Allianz Parque: aqui visita não abre a geladeira

Poucas são as coisas que separam o épico do desastroso, já que o futebol se faz contagiante por estarmos sempre flertando com o risco. Mas a principal delas é o otimismo.


O gol é tão desejado porque dentro das regras do esporte existem vários motivos para que ele não saia. Diferentemente dos amplos placares das outras modalidades, a gente suplica por meio balançar de rede para ter uma noite feliz. Mas passamos a reclamar tanto, em todos os momentos, que nos esquecemos do tamanho do prazer da palavra mais importante do nosso dialeto futebolístico (e a primeira que uma criança aprende quando chuta a bola pela primeira vez): gol.


(como é gostoso esse negócio)


Nos últimos tempos temos deixado de ser torcedores para dar lugar aos técnicos de arquibancadas (nós mesmos, no caso). Abrimos mãos de cantar para dizer quais seriam as mudanças mágicas que resolveriam a situação. Desgastante.


É por este caminho que o Palmeiras quase parecia reconstruir a sua identidade entre clube e torcida no ano. Entre milhões, contratações e pedestal, era difícil admitir que não éramos mais os mesmos dentro do estádio (mesmo que lotado). A essência que nos fez Palmeirenses, pisando na arquibancada, não se fazia mais presentes nos jogos. Faltava algo.


Até ontem, quando assinamos, sem tempo de ler, um contrato de sofrimento para nunca nos esquecermos de quem somos (como se a Libertadores já não tivesse sido o suficiente até aqui).


Virar a partida contra adversário que se apresenta frio e fatal, ainda no primeiro tempo, é um cenário desanimador. É o risco de se expor demais e tomar o contra-ataque, como a escolha de engolir aspirina sem água. Incômodo.


Mesmo com minutos iniciais envolventes, aconteceu três vezes.


Gazeta Press
Gazeta Press


São nos segundos entre o silêncio devastador dos ingressos esgotados e a mão na cintura de um jogador no último gol adversário que o Allianz Parque se transforma. Com todos os motivos para ir embora, ninguém sai do lugar. Voltamos para 2015, no mesmo campeonato, e repetimos o ato de levantar o time da arquibancada. Eu vi a arquibancada voltar ao que tinha deixado de ser.


A conta otimista é muito básica pra mim: a capacidade de um time de reverter o placar no mesmo tempo em que o outro fez, é inversamente proporcional. Esse pensamento sempre me faz ficar.


Reclamamos de jogadores que correm de costas para o lance. Quem seríamos nós se virássemos as costas para o Palmeiras?


Todos os setores se colocam em pé, os delays irreparáveis dentro do Allianz Parque entram em sincrônia e o barulho avassalador da torcida, em sintonia, depois de tanto tempo, comanda um segundo tempo imponente - junto aos pés do nosso Capitão.


Quando já não existia mais voz, uma certeza: a lei do ex é realmente implacável. 


Gazeta Press
Gazeta Press


O sorriso no meu rosto e de todas as outras pessoas que estavam lá era uma completa tradução do que acontece quando abraçamos o futebol.


É assim que se quebra a defesa de um time e os expõe vergonhosamente para a sua torcida: quando nos tornamos capazes de esconder o baque, blindar os que estão em campo e preencher o estádio com a nossa voz, acabando com qualquer chance de reação.


Já não havia mais leveza no semblante do técnico retranqueiro adversário. Era o desespero no olho do inimigo que pisou no campo errado: e nós sabemos jogar com isso.


Gazeta Press
Gazeta Press


Paramos quando atingimos a linha da obrigação, porque a sensação de alcançar o inimaginável é maior do que o psicológico de vencer. Depois do empate poderia ter vindo a virada e a garantia, mas concordamos com resultado final.  


3x3 parece ruim para você com o regulamento na mão? Para mim, hoje, sem voz, parece ótimo!


Não é para casa que corremos quando as coisas ficam difíceis? Olha, ontem corremos. 



 

Respira, verde! #invencibilidade #nostracasa @gourmetsports_oficial @indexassessoria


A post shared by Maluf 🐷 (@luanamaluf) on





Voltem sempre, mas aqui visita não abre a geladeira. Só se serve do que a gente oferece. E na noite passada o cardápio estava um pouco amargo, nossas desculpas.