Palmeiras vence e respira, mas ainda precisa se achar

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

A cara de alívio de Roger Guedes após o gol de pênalti ilustra bem o jogo deste domingo


O placar de 4 a 2 é enganoso: qualquer que tenha visto a íntegra da vitória do Palmeiras sobre o Vitória, nesta manhã de domingo, sabe que o time teve apenas 10 ou 15 minutos de bom futebol, flertou bastante com o risco de mais uma derrota e contou com a ajudinha do juiz para conseguir empatar a partida no primeiro tempo. O importante, apesar da atuação apenas nota 6, foi ter saído com os três pontos e tirado o peso da sequência ruim.


(Pronto, lá vem o “AH MAS O JUIZ ATRAPALHA SEMPRE QUANTOS PÊNALTIS NÃO DEIXARAM DE MARCAR E VOCÊ É UM GAMBÁ INFILTRADO BLABLABLA”. Não, cara, não sou um corintiano infiltrado, leia ali em cima, eu sou palmeirense desde os tempos que o juiz ajudava a gente sem querer fazendo tabela com o Jorginho Pé Frio. Só é um fato. Domingo passado o juiz não deu dois pênaltis pra nós contra o Cruzeiro quando o jogo ainda estava 0 a 0. Hoje ele deu um pênalti inexistente quando o Vitória ganhava por 1 a 0, é tão duro assim admitir?)


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O jogo começou a todo vapor e Guerra quase marcou com 15 segundos. Depois, o Palmeiras teve mais dois ou três ataques sem sucesso e, no primeiro erro, na primeira vez que a defesa precisou aparecer, tomou o gol, num chutaço de Uillian Correia em mais uma cagada coletiva: Felipe Melo errou o passe e não cortou a bola, Edu Dracena não conseguiu cobrir e Mina ficou olhando. É injusto criticar o Prass num lance em que o cara arranca sozinho e acerta uma patada à queima-roupa a mais de 100 km/h, mas sempre tem oportunista pronto, né? (Até o comentarista da concorrência disse: “Tudo o que vai entra”.) 


Mas o fato é que, de novo, saímos atrás e um deserto de ideias e inteligência se instalou. Durante a maior parte do primeiro tempo, as únicas jogadas do Palmeiras eram o chuveirinho na área, de olho numa cabeçada ou num pênalti. Num deles, Mina se embananou com Wallace, caiu e o juizão (atrapalhado pelo “porra” do juiz de fundo, como disse outro dia Roger Guedes) caiu na dele. Guedes bateu bem e garantiu o empate e alguma tranquilidade. Já no finzinho, na única tentativa decente de tabela com a participação de Guerra, Dudu virou o jogo, num lance em que a defesa do Vitória errou - ou podemos dizer: no único lance em que o Palmeiras atacou com o mínimo de inteligência e induziu a defesa adversária ao erro.


Sejamos justos: durante boa parte do primeiro tempo Cuca gritou com Guerra pedindo que ele tabelasse mais. O problema é que ninguém se aproxima, e o venezuelano acaba tendo que cair pelas pontas para tocar a bola, o que é um desperdício.



Ai veio o segundo tempo e, com a vantagem, se esperava um Palmeiras mais tranquilo, cadenciando a bola e tentando matar o jogo nos contra-ataques. Foi o que aconteceu até mais ou menos 15 minutos, com algumas jogadas e chances perdidas. Então o Vitória se lembrou de que estava perdendo e resolveu vir para cima. E, como toda vez que nossa defesa tem sido pressionada nos últimos tempos, foi um Deus me livre geral, com direito até a bola na trave do Wallace e um gol feito perdido por Neilton num lance que começou com uma entregada de Mina para André Lima (!!!) que lembrou as gloriosas defesas colombianas dos anos 90.


Então, quando a vaca parecia estar no rumo do brejo, Cleiton Xavier errou um passe, Dudu puxou um contra-ataque sozinho contra dois e, depois de Willian perder um gol feito, Mayke marcou o terceiro. A essa altura Cuca já tinha sacado Guerra para colocar Michel Bastos, acabando de vez com o pouco de inteligência e retenção de bola no meio-campo. Ok, Guerra não estava mesmo num bom dia, mas por que é tão difícil para Cuca colocar Raphael Veiga num jogo desses? Michel ainda calou minha corneta e deu o passe pra Dudu fazer o quarto gol.


Ainda deu tempo de Dudu sair aplaudido para a entrada de Borja, que quase fez um golzinho, mas não serve para um jogo de contra-ataques (seria melhor ter colocado Keno), e do Vitória fazer um golaço com direito a chapéu e, de novo, visão privilegiada de nossa defesa. Fosse o time baiano melhorzinho e poderíamos ter tomado um calor nos minutos finais, mas vencemos e isso é o que importa em primeiro lugar. Quarta-feira tem o Flamengo, e que Cuca saiba armar o time para jogar com mais inteligência, porque será bem mais complicado.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Dudu fez dois gols e foi o destaque individual de um time ainda bastante confuso