Willian, a gota de lucidez do Palmeiras no oceano de loucura do Choque-Rei

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Artilheiro do time em 2017, Willian foi decisivo para a virada no Choque-Rei


Foi sofrido, suado e, em alguns momentos, irritante, mas o Palmeiras venceu o São Paulo por 4 a 2, manteve os 100% de aproveitamento em Choque-Reis disputados no Allianz Parque, fechou com chave de ouro o fim de semana de seu 103º aniversário e segurou a quarta posição no Brasileirão, agora a "só" 14 pontos de um titubeante líder.


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Willian Bigode consolidou sua artilharia do time na temporada, com 15 gols, e no Brasileirão, com cinco. E foi, acima dos gols, um raro ponto de lucidez em um Palmeiras ainda atabalhoado, que está se conhecendo em pleno mês de agosto e que sofre com a falta de ideias no ataque e com buracos clamorosos no setor defensivo.


Lá na frente, diante de um SPFC com uma defesa fraquíssima e enfiado até o pescoço na lama do rebaixamento, o Palmeiras até tentou jogar com alguma inteligência com o jogo ainda 0 a 0, mas a falta de entrosamento provocava sempre um erro no último passe e o fim prematuro da jogada - que eventualmente vinha com um cruzamento desnecessário de Jean ou Michel Bastos.


Lá atrás, o Palmeiras correu atrás dos atacantes são-paulinos em praticamente TODAS as ações ofensivas do rival. Não sei se é má forma física ou opção tática, mas nossos defensores dificilmente antecipam uma bola - estão sempre se postando para tentar alcançar o adversário. O caos. No lance do primeiro gol, Pratto teve um espaço de pelo menos 5 metros para dominar e achar Marcos Guilherme livre entre Edu Dracena e Luan, que não sabiam se iam para o combate ou se esperavam para cortar; a cochilada se repetiu na bola na trave. O segundo gol deles saiu na bilionésima falha pelo alto de 2017, cuja sobra resultou em Hernanes livre para fuzilar Prass.


A coisa só não foi pior pela lucidez de Willian. No primeiro gol, teve calma para esperar a falha de Edimar no cruzamento, em vez de pular para uma cabeçada ruim. No segundo, passou por Jucilei e, ajudado pelo corta-luz de Michel Bastos em cima de Buffarini, acertou um tirambaço que manteve as tradições de cobertura no clássico.


No segundo tempo, com o placar empatado, o Palmeiras de novo tentou jogar com alguma inteligência, mas parou sempre em erros de passe, tanto que Sidão só fez uma defesa, no chute de Deyverson, enquanto nós quase arrancamos os cabelos quando Rodrigo Caio felizmente deu na orelha da bola e Hernanes chutou para fora.


Então, numa raríssima antecipação certeira de Dracena, nasceu o ataque do terceiro gol, passe bem dado de Deyverson para Keno. E aí pudemos começar a respirar aliviados. Já nos acréscimos, o belo lançamento de Tchê Tchê encontrou Willian, que serviu Hyoran para fechar o marcador e garantir alguns segundos de tranquilidade num clássico agitado.


Um dos objetivos restantes de 2017 já foi alcançado, ajudar a empurrar o SPFC para a Série B. Falta agora vencer em Itaquera, terminar entre os quatro primeiros e encontrar um time. Acima de tudo, um time que saiba jogar de forma inteligente e mais compacta, que não sofra tantos sustos na defesa e que possa cruzar menos e tabelar mais. Ainda faltam 1.420 minutos, sem acréscimos, para o Palmeiras ficar pronto para 2018.