Atlético-GO, uma pedra no sapato do Palmeiras

Celio Messias/Gazeta Press
Celio Messias/Gazeta Press

Leandro marcou o último gol do Palmeiras contra o Atlético-GO, em 2013


Dos 19 adversários no Brasileirão deste ano, o Palmeiras leva desvantagem no confronto histórico contra quatro deles: São Paulo, Cruzeiro, Chapecoense e, aposto que você vai se surpreender (a não ser que você tenha ouvido nosso podcast), Atlético-GO, nosso adversário desta quarta-feira.


Em 12 jogos, foram cinco vitórias do Palmeiras, seis derrotas e um empate; marcamos 16 gols e sofremos 17. Três desses jogos, para mim, são essencialmente traumáticos. Em 5 de maio de 2010, nas quartas de final da Copa do Brasil, fomos eliminados nos pênaltis após uma bisonha série que acabou 2 a 1 para eles, depois de 10 cobranças. Marcos pegou três, mas fomos incompetentes e desperdiçamos quatro chutes, com Danilo, Figueroa, Ivo e Cleiton Xavier. Elias cobrou o último e foi o único jogador de linha do Dragão a acertar (o outro foi do goleiro Márcio; Ewerthon acertou o nosso).



Meses depois, em 26 de agosto, aniversário de 96 anos do Palmeiras, jogo no Pacaembu. O primeiro aniversário da era pós-Palestra, Luan e Tadeu na dupla de ataque, Scolari ainda esquentando na volta, o time tentando se aproximar das primeiras posições. Três gols do desconhecido Elias, 3 a 0 inapelável para o Dragão.



Mais de um ano depois, em 25 de setembro, o Palmeiras fazia um returno medíocre no Brasileirão, depois de terminar em quarto na primeira metade do campeonato, e via o Corinthians se firmar na briga pelo título. No Serra Dourada, vencíamos por 1 a 0, e o Atlético teve dois jogadores expulsos, Anderson e Vitor Júnior. Pois, em 9 contra 11, o time goiano se encheu de brios, buscou o empate, com gol de Thiago Feltri, e esteve perto do gol da virada.



Como cereja do bolo, o Atlético nos venceu duas vezes por 2 a 1 no Brasileiro de 2012, ano em que os dois clubes foram rebaixados à Série B. Na temporada seguinte, ganhamos o bi com direito a duas vitórias sobre eles: 1 a 0 em Itu, gol de Tiago Real, e 3 a 1 em Itumbiara - dois de Alan Kardec e um de Leandro Calopsita. Os pontos quase fizeram falta: eles terminaram em 16º lugar e escaparam por três pontos da queda à Série C. Nosso meio-campo nesse dia tinha Márcio Araújo, Wesley e Felipe Menezes.


Márcio Araújo.


Wesley.


Felipe Menezes.


Como a gente ganhou esse jogo?



Perguntei ao amigo Rainer Sousa, blogueiro do Dragão Campineiro, se o Dragão tinha um gosto especial em vencer o Palmeiras, e ele confirmou. Afinal, diz que em Goiás há uma disputa nada silenciosa entre os torcedores “mistos”, aqueles que escolhem um time local e um geralmente do eixo Rio-SP, e os “puros”, aqueles que só torcem para os times locais. Assim, cada partida contra um time que tem grande número de torcedores por lá, como acontece com o Palmeiras, tem quase um sabor de clássico para eles.



É na verdade um orgulho que mescla duas coisas. O fato natural de ganhar de um time de maior expressão e o fato disso reafirmar um certo regionalismo, que fica muito evidente na fala de alguns torcedores (não só do Atlético) que hostilizam os moradores do Estado que torcem para os times daí. Costumam dizer que são “alienados” e que essas derrotas servem como um tipo de lição a esses caras que “não valorizam o que é daqui”.



Como tenho dito desde domingo, o jogo desta quarta é fundamental para nossa sequência no Brasileiro. O Palmeiras não vence duas partidas seguidas há mais de um mês – Vasco na primeira rodada e Inter no jogo ida das oitavas da Copa do Brasil. Está a 10 pontos do líder Corinthians e a cinco da pontuação que deveria estar de acordo com minhas previsões no início do campeonato. Se o retrospecto é ruim, a campanha deste ano não credencia o Atlético a causar dificuldades: o time tem problemas defensivos e ofensivos, já trocou de técnico e é o penúltimo colocado.


O Palmeiras tem obrigação de vencer, de preferência com uma boa atuação, para subir mais um pouco no Brasileirão e voltar a se credenciar como candidato ao título. Que o Dragão pague pelo mau começo do Porco.


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