O dérbi foi um 7 a 1 moral, e o Palmeiras não foi a Alemanha

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

As tentativas de Dudu pelo alto são uma das caras desse Palmeiras burro no dérbi


Foi uma vergonha, uma humilhação. O milionário elenco do Palmeiras se comportou como um bando e foi humilhado pelo Corinthians no dérbi desta quarta-feira. Não só o sonho de vencer o Brasileirão foi definitivamente destroçado como até mesmo a expectativa do que esse time pode alcançar nas outras competições do ano fica abalada na cabeça do torcedor. O 2 a 0 no placar é um mero detalhe: moralmente, foi um 7 a 1. E nós não fomos a Alemanha.


"Ah, mas o Corinthians só chutou três vezes a gol", alguém vai dizer, e acusar os rivais de "sorte". Eu prefiro chamar isso de competência – a mesma, aliás, que nós mostramos contra eles mesmos no ano passado, no segundo turno, lá em Itaquera. Ou no jogo de ida da Libertadores em 99, aquela em que Marcos fez defesa até com as costas e nós chutamos três bolas no gol, fazendo 2 a 0.



O Palmeiras jogou de maneira completamente burra. Tomamos o primeiro gol num pênalti idiota, fruto de uma falha individual de Bruno Henrique, e o segundo num contra-ataque imbecil proporcionado por falha coletiva: Tchê Tchê viu Arana passando por suas costas, gritou para Mina, mas nem ele nem Dracena chegaram. 


Enquanto isso, no ataque, a burrice continuou a imperar. Contra uma defesa boa no jogo aéreo, o time cruzou QUARENTA E OITO bolas na área rival. Ficamos por mais de 60% com a bola e Cássio não faz uma mísera defesa. Terminamos o jogo com Borja como ponta-de-lança, Mina centroavante, Roger Guedes e Tchê Tchê nas laterais. Fomos incapazes de acertar uma tabela, uma triangulação, uma troca de passes inteligente. Ou cruzamos ou chutamos de longe, sempre sem nenhuma eficiência. Um cruzamento que Dracena não alcancou foi o máximo de perigo que levamos. Coletivamente, o time não existe. Individualmente, todos foram mal, principalmente porque esqueceram que futebol é um jogo de equipe e o tempo todo tentaram resolver sozinhos.


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Sinceramente, não sei o que Cuca deve fazer. Claro, ele deve acertar o time, fazer com que os jogadores se entendam, joguem com um mínimo de inteligência. Como, porém, é o problema, a falta de tempo, jogos no meio de semana e tudo o mais. A velha desculpa esfarrapada. Achei que clubes investissem para jogar e conquistar títulos, em vez de reclamar do excesso de jogos. 


Já que o Brasileiro foi para o saco, reitero a sugestão de domingo: arrume um time que seja o titular para a Libertadores e que se dedique a treinar e se entrosar, jogando partidas pontuais pelo Brasileirão, e escale reservas nos demais jogos. Dê a camisa para Hyoran, Raphael Veiga, Léo Passos, Iacovelli, aposto que jogarão pelo menos com garra e dignidade. Se a Libertadores é obsessão, que levem isso a sério, até porque, pelo visto, será a única maneira de salvar a temporada.


Tem a Copa do Brasil, claro, mas o time, a comissão técnica e a diretoria já deixaram claro que estão cagando para ela, e além disso alguns jogadores que chegaram depois não podem jogar nela, então ali a coisa vai ser mais ainda no Deus nos acuda e não duvido de todos encarem uma derrota no Mineirão como bem-vinda, o que seria uma mancha na história do clube. 


O 2017 do Palmeiras virou uma roleta russa, só que mais difícil, porque só uma cavidade do tambor está vazia. Cuca vai ter que pensar muito bem antes de atirar. Haja doidice.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
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