Evite as surpresas de aniversário, Palmeiras

A última vez que comemorei no estádio um aniversário do Palmeiras foi em 2010. Naquele dia, Rivaldo e Tinga genéricos, além de Luan, Thadeu, Edinho e Ewerton, entre outros, deram a mim e a mais 13 mil pessoas, um chocolate: 0 a 3 para o Atlético-GO - Marcos, Valdivia e Felipão também estiveram naquele jogo.


Se, ao mesmo tempo, é um alento ver que já estão longe da Academia jogadores com a falta de qualidade dos citados acima, também é dureza constatar que, passados sete anos, com um estádio de primeira linha, dinheiro em caixa e um bom elenco, chegamos a mais uma data comemorativa um pouco “de mal” do Palestra. A vida é feita de dosagens de expectativa.u


Não precisa dar show, Palmeiras. Não precisa de goleada. E, em se tratando do São Paulo, vou até incluir: também não precisa de gol por cobertura. Para comemorar, com um pouco de paz, o seu aniversário de 103 anos, que você terá completado um dia antes, eu só quero que você vença jogando futebol no domingo.


Sergio Barzaghi/ Gazeta Press
Sergio Barzaghi/ Gazeta Press

Cuca observa bola, durante treino na Academia de Futebol


Esquisito pedir para um time de futebol jogar futebol? Palmeiras, eu e você sabemos por que eu estou dizendo isso. Faz tempo, né? Vamos considerar que aquele empate com o Cruzeiro, por 3 a 3, pela Copa do Brasil, foi seu último bom jogo? Mesmo assim, foi só por um tempo, na base da força e depois de uma primeira etapa ridícula. Talvez contra o Flamengo, no Rio?


Estava aqui pensando e essa é a maior frustração da temporada: o time não jogou bola neste ano. Não foram as eliminações, não é o Campeonato Brasileiro mediano. O que mata o palmeirense é ver um time como esse jogando NADA.


E o pior, é que o time até chegou a ter um esboço de organização com Eduardo Baptista, algo que Cuca não conseguiu ainda nessa segunda passagem. Eu não gostava daquele estilo de jogo, mas Baptista tinha implantado um esquema e os jogadores o seguiram por um tempo. Com pouca eficiência e brilho, mas seguiram. No fim, o time parecia estar involuindo. Mas houve um momento de organização.


Curiosamente, o melhor jogo de Eduardo Baptista pelo Palmeiras, e um dos melhores do time no ano, foi justamente contra o São Paulo, pelo Campeonato Paulista: 3 a 0, com sobras. Naquele dia, Dudu fez gol por cobertura. Guerra deixou o seu. E um meia, com a camisa 8, jogou muita bola e fez um golaço. Como era mesmo o nome dele? Tchê Tchê? Sumiu. Uma pena.


O Palmeiras tem o dever moral de jogar futebol neste domingo. Afundar um rival histórico, em vias de ser rebaixado, é obrigação para qualquer clube que se preze. É até sinal de respeito. Ainda mais para esse Palmeiras, em dívida com seu torcedor e com uma situação interna a centímetros de degringolar.


Escaldado por essa relação de quase 40 anos que nutrimos com tanto esforço, eu não ficaria nada surpreso se o Palestra me aprontasse mais uma surpresa de aniversário. Não seria a primeira vez. Evite, Palmeiras.