11 vezes em que o Palmeiras quase nos matou do coração contra o Peñarol

São 18 anos desde o nosso título na Libertadores e existe um motivo para todos os times brasileiros passarem um no inteiro tentando se classificar para o campeonato: ele é diferente. Não à toa o "prêmio" dos campeonatos nacionais mais importantes é justamente se classificar diretamente para a competição.

A arbitragem mal-intencionada, altitude, péssimos gramados, catimba irritante e noites kamikazes são os ingredientes que personificam um campeonato que poderia ser só mais uma taça especial. Com infinitos pontos ruins que podemos passar o dia discutindo, uma coisa é fato: todos querem estar ali.

Ou você já ouviu alguém dizer: nossa, hoje acordei com uma vontade de jogar a Sul-Americana?

Para mostrar como é uma noite de Libertadores: 11 momentos em que o Palmeiras testou o nosso coração nesta quarta. 


1. Começar perdendo em casa de 1x0 para um time muito mais fraco e arriscar, mentalmente, fazer as contas da classificação.
"Não é possível que vai ser igual ao ano passado."



2. A certeza de que o gol sairia. Mas não saiu. 
Estamos na Champions League? 



3. Empatar o jogo no primeiro minuto do segundo tempo, fazendo a torcida acreditar que ainda dá pra vir uma goleada (quase veio).
Olha. O. Fabiano.



4. Alguns minutos depois, com ímpeto indiscutível, lá vem o Fabiano de novo. Palmeiras vira o jogo no início do segundo tempo.
“Abriu a porteira”, alguns falam (coitados).



5. Ter a oportunidade de abrir 3x1, mas perder o pênalti nos pés do jogador (e matador) mais caro do time.
"Meu Deus, são 33 milhões. Esse gol vai fazer falta" (não, não vai).



6. Todo goleiro contra o Palmeiras poderia ser apelidado de "Muralha" e, como não se não fosse o suficiente, ainda tem os soldados suicidas. 
"Ele defendeu essa bola com a cara? Não é possível". 



7. 15 gols perdidos depois, a lei do futebol decide calhar: quem não faz, toma!
"2x2, agora já era, como a gente é iludido".



8. "Agora vai, agora vai, agor..."
(E lá se vai a nossa vitória...)



9. Como se já não bastassem os 50 minutos de catimba, empate doloroso, nosso capitão é expulso por... Alguém sabe explicar? 
"Dudu, vou te dar um cartão aqui por querer cobrar a falta rápido demais".



10. Fabiano praticando a ilusão desmedida em nossos corações.
"Não é possível que não vai sair esse gol."



11. O gol, o êxtase, popularmente conhecido como: tapa na cara de uruguaio.
"Fabishow é o nome dele".  



Quando o goleiro adversário buscou a bola do Fabiano no cantinho e conseguimos o escanteio, todos sabíamos que era a última bola do jogo.


Eu nunca deixei de ver um gol na minha vida, nunca virei de costas para um pênalti, mas dessa vez eu disse aos meninos que, se olhasse, o Palmeiras não faria. Instinto. Bobagem. Agachei, apoiei a cabeça na cadeira verde e torci para ouvir uma explosão nos meus ouvidos. Era crença, nada além disso. Eu só queria uma bola.



“Saiu o gol, a gente se olhou e pensou: ué, cadê a lulu? Olhamos pra baixo e você tava lá agachada. Tivemos que pular em cima, óbvio.”



O estádio explodiu, eles pularam em mim e eu só ouvi:


- Luana, Luana! Foi o Fabiano. Você não vai acreditar. Foi o Fabiano.


Foi ele. Na última bola que eu pedi. Ele não calou o Allianz Parque, só nos deu mais voz do que nunca.


Esse é o inabalável Palmeiras, que renasce a cada bola pelo desejo de ganhar. E essas coisas todas só aconteceram porque é a Libertadores, com seus defeitos, desorganização e despreparo profissional. É o campeonato que nos leva de volta a raiz do futebol e diz: joguem no limite da regra. E do psicológico.

Sim, é terra de ninguém. Mas não é demérito algum ser apaixonado por isso.