Palmeiras: é hora de voltar a vencer na Vila Belmiro

Wagner Carmo/Gazeta Press
Wagner Carmo/Gazeta Press

Kleber era o capitão palmeirense e fez o gol da última vitória do Verdão na casa santista


Keirrison tenta um passe meio quadrado para Paulo Henrique Ganso, que deixa a bola escapar. Marcos Assunção faz o desarme já tocando para Luan, que avança até a intermediária, pela esquerda do ataque, e deixa com Kleber. Patrik se apresenta, recebe e dá um belo passe em suspensão para o Gladiador, que entra pelas costas da defesa e bate na saída de Rafael Cabral.


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Em 3 de abril de 2011, o Palmeiras venceu o Santos por 1 a 0 na Vila, em jogo pela fase classificatória do Paulistão. Semanas depois, seria eliminado pelo Corinthians, na tarde da famosa lesão no vácuo de Valdivia - que, curiosamente, não estava na Vila nesse dia. A escalação de Luiz Felipe Scolari naquela tarde foi: Deola; Cicinho (Chico), Danilo, Thiago Heleno e Rivaldo; Márcio Araújo, Marcos Assunção, Patrik e Lincoln (João Vítor); Adriano (Luan) e Kleber, que era o capitão. Adriano, para quem não se lembra, era o Michael Jackson.


Adriano Michael Jackson. Misericórdia.



Parece incrível que esse time lamentável, com 14 atletas dos quais não sentimos nenhuma saudade, tenha vencido aquele que meses depois seria campeão da Libertadores - e estavam todos lá: Ganso, Neymar, Danilo, Elano, o hoje nosso Edu Dracena. Parece ainda mais incrível que, nesses seis anos, o Palmeiras tenha voltado à Vila Belmiro outras 11 vezes e em nenhuma delas tenha saído com a vitória. São nove derrotas e dois empates, ambos seguidos de derrotas na disputa de pênaltis - nas semifinais do Paulistão do ano passado e nas quartas do Paulistão de 2013.


Nem mesmo o time campeão brasileiro de 2016, que derrubou tantos tabus durante a campanha do título, como vencer o Inter no Beira-Rio (depois de 19 anos), o Atlético-PR na Baixada (oito anos) e o Sport na Ilha (sete anos) conseguiu essa: numa atuação bem chinfrin, sem Jailson, suspenso, perdemos por 1 a 0, nossa única derrota no returno.


Talvez seja pensando nessa incômoda sina que Eduardo Baptista tenha resolvido escalar a força máxima possível no jogo deste domingo. O técnico disse que quer manter uma espinha dorsal para entrosar o time de olho nas decisões de abril - jogos importantes pela Libertadores e os mata-matas do Estadual. E que vai atacar o Santos em busca da vitória.


Pode ser a chance para Dudu se redimir na Vila. O camisa 7, nosso atual capitão, tem péssimas lembranças do estádio onde foi expulso durante sua primeira decisão com a camisa do Palmeiras, ainda que tenha feito um belo gol de voadora no Brasileiro de 2015 (mas perdemos por 2 a 1). Hoje um jogador muito mais tranquilo e completo, Dudu ainda chega embalado pela convocação para a Seleção Brasileira. Seria lindo ver uma grande vitória, um gol de Dudu, o fim de mais uma escrita.


Só é triste que mais uma vez nossa gente verde fique de fora dessa festa de torcida única, vítima de uma decisão comodista de gente graúda que nunca se sentou numa arquibancada e prefere proibir a trabalhar. Não há de ser nada: mesmo longe, nosso coração estará por lá. Avanti, Palmeiras!


Leo Barrilari/Gazeta Press
Leo Barrilari/Gazeta Press

O Dudu de 2017 está a anos-luz do destemperado Dudu expulso por bobagem na final de 2015: um dia para se redimir