Um Palmeiras sem rumo e sem tempo

Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

Além de perder pênalti, Willian teve possivelmente sua pior atuação pelo Palmeiras


Parece que 2016 foi há duas eras glaciais. O time envolvente que esmagou o Vasco na primeira rodada se desfez como pó. O que se viu hoje no Allianz Parque foi um bando vestido de verde, incapaz de criar uma jogada inteligente, de articular uma estratégia, de pensar, de perceber que o goleiro adversário estava contundido para arriscar uns chutes de longe. Incapaz até de marcar um gol de pênalti, pelo segundo jogo seguido. 


É inexplicável e incompreensível o que acontece no Palmeiras nas últimas semanas. O time só anda para trás, acumula partidas uma pior do que a outra, vai se embolando na metade de baixo da da classificação do Brasileiro e, pior do que tudo, não nos dá nenhuma esperança de que a situação vai melhorar no curto prazo.


Foram 90 minutos abomináveis de se assistir. Diante de um Atlético pífio, acovardado, cheio de gente que adora brilhar contra nós e se escondeu (alguém viu Fred e Robinho em campo?), o Palmeiras foi praticamente nulo. Victor, com dores na coxa e sem bater tiro de meta, nem precisou saltar pra pegar o pênalto de Willian e só se esforçou no chute de Borja, no segundo tempo. Só depois da entrada de Valdivia e Maicossuel que eles melhoraram um pouco e quase nos complicamos.


Mas o fato é que o Palmeiras de hoje não mostrou nada de aproveitável, nada. Egídio continua um desastre, Róger Guedes estragou todas as jogadas que tentou, Willian deu razão a quem diz que ele é jogador de segundo tempo, Borja parece em outro planeta e ainda deu um azar danado nas chances que teve, Mayke parece nunca ter ouvido falar em triangulação, Tchê Tchê foi novamente nulo, Mina não pode ficar no mano a mano, Michel Bastos entrou parecendo uma vaca louca. Salvaram-se Thiago Santos, seguro como sempre, Keno, ótimo nos dribles, e Guerra, que ao menos tentou mostrar alguma lucidez até os 20 minutos do segundo e depois se perdeu.


Mas o problema é maior do que a ruindade nas individualidades; é coletivo, é falta de esquema, de inteligência tática. Guerra ficou a um quilômetro das linhas ofensivas, não houve uma triangulação pelas pontas, uma jogada de ultrapassagem. Jogava-se a bola na área como se fosse um tijolo e azar de quem estivesse lá.


E, na hora de mexer, Cuca de novo só trocou as peças no ataque e ignorou o deserto que havia no meio-campo. Eu juro que queria entender porque Raphael Veiga e Hyoran não jogam - isso porque o próprio Cuca disse na sexta que eles vêm treinando "muito bom", o que deve ser uma baita de uma mentira, porque esse elogio é constante e nunca é transformado em chance para os garotos. Sim, eu sei que é duro colocar moleque em roubada, mas, veja, não é possível que eles vão entrar e fazer algo pior do que o Erik.


Não sei como Cuca vai resolver isso, até porque não tem muito tempo pra treinar, tem jogo em Curitiba na quarta e sábado de novo aqui. Por ora, vamos viver da esperança de que um passe de mágica que faça o time reencontrar um rumo. A realidade, hoje, é bem complicada.