Palmeiras: o time que a gente carrega nas costas

A matemática do futebol é a nossa tortura semanal. Rodada após rodada somamos os pontos, diminuímos a diferença mentalmente e tentamos adivinhar os resultados futuros na expectativa de que mude a ordem da tabela. E seria fácil lidar com a parte exata do problema, se não fosse a inconstância de um time que aprendeu a bater no peito antes de suar a camisa (frase bonita de um amigo gênio), a tal da soberba.


Instável e vexatório, com possibilidades de apresentar o futebol medíocre mais caro do país, nunca sabemos qual Palmeiras vai entrar em campo. Um time que nos leva ao auge do otimismo dentro de casa e acaba com todas as nossas esperanças diante de várias apresentações perdidas no campo adversário. Tá uma bagunça, meu amigo.


Como saída, inventamos mentiras sinceras que amenizam a situação: tem que dar tempo ao elenco, jogadores estão machucados, o mesmo time nunca joga junto. E, assim, vamos ao sétimo mês do ano, após a contratação de um time novo inteiro que não rende. Entre comentários despreocupados sobre priorizar uma competição, começa surgir a incerteza. Ninguém mais acredita fielmente em uma taça.


Iludidos somos nós, superestimados são eles.


Gazeta Press
Gazeta Press


Fomos exaltados por todos e, acostumados com o receio, compramos um discurso que não condiz com o que somos. Neste processo, fica ainda mais notória a auto-estima claramente danificada por parte de nossos adversários que desde o início do ano buscam brechas em nossos comportamentos, para exaltar falhas, como uma vitória pessoal que se transmite por dedos frenéticos em teclados do celular e olhos atentos até o fim de nossas partidas. Querem nos ver derrocar.


Entre perdas comuns para o predatório calendário brasileiro, o Palmeiras se supera: seis de nossos jogadores mais importantes já se tornaram baixas durante o ano.


A parte mais cruel se apresenta enquanto celebrávamos um elenco grande e plenamente capaz de substituir qualquer perda, até ele se revelar ideal apenas no papel. Indo pelo mesmo caminho, a interrupção no trabalho de Cuca se mostra cada vez mais letal para um ano vitorioso, já que a tranquilidade de um elenco bem montado, não desfeito, se tornou um cenário caótico em início de temporada.


Como se não bastasse, alguns dos jogadores mais decisivos para a base do time campeão despencaram de rendimento e parecem ter se perdido em um caminho sem volta, bem distante de um bom futebol. De quem é a culpa? Talvez o problema seja exatamente tentar encontrar um culpado, quando o todo está errado.


Feridas expostas, resta nos apegar ao que o Palmeiras tem de melhor: nós mesmos. Um ano de invencibilidade em casa se explica diante da torcida que mantém uma média de público muito acima do que o cenário brasileiro apresenta de forma generalizada.


Um três a zero se torna abatível a partir do momento em que se joga em um coletivo pleno, sem distância entre campo e arquibancada. É quando se fazem os momentos de Palestra Itália. Esse time, aparentemente, não joga sozinho. Só corre pela bola quando corremos junto.


Para um time sem alma, uma torcida que tem de sobra.


Fora do nosso controle, seguimos esperando pela ressurreição de um grupo que se perdeu no fim de 2016.


Por enquanto, em nome dos que nos fizeram e dos que nos trouxeram até aqui:


N Ó S Q U E R E M O S G A V I Ã O!