada. Pela segunda vez nessa Libertadores, a terceira na última sequência de jogos, o Palmeiras foi o time que não desisitiu e buscou até o final.


Num jogo catimbado e pegado desde os primeiros minutos, o Peñarol jogou de igual para igual com o Palmeiras. Bateu, provocou, catimbou. E jogou, prendendo muito bem a bola nos contra-ataques e chegando com perigo.


O Peñarol soube segurar o jogo e usar até a expulsão de seu técnico para fazer o relógio correr. E foi MUITO mais competente que o Palmeiras em aproveitar os espaços e chances que teve. O Palmeiras foi um time nervoso e ansioso, que no primeiro tempo chegava com qualidade apenas até a intermediária adversária. Nossa ineficiência foi punida no final do primeiro tempo com um gol em bola parada do catimbeiro Peñarol, que levou a vantagem para o intervalo.


Mas os astros na noite desta quarta estavam alinhados de um jeito incomum, bombardeando emoção nas arquibancadas do Allianz Parque. Quando todos torcedores pediam uma mexida no intervalo, com pelo menos Bastos entrando no lugar de Willian (o Mustache), Palmeiras e Peñarol voltaram a campo com a mesma formação.


Mas antes das cornetas ecoarem nos tímpanos de Baptista, o Palmeiras respondeu às energias que vinham dos céus, do espírito do velho Palestra e da arquibancada (me recuso a chamá-la de cadeiras). Em menos de 2 minutos criou a primeira chance. Aos 2, empatou o jogo em lance bizarro: cruzamento de pé canhoto de Fabiano, dividida de Edu Dracena na área, furada de Borja atrapalhado pelo seu próprio braço, e bola limpa para Willian empurrar para as redes.


Não deu nem tempo do Palmeirense otimista se pronunciar dizendo que íamos virar: aos 5 minutos, Borja foi fundamental ao escorar a bola para Guerra. O Venezuelano, que abusou dos passes curtos e pelo meio no primeiro tempo, não economizou na assistência. Mesmo na cara do gol, rolou para Dudu, melhor posicionado, tocar para dentro sem goleiro.


Gazeta Press
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Novamente com muito suor, o Palmeiras foi buscar os três pontos!


O que se viu então foi um festival de gols perdidos, e o Palmeiras complicando uma partida que poderia ser mais fácil. Não necessariamente nessa ordem, Borja perdeu um pênalti e Tchê Tchê quase fez, mas viu o zagueiro do Peñarol cortar em cima da linha (ou dentro do gol?) e mandar a bola no travessão. Nem a TV conseguiu explicar se a bola cruzou ou não a linha do gol.


O Peñarol ainda achou forças para empatar a partida em mais um lance de bola parada (uma de nossas principais qualidades em 2016, hoje uma de nossas principais vulnerabilidades). Em contra-ataque, Willian pôde definir o jogo. Driblou o goleiro e mandou a bola no travessão. A partir daí, o jogo virou uma loteria de tudo ou nada. O Palmeiras mandou-se ao ataque numa pressão desordenada. O Peñarol lutava por uma bola e teve a chance de matar o jogo em um contra-ataque quase no final.


Foi então que a catimba e o juiz resolveram aparecer. Cera, empurra-empurra, técnico expulso e os minutos se consumindo no relógio (e sendo reacrescentados pelo árbitro). Substituições demoradíssimas, irritando o escrete alviverde. Dudu, que apanhou e foi provocado o jogo todo, não suportou. Reclamou, levou amarelo, bateu palmas para o árbitro e acabou expulso. Não teve os nervos de aço que uma Libertadores demanda e, por seu nervosismo, irá desfalcar o Palmeiras na sequência da competição. O Peñarol aproveitou a deixa para iniciar mais uma confusão e consumir mais vários minutos, bem acrescentados pelo árbitro ao relógio.


Com aproximadamente 58 minutos jogados (e catimbados), o Palmeiras achou um gol em escanteio. O alto Fabiano, que se manteve titular mesmo com a recuperação do baixinho Jean, subiu mais que Dracena e que a defesa do Penãrol para mandar a bola pra rede, que caprichosamente ainda bate na trave esquerda e passa entre o defensor e a baliza, desferindo um verdadeiro tapa na cara dos uruguaios catimbeiros (com responsabilidade).


O Allianz Parque explodiu. Eu explodi, há mais de 10 mil quilômetros de distância. Quem não explodiu que me xingue no primeiro comentário. O Palmeiras foi de novo o time dos acréscimos.


Obrigado, Deus. Obrigado, coordenador científico, preparador físico, astros que energizaram essa noite e esse time. Um abraço carinhoso para João Dória, enviado direto por Felipe Melo. E um saravá com toda a negritude desse meu Brasil para o uruguaio que teria ofendido Felipe Melo com injúrias raciais. Jamais sorria antes do juiz apitar o final da peleja. Aqui é Palestra!