Palmeiras: na volta, eu quero é ver comer grama

Nota: eu nunca escrevo depois do jogo por não ter maturidade emocional, mas hoje não teve como. 



"Bora focar na Liberta, pensar grande" - alguém comentou.



Não existe distinção nos sentimentos entre derrotas, para mim. Em fase decisiva de campeonato, independentemente de qual seja ele, o incômodo é igual. "Perder aqui tudo bem, ruim seria perder naquele lá?" Não. Eu quero ganhar. A diretoria do meu clube e o patrocinador investiram quantias milionárias para montar um time competitivo e campeão, nos exaltamos desde o início do ano sobre ter um elenco bom o suficiente para jogar várias competições e ser agressivo em todas elas. Por que lidamos com o futebol estabelecendo pesos para justificar os fracassos?


Durante os 90 minutos em que a partida se arrasta, nenhum torcedor se levanta, desliga a televisão e diz: bom, agora o que importa é a Liberta. Porque isso é uma auto justificativa para não se abalar, para manter um ar de superioridade desnecessário e encobrir falhas gritantes e absurdas dentro de campo.


O que eu quero (e preciso) entender, é como, dentro de uma semana, um mesmo time tem uma postura completamente diferente ao iniciar um jogo. Na última quarta-feira, um grupo incansável se apresentava ao jogo. Não importaria quantas bolas deixariam de entrar, porque até o último segundo eles tentariam colocar todas as outras pra dentro. Impossível era encontrar um jogador andando em campo. Eles corriam, marcavam e atacavam com tanta intensidade que era difícil acompanhar da arquibancada. Aos 54, a resposta, porque a insistência garante o perigo e a sensação de que o gol virá.


Hoje, um Palmeiras omisso o suficiente para criar teorias conspiratórias na nossa cabeça.


O problema não é perder para um time que mantém boa vantagem em cima de nós, há 6 anos. Uma equipe que apresenta bom elenco e organização: seu centroavante é artilheiro no campeonato, seus laterais são velocistas, Lucca e Clayson são ótimos jogadores.


Mas nosso elenco é superior. Diferente do Palmeiras, a Macaca sabia pelo que estava lutando, quis entrar em campo para acabar com o jogo, serviu-se das nossas fragilidades e as expôs sem a menor cerimônia. 


Gazeta Press
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Será a vontade um sentimento seletivo? Dedicação é quando convém? Entrega é só por uma obsessão? 


A resposta para todos os questionamentos virá no jogo de sábado, quando o Palmeiras entrar em campo e mostrar se a cabeça está ali, na impossível virada, ou se já pegou o avião e foi para o Uruguai.


Eu quero é ver comer grama, correr até faltar o ar e bombardear o goleiro adversário. Prova de fogo. Porque é mais do que jogar aberto e explorar os bons nomes do nosso meio de campo e ataque. Vai ter que defender como nunca. Defender algo muito mais importante do que um gol: a nossa honra.


Estarei lá.


lembrança mental para manter a positividade: ano passado precisávamos fazer 3 gols em casa contra o River, fizemos 4.