Palmeiras se destruiu e já jogou fora o Brasileirão de 2017


O Palmeiras jogou o Brasileiro de 2017 no lixo de vez neste domingo, com a derrota por 3 a 1 para o Cruzeiro, após mais uma atuação medonha do time sob o comando do Gênio Divino da Calça Vinho Que Não Pode Ser Cobrado Porque Ainda é Cedo e Não Tem Tempo de Treinar, Coitado. A 13 pontos do Corinthians, tudo o que podemos fazer agora para manter a dignidade até o fim do ano é vencer os clássicos que restam, tentar atrapalhar os rivais em suas lutas por título ou contra o rebaixamento e planejar 2018 para que as coisas funcionem desde o começo do ano.


O time repetiu contra o Cruzeiro um filme que já vimos várias vezes neste ano. Faz um começo razoável, com algumas chances desperdiçadas, é prejudicado pela arbitragem sem que nada aconteça, depois toma um gol provocado por um conjunto de falhas e desaba. No caso de hoje, ainda acabou levando outro gol num lance de pura sorte dos mineiros e, no segundo tempo, depois de um gol e alguma pressão, o time volta a cair de produção, não cria nada e desta vez ainda foi castigado com um terceiro gol para não restar dúvida sobre a inferioridade mostrada em campo.


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Deve ser algum recorde mundial: em apenas sete meses, com cagadas em todos os níveis, o Palmeiras conseguiu desmontar um time campeão brasileiro e transformar um projeto vitorioso em pó, migalhas, nada. O moedor de carne voltou a atacar e nada mais presta: Zé Roberto está velho, Cuca é ultrapassado, Mattos só fez contratações erradas, Galiotte é um frouxo, Tchê Tchê foi um rojão que só fez um campeonato bom, Borja foi um erro e por aí vai. Em nome da “obsessão” da Libertadores, o Palmeiras jogou tudo fora. Ruiu como se fosse um castelo de cartas vagabundas compradas no mercadinho da esquina a R$ 5.


É uma sequência de erros invejável. Cuca não quis ficar, a diretoria também pareceu não fazer muita questão de mantê-lo e ele próprio se despediu com aquele ar de “tô por aí, a gente se vê”, como ex-namorado que passa os dias esperando um telefonema para um revival. Eduardo Baptista chegou com zero respaldo e uma pretensão do tamanho do mundo: assistiu aos 38 jogos no Brasileiro de 2016, mas quis montar outro time. O elenco não gostou, parte da torcida se enviuvou de Cuca, a diretoria não bancou o técnico, os gritos de “volta” de uma torcida que adora um messianismo aumentaram, bastaram alguns resultados ruins em momentos cruciais, caiu Eduardo. Cuca volta nos braços do povo, coloca o reforço de 33 milhões no banco como se fosse um Zé Mané qualquer, o time continua apresentando um futebol pífio, mas os mesmos que antes pediam a cabeça de Eduardo agora defendem Cuca porque “é cedo, não dá tempo de treinar”.


E não adianta reclamar, porque é preciso limpar os destroços, recolher as cartas e recomeçar a obra agora mesmo, porque quarta-feira já tem jogo de novo, e não é qualquer jogo, é um Dérbi. Um Dérbi diante do líder do campeonato, que fez tudo ao contrário da gente este ano, que não tinha quase dinheiro para contratar, que efetivou um técnico inexperiente, fechou o elenco, e que está colhendo os frutos de um trabalho sério. Nós, esbanjando dinheiro, estamos nessa situação. Um time completamente bagunçado, um técnico totalmente perdido, uma diretoria omissa e que não se pronuncia, um elenco cheio de buracos e, o mais imperdoável de tudo, jogadores desinteressados, enquanto nós torcedores espumamos de raiva e brigamos entre a gente, desfazemos amizades e abandonamos grupos de discussão.


Podemos ganhar o Dérbi? Claro que podemos, o futebol não é uma ciência exata e é isso que o torna fascinante. Se reverter a situação no Brasileiro parece quase impossível, ainda dá para ganhar a Copa do Brasil (mesmo jogando com uma defesa que hoje é reserva, pois a titular não pode entrar porque já jogou por outros clubes – de novo a desorganização e a falta de planejamento) e até mesmo aquele campeonatinho vagabundo hipervalorizado pelo qual somos obcecados, embora a bola jogada desde o primeiro jogo do ano não nos dê muita esperança.


Acima de tudo, é preciso ter um mínimo de planejamento. Cuca precisa definir qual é o time titular e, quando for o caso, entrar com um time completamente reserva, que também treine junto com frequência, para não ter a desculpa da falta de entrosamento dada contra a Chape. E precisa saber que sim, a gente vai cornetar. Não venham com essa de "ah, você é torcedor Nutella, ficou mal acostumado com títulos". É apenas uma questão de cobrar de forma proporcional à expectativa gerada e ao investimento realizado. Em 2014 o time era uma muito ruim e fugir do rebaixamento era o máximo que poderíamos aspirar; este elenco foi montado com pompa e circunstância, como se fosse um mero ajuste para um time campeão, pronto para ganhar tudo, então não queiram que a gente aceite uma decadência tão grande num espaço tão curto de tempo sem nenhuma explicação plausível. Joguem bola e falem menos, é isso o que a gente espera.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

A pirueta desajeitada de Zé Roberto é a cara do Palmeiras deste domingo no Mineirão