De Patrik a Jesus: chegou a hora de vencer o Galo de novo, Palmeiras

Gerley toca para Luan, que tenta o cruzamento para Valdivia. O Mago divide com a defesa e a bola sobra para Patrik, que bate fraco, com o pé direito, o suficiente para vencer o caído goleiro Giovanni. Na fria noite de 30 de julho de 2011, o Palmeiras marcava e praticamente selava uma vitória sobre o Atlético-MG que o deixaria em boas condições no Brasileirão - ao final da 13ª rodada, o time estava em quarto lugar, a apenas quatro pontos do líder Corinthians, que no dia seguinte perderia por 3 a 2 para o Avaí, em Florianópolis.



Mas como quase tudo naquele período entre 2010 e 2014, as coisas não eram simples. O Atlético ainda marcou um gol e quase empatou. A vitória por 3 a 2, com menos de 10 mil pessoas no estádio da Portuguesa, entraria para a história como a última sobre o Galo em um longo período - que, esperemos, acaba hoje. No nosso banco estava Felipão; no deles, Dorival Júnior, que meses depois deixaria o cargo para... Cuca. Os outros gols do Palmeiras no jogo foram de Marcos Assunção e Luan.


De lá para cá, o Palmeiras enfrentou o Atlético-MG em 11 ocasiões, com nove derrotas e apenas dois empates. Fomos democráticos: perdemos no Independência (quatro vezes) na Arena do Jacaré (uma), no Pacaembu (três) e no Allianz Parque (uma). Empatamos duas: em casa, na abertura do Brasileirão de 2015, graças a um gol de Rafael Marques aos 49 do segundo tempo, e no ano passado, lá no Independência, com o gol de Gabriel Jesus que nos deixou muito perto do título. Ao todo, marcamos seis gols e levamos 19.


Para mim, a mais doída dessas derrotas foi em 2014, Para quem não lembra, era um sábado no fim de tarde que marcava nossa "despedida" do Pacaembu - seria o último jogo em casa antes da inauguração do novo estádio. O Atlético estava envolvido nas finais da Copa do Brasil, depois de nos eliminar com duas vitórias nas oitavas de final, garantindo que o auge do nosso centenário seria escapar do rebaixamento. E, por isso, escalava um time quase 100% reserva - o único titular era o goleiro Victor. Nós vínhamos de uma vitória por 1 a 0 sobre o Bahia na Fonte Nova que se revelaria decisiva - gol do Mazinho, o Messi Black.


Do nosso lado, Dorival Júnior (ora, vejam só como o mundo roda) tinha como melhores opções para o ataque Mazinho e Henrique, então o Ceifador, hoje Dourado, que agora tem feito gols pelo Fluminense e se acha um grande atacante - não se deixe enganar, continua ruim como era quando jogou aqui. Dali da arquibancada verde, vi de perto o gol do zagueiro Tiago; vi de longe e com as mãos na cabeça o golaço de Dodô, que driblou Tobio como se o argentino fosse um cone; e vi Juninho perder um gol incrível cara a cara com Victor, quase da risca da pequena área - salvo engano, foi o último lance dele com a camisa do Palmeiras. Prefiro pensar que tenha sido. Moralmente, foi.



Saí de campo arrasado, com a clara sensação de que o Palmeiras seria rebaixado de novo. Embora o time tenha terminado aquela 33ª rodada em 14º lugar, com 39 pontos, cinco acima da zona de rebaixamento, eu pensava nos cinco jogos seguintes e não via aquele time marcando um ponto sequer. De fato, perdemos para SPFC, Sport, Coritiba e Inter e só empatamos na última partida, contra o Atlético-PR, escapando de cair pela terceira vez graças à incompetência do Vitória. Nunca um time com 40 pontos tinha escapado de cair, nunca mais aconteceu.


Felizmente muita água passou debaixo da ponte nesses dois anos e meio. Ganhamos uma Copa do Brasil e um Brasileiro, e jogadores como Patrik e Juninho são só uma pálida e teimosa lembrança de um período que não devemos esquecer - o passado ruim precisa ser lembrado de tempos em tempos para que não se repita. Hoje colecionamos craques e reclamamos, vamos combinar, de barriga cheia. Ainda que as atuações não encham os olhos, estamos nas quartas de final da Copa do Brasil, nas oitavas da Libertadores e com plenas condições de ganhar mais um Brasileiro.


No ano passado, o jogo contra o Atlético também foi simbólico, por um lado bom. Recém-chegado da Seleção e vindo de um longo jejum de gols, Gabriel Jesus desencantou ao abrir o placar no Independência. Pratto ainda empatou, mas seguramos o resultado. Vitor Hugo perdeu uma chance incrível de cabecear para longe o tabu nos minutos finais e nós encaminhamos o título com as vitórias seguintes sobre Botafogo e Chapecoense. Aquele foi o último gol do Menino Jesus com nossa camisa, provavelmente o mais importante ao lado do primeiro, aquele contra o ASA em Londrina que nos manteve vivos na Copa do Brasil de 2015.



Que o Palmeiras comece hoje um novo capítulo da história desse confronto. Ainda estamos na frente, 36 a 27, com 12 empates em 75 jogos, 103 gols nossos e 87 deles. Eles também estão abaixo do esperado para o começo do Brasileiro e devem vir quentes. Que seja um grande jogo - e que no fim, ao contrário do que tem acontecido nos últimos seis anos, a festa seja nossa.


Gazeta Press
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Que a festa do Menino Jesus no Independência, em novembro do ano passado, se repita hoje