60h de ônibus, portões fechados e um sonho de Palmeiras

Maderson planejava vir a São Paulo há muito tempo, já que só havia assistido ao Palmeiras de 2008, lá em Teresina. Tentou durante meses uma forma de convencer a mãe a deixá-lo viajar 60h pra ver um jogo em casa, mas todas as tentativas foram em vão. Argumento de mãe sempre vence, sabe? Aquele famoso, o "não".



“Mas nunca que você vai a São Paulo, brigou que só” - imita o piauense.



Acontece que algum tempo depois surgiu um concurso na área jurídica, a mesma de sua formação. Pensando na desculpa perfeita que ainda não tinha aparecido, agora era a hora de mascarar o encontro com o verde em forma de estudos.



"Eu tinha 200 reais, liguei pra minha avó, disse que precisava ir pra São Paulo e que faltava 50 reais para eu viajar. Ela disse: claro, meu filho. Comprei a passagem e fiquei esperando o dia, quase não dormia mais esperando esse ônibus”.



Ele chegaria na véspera do jogo contra o Grêmio no Pacaembu, mas a saída do ônibus em Teresina demorou duas horas. Como se não fosse o suficiente, um acidente na Dutra, de três horas, impediu a chegada a tempo no estádio. AS 60 horas se multiplicaram.


Como o ócio dentro de um ônibus alimenta a esperança, Maderson usou seu penúltimo dia para tentar realizar o sonho de conhecer o Palestra, mas deu de cara com o portão fechado. E comigo. 


Sem boas notícias, ele escostou em um carro e disse que não poderia ir embora daquele lugar, que não era possível que teria que voltar sabendo que chegou tão perto e não pôde sentir a emoção de fazer parte daquele espaço. Daquela torcida


Mas as coisas foram muito mais legais (e inesperadas) do que ele havia planejado. 


Os vídeos contam tudo! ;)


Uma coisa eu sei: se tem um amor (talvez o único) que resiste a distância, é o futebol.


Parte I - Encontro na frente do Allianz Parque/Academia de Futebol:



Parte II - Maderson conhecendo o estádio: