Moisés, 'O Redutor'

Minha grande preocupação era que Cuca não fosse mais tentar uma nova ideia tática no Palmeiras. Que ficasse preso ao seu 4-3-3 com no mínimo seis jogadores sempre em quinta marcha, sem reduzir a velocidade do jogo. Mas ele me surpreendeu.


E tudo passa pela volta de Moisés.


Sim, Willian foi o destaque dessa grande virada por 4 a 2, com dois gols e uma assistência. Mas é Moisés quem está “freando” o time, com pinta de que pode, paulatinamente, reconduzir o Palmeiras a um jogo mais consistente.


Nessa sucessão de ritos de passagem em que sua volta ao clube se transformou, Cuca deve o sucesso no desafio no Choque-Rei, e sua sobrevida, em muito, ao seu camisa 10: “O Redutor”.


Sergio Barzaghi/ Gazeta Press
Sergio Barzaghi/ Gazeta Press

Willian comemora o seu segundo gol no jogo, o da virada


Moisés é aquele tipo de jogador que melhora o rendimento dos colegas. É o complemento perfeito para a verticalização de Guerra e a velocidade de Tchê Tchê. É o único, dentre todos os meio-campistas do elenco, que consegue jogar em todas. Quiçá, o único desse time que sabe reduzir a marcha de um ataque sem matá-lo, para pensar a jogada.


Com Moisés em campo, Thiago Santos volta a ser necessário em momentos pontuais, mas não no jogo inteiro. Bruno Henrique e Tchê, erros à parte, aliados ao poder de marcação e à orientação constante do camisa 10, parecem marcar melhor. Reparem como ele está sempre apontando aos colegas o posicionamento correto.


A partida não foi brilhante. Houve problemas, em especial na defesa, ainda que Dracena e Bastos tenham brilhado em lances de gols alviverdes. O meio-campo com quatro homens, dois volantes e dois meias, no entanto, funcionou muito bem - mesmo Guerra tendo jogado mais aberto pelos lados. Sim, requer ajustes, que virão com o tempo. Dudu também voltará a ter uma vaga. Mas a semente está plantada.


Oswaldo Oliveira, Marcelo Oliveira, Eduardo Baptista. Os três morreram abraçados aos seus esquemas, incapazes de pensarem alternativas. Cuca já tomou outro caminho. 


Por mais que diretoria e Cuca afirmassem, categoricamente, que não haveria troca no comando do time em caso de derrota, a realidade às vezes se impõe. Não saberemos mais, ainda bem, mas eu tinha certeza que uma derrota incontestável tiraria o emprego de Cuca.


A surpresa de aniversário veio, mas foi ótima. 


Cuca vive. E a temporada 2017, também.