Palmeiras para no juiz, se enrosca em Vanderlei e enlouquece torcida

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Guerra é o camisa 10 que o Palmeiras precisa, mas desperdiça seu talento caindo pelos lados


Você pode escolher duas maneiras de analisar a derrota desta noite do Palmeiras para o Santos.


Alternativa A: "Mais uma atuação ridícula de um time horroroso que fica se escorando num gol duvidoso quando na verdade não jogou nada, criou meia dúzia de chances no acaso, não tem entrosamento, não tem técnica, não dá nada certo, todo mundo encostado, sem motivação, bando de preguiçosos, vamos perder tudo e brigar para não cair, estamos ferrados, que vergonha".


Alternativa B: "Perdemos, mas o time voltou a dar sinais claros de evolução, se comportou bem mesmo atrás no marcador, só não obteve um resultado melhor porque o Vanderlei catou tudo e o juiz meteu a mão, não deu a falta no Dracena no lance do gol e ainda não deu o pênalti no fim. Não adianta a gente ficar nervoso, é um trabalho de médio prazo agora, tem que ter paciência, as coisas vão melhorar, perder na Vila é um resultado normal, o Cesarotti até colocou essa previsão lá na planilha dele".


E quem há de dizer que alguma das alternativas acima está errada? Obviamente as frases A vêm de sopetão, aquela irritação sanguínea do palmeirense no embalo da derrota, a quarta em quatro jogos fora de casa neste Brasileiro, zero gols marcados e cinco sofridos. As frases B chegam daquele cara mais moderado, que tenta manter a cabeça fria. E o mesmo cara pode dizer A agora de noite e pensar no B depois de uma tranquila noite de sono.


Curta a página do blog no Facebook


Há dez dias, após o horroroso empate contra o Galo, escrevi um texto bem no padrão A acima e muitos comentaristas vieram com as explicações B - e eu admito que exagerei no tom, talvez irritado que fiquei pelos 20 minutos finais. Hoje, depois desse jogo na Vila Belmiro, tento pensar de forma mais calma, serena e otimista. Sim, eu previ derrota para o Santos no começo do campeonato, mas óbvio que, diante dos maus resultados iniciais e do jogo razoável contra o Fluminense, era possível sonhar com algo mais para compensar os pontos já perdidos de forma imprevista.



Só me preocupa uma coisa: o tempo está passando. Já são sete rodadas, estamos 12 pontos atrás do SCCP, a gente fala "estamos melhorando e eles vão começar a tropeçar", e a coisa não acontece. E isso enerva, ainda mais para quem achava possível brigar pelo título brasileiro, pela Libertadores e pela Copa do Brasil e vê o sonho indo embora antes do primeiro quarto do campeonato.


Enerva como os passes errados, a falta de inteligência, a distância ainda longa entre os setores, Guerra desperdiçando talento pela direita, o time jogando penso e esquecendo que o lado esquerdo do ataque existe. Enerva como as decisões erradas da arbitragem, embora eu ache que tenha sido falta no Edu Dracena na hora do gol, mas não foi pênalti no fim do jogo - e, aliás, ainda bem que ele não deu, porque do jeito que anda nossa fase na marca da cal e o Vanderlei inspirado como estava, provavelmente não adiantaria nada. Enerva como a má fase de Tchê Tchê, Jean e Zé Roberto, como o fato de Raphael Veiga não ganhar mais tempo de jogo.


Enfim, está melhorando? Está, mas não no ritmo e na velocidade necessários. O Palmeiras ainda é um time em construção, mas o tempo está passando e o pneu precisa ser trocado com o carro andando porque as obras andam em ritmo acelerado e o cronograma está vencendo. Preparemos o coração, que 2017 ainda vai nos reservar muitas emoções fortes.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Guedes até foi bem no ataque, se mexeu e criou chances, mas vacilou no lance do gol santista