Palmeiras: é pior o choro da tristeza ou a apatia da resignação?

Passadas mais de 24 horas da eliminação, já é possível olhar para frente. A hora, Palmeiras, é de humildade institucional.


Mas antes de entrar nesse mérito, deixo no ar a pergunta: é pior o choro da tristeza ou a apatia da resignação? 


Vazio, não triste ou revoltado. Foi assim que me senti quando Banguera, do Barcelona-EQU, defendeu o pênalti mal cobrado por Egídio que eliminou o Palmeiras nas oitavas de final da Copa Libertadores na quarta-feira, dia 9.

As lágrimas não-choradas com o resultado me vieram bem mais cedo, por volta das 20h40. Minutos antes, eu tomava cerveja com amigos em um bar que virou nosso ponto de encontro pré-jogo. Descemos juntos, pela Rua Cotoxó. Na Venâncio Aires, nos separamos. Eles foram para a direita, na direção da Rua Palestra Itália. Eu virei à esquerda, no rumo da avenida Pompeia, para chegar ao portão de acesso do setor Superior Norte, pela Francisco Matarazzo.


SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press
SERGIO BARZAGHI/Gazeta Press

Jailson, após defender o pênalti que levou a disputa para a série alternada


Ali, naquele quarteirão escuro, um nó se formou na minha garganta. Contê-lo, me dificultou a respiração. Tive de deixar a primeira lágrima escorrer para seguir em frente. Tentei me convencer de que estava chorando de emoção pelo jogo decisivo e tal. Não era.

Façam terapia, amigos. Fica muito mais difícil mentir para si mesmo, uma vez que você começa a se conhecer de verdade. Eu sabia que estava chorando porque o Palmeiras ia ser eliminado, por mais que tentasse me autoenganar.

Não era um choro de tristeza porque a derrota iria acontecer, mas sim porque ela iria ser justa, independentemente do que acontecesse no jogo. O Palmeiras errou todo o seu planejamento para a temporada. Pode-se até obter uma grande conquista com um time ou elenco limitado. Mas nunca vi alguém ganhar uma Libertadores com um planejamento malfeito. E, infelizmente, o clube errou seu plano para este ano.

O Palmeiras perdeu essa classificação há muito tempo.

Também não vou entrar no mérito da saída do Cuca. Informações deram conta de que ele se afastou para cuidar da esposa a tratar uma doença grave. Mas é evidente que o hiato da filosofia cuquista, ocupado por Eduardo Baptista, foi o grande problema do Palmeiras na temporada.

A troca de treinador fez com que o time abandonasse a proposta de 2016 e a diretoria trouxesse jogadores que Cuca não aprovaria. A começar pelas duas maiores contratações: Borja, um centroavante sem mobilidade e pouco inteligente taticamente, e Felipe Melo, um volante falastrão e lento para o estilo de jogo do time vencedor na temporada anterior.


Alexandre Mattos e Maurício Galliote, a ordem dos nomes não é essa ao acaso, precisam repensar o que fizeram neste ano. As críticas ao “quanto” foi gasto na montagem desse elenco, a meu ver, são menos importantes do que ao “como”. Mais do que gastar muito, o Palmeiras gastou mal. Dizer que é um absurdo o Egídio ser o melhor lateral-esquerdo desse elenco é chover no molhado, por exemplo.


Assim como o é dizer que o Palmeiras tem de catar os seus cacos e encarar o restante de Campeonato Brasileiro como fez no ano passado, lutando pelo título. Pouco importa a pontuação do Corinthians. O Palmeiras tem 19 rodadas para fazer o melhor turno de sua vida e ganhar corpo para 2018.


Para que no ano que vem, as nossas lágrimas sejam por vitórias ou por derrotas no gramado, nos 90 minutos, nos pênaltis, no calor do jogo. E não apenas por constatação, num canto escuro da Vila Pompeia, antes mesmo de a bola rolar.