Diante da soberania, a realeza tem 1,67m

Destino, sorte, sina. Fatalidade. Aquela a qual todos estamos sujeitos a passar. Na semana que antecedeu o clássico, a incerteza palmeirense continuava rondando nas nossas cabeças. Empate fora de casa que, tantas vezes fora o suficiente para satisfazer um visitante, não pareceu agradar a massa que insiste em caçar problemas em um time que tem se mostrado cada vez mais preparado para as pelejas do ano. Os mais pessimistas já declaravam que, em caso de derrota, não haveria perdão para Eduardo Baptista. Blasfêmia! Os que se mantêm confiantes optaram por blindar suas expectativas e buscar contra-argumentações internas, como dizer que estaríamos com o time misto e que uma possível derrota não era de todo o mal, já que deveríamos nos poupar para Libertadores.


Mentiras sinceras nos interessam. 



Como toda teoria cai na hora da partida, nos fizemos presentes em campo como quem aceita entrar na guerra. Sem kamikazes, morte súbita ou iscas falhas. Apenas inteligência e sangue frio. Não eram dois lados iguais em uma tentativa dramática de desempatar a partida. Eram os dois lados opostos de um muro que, hoje, separa a expõe uma clara desigualdade política, econômica e ideológica. Uma guerra tão fria quanto o tapa de Dudu na bola. O suficiente para explodir o Allianz Parque em um grito quase patriótico e derrubar os olhos do líder adversário diante do campo, como quem reconhece seu ponto fraco. Habitualmente fraco.


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Entre as armas nada secretas, a camisa 8 oxigena o restante da equipe e abusa do poder da canhota, como quem diz: alguém pensou que eu ficaria no banco? Durante tempos em que se joga para a televisão, Tchê Tchê vende o espetáculo a olho nu. Enquanto o futebol se omite, jogando no campo defensivo e insistindo em dedicar-se apenas a evitar uma derrota, a audácia que, muitas vezes, não parece ser rentável, inspira o meio campo do Palmeiras quando o jogador se faz presente. Incansável. Preciso.


Algumas vezes na vida derrubamos muros, invadimos territórios e atacamos sem culpa, como poderia ter feito Michel Bastos em sua chegada. Mas ele optou por bater na porta, pedir licença e esperar a sua vez. Disciplina, dedicação e a vontade de ser um dos nossos. Contagiante.


É o risco que se corre ao perder um bom jogador. Talvez ele dê o melhor de si em outro lugar. 


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Sábado irretocável para a história, requintes de crueldade e balas disparadas das mãos de um venezuelano para todos os lados. Deixamos tudo em campo, principalmente a certeza de que escolhemos continuar gigantes, ainda que pelos pés do nosso meia-atacante de 1,67m.



(fechem os olhos e escutem) 


Em um clássico de um único time em campo, a única derrota é não poder receber nosso adversário na arquibancada de casa.


Se me mandam buscar os 3 pontos, então eu o farei. É assim que se empolga, Wesley?



Sou uma pessoa de palavra e, por isso, gostaria de dedicar o texto ao querido amigo Caique Toledo - do SPFC Da Depressão (e que depressão, parceiro!).