O Palmeiras não gosta de paz

O Palmeiras não gosta de paz, não é possível.


Quando, enfim, Cuca parece ter encontrado um caminho para o time no gramado, os bastidores vêm atrapalhar. Aliás, como falei nesse texto, acontecem muito mais lances decisivos nos bastidores do futebol do que nos campos.


“Não, eu não pedi perdão ao Cuca, não”, disse Felipe Melo, durante a entrevista coletiva de sua reintegração. Em seu perfil no Twitter, disse depois que não pediu perdão "apenas" ao Cuca, mas sim para todo o grupo.  


Era, mesmo, só o que faltava. O jogador chama o técnico de covarde e mau-caráter, há pouco mais de um mês, e é reintegrado sem pedir desculpas. Tal gesto era o mínimo. 


Fernando Dantas/ Gazeta Press
Fernando Dantas/ Gazeta Press

O olhar de Felipe Melo, durante entrevista coletiva de sua reintegração no Palmeiras


Visivelmente alterado durante a entrevista, Felipe retorna ao Palmeiras para terminar o que começou. Na visão dele, ajudar o time a se classificar para a Libertadores de 2018; na minha, implodir o ambiente.


Os motivos podem ser políticos, financeiros, jurídicos... tanto faz. Nada muda o fato de que a volta de Felipe Melo ao dia a dia do elenco é um erro ainda maior do que foi a sua chegada. Nem tanto pela bola, porque o volante sabe jogar, mas pelo temperamento.


Já era no início do ano. Fica ainda pior agora. Afinal, ele é o mesmo jogador de temperamento difícil de antes, com um irresistível magnetismo para polêmicas. Trazendo agora na bagagem uma briga com o atual chefe, que já declarou que o jogador não é bem-vindo, taticamente falando.


E, pelo lado pessoal, nem é preciso falar.


Felipe Melo é uma bomba-relógio. Que pode estourar no campo, no banco ou no vestiário, como aconteceu após a eliminação para o Cruzeiro na Copa do Brasil, no fim de julho.


A reintegração foi uma questão meramente administrativa. O prejuízo com uma rescisão seria alto. A pressão dos advogados do jogador, para que ele não treinasse em horários alternativos, também. O empresário do atleta jura que ele teve propostas para deixar o clube, e que não aceitou.


Vence Felipe Melo, que volta ao elenco. Vence Alexandre Mattos, o principal defensor do jogador, responsável por sua contratação e, em última análise, pelos prejuízos advindos dela. Vence Mauricio Galliote, que coloca mais uma estrelinha na sua ficha de conciliador e mediador de conflitos.


A não ser que tudo mude, e que Felipe comece a jogar como o técnico deseja, perde Cuca, que é quem tem, no momento, o cargo de comandante do time. Que é quem decide como o time deve jogar e quem deve fazer parte do grupo.


E, desse modo, perde o Palmeiras – ao menos enquanto Cuca estiver no comando. Mas isso já é assunto para outro texto...