O Palmeiras-2017 ainda está em evolução

Fernando Barzaghi/Gazeta Press
Fernando Barzaghi/Gazeta Press

Essa foto tem tantos elementos maravilhosos que renderia fácil um artigo de semiótica


Antes de começar o texto, vamos ver esse vídeo de novo? Eu não consigo parar, fico completamente hipnotizado. Afinal, é a visão que eu teria do gol caso estivesse usando um binóculo.





Nada como uma vitória para animar os mais pessimistas e corneteiros torcedores (a não ser aqueles do meu grupo no Facebook cujo lema é "É PROIBIDO EMPOLGAR", assim mesmo em maiúsculas, mas é bom que eles permaneçam assim, dá sorte). Graças ao golaço de Dudu, o time se tranquilizou, ampliou a vitória no segundo tempo e Eduardo Baptista ganhou algumas semanas de crédito para trabalhar - inclusive no domingo, com quem não entrou ou jogou pouco no clássico.


Quer ver o Borja treinando? Coloquei algumas fotinhas no Facebook; aproveite para curtir a página do blog por lá.


A vitória apontou que o Palmeiras de Eduardo está no rumo certo, e uma das causas para isso foi Tchê Tchê. A volta do motorzinho do time, com direito a golaço, deu mais criatividade no toque de bola, sem perda do poder de marcação. Thiago Santos fez grande partida e botou uma pulga na orelha do técnico: deve mesmo sair para a volta de Felipe Melo? Está claro que os dois juntos deve ser uma exceção, em momentos de jogo que exijam uma formação mais defensiva.


Alegres ficamos, mas nem tudo ainda são flores. A vitória serviu para saudar um Palmeiras que esmagou o São Paulo em seu campo, sem dar chances para que o time de Rogério Ceni criasse jogadas ofensivas, à exceção de bolas altas e cruzamentos para a área, com a ajuda do juizão, que deu todas as faltas possíveis a favor dos tricolores.


Lá de trás do campo, porém, ainda que meus olhos não sejam dos melhores, era possível ter outra análise se o jogo tivesse ficado no 0 a 0: Ceni armou o SPFC numa retranca de dar gosto, como se fosse seu Sinop de juventude que estivesse no Allianz Parque, com quatro jogadores na defesa, outros quatro volantes fechando o meio, a fim de engavetar o Palmeiras e de repente ganhar o jogo num contra-ataque.


E ia conseguindo: nossas chances no primeiro tempo, até o gol, vieram de lances individuais, como o chute de Michel Bastos logo no começo, ou de bola alta na área, na cabeçada de Vitor Hugo, aquele a quem nunca cornetei (mentira, vocês sabem). Muitos passes errados no terço final, muitas tabelas mal-sucedidas, um certo nervosismo visível em campo e nas arquibancadas, reclamações sobre o Willian, "Guerra não está bem" e por aí vai. Sem rádio, eu já começava a prever as manchetes: "Ceni dá nó tático em Eduardo".


Djalma Vassão/Gazeta Press
Djalma Vassão/Gazeta Press

O chute de Dudu foi a primeira finalização certa do Palmeiras no jogo


Até a pintura de Dudu, o Palmeiras não tinha acertado um mísero chute em direção ao gol e Denis só tinha sido visto para bater tiros de meta, novamente sob os nojentos gritos de "bicha" (volto ao assunto esta semana, não pensem que não). Se alguém ali pela 113 Norte quisesse conhecer este blogueiro para dar um abraço (ou uns tapas), aliás, era só procurar pelo gordo de camisa branca da coleção 2006/7 gritando o tempo todo: "CHUTA, CARALHO! CHUTA QUE ESSE DENIS É UM FRANGUEIRO!". Se até relógio quebrado acerta duas vezes ao dia, por que não eu?


No segundo tempo, em vantagem no placar e com o psicológico em alta por conta do golaço, o jogo ficou moleza, a ponto de Mina quase enlouquecer a torcida e entregar uma bola não aproveitada pelos tricolores. Mas a pulga continua atrás das minhas orelhas de Dumbo: e quando enfrentarmos um time bem retrancado, vai ser esse sofrimento de novo até sair um gol? E se não sair?


O Jorge Wilstermann também deve jogar na quarta-feira com 10 no campo de defesa, disposto a levar um pontinho para Cochabamba, talvez três se conseguir roubar uma bola vadia no meio-campo e puxar um contra-ataque. Para isso, Eduardo deve montar um time que toque bolas em velocidade, de preferência acertando os passes, a fim de furar o bloqueio rival.


Possivelmente será o mesmo de sábado na estrutura, um 4-1-4-1 com Felipe Melo no lugar de Thiago Santos, Tchê Tchê e Guerra mais centralizados, Michel Bastos e Dudu abertos pelas pontas e Borja na área. É possível também que Keno apareça como opção no ataque, já que o venezuelano ainda parece um pouco preso, em busca de entrosamento e da forma física ideal. Nesse caso, Tchê Tchê jogaria um pouco mais recuado e Dudu seria o meia central, com Keno na ponta-esquerda: um 4-2-3-1 mais parecido com o do ano passado, formação criticada na semana passada - mas que pode funcionar melhor com a volta do camisa 8, embora colocar Dudu no meio nos dê aquela bad vibe Marcelo Oliveira feelings.


Torcemos aqui para que o técnico faça a escolha mais adequada e, principalmente, corrija a tempo qualquer problema se perceber o time encaixotado na marcação e deficiente na criação. O clima é de otimismo, a torcida está do lado, a casa vai estar de novo cheia. Vamos em frente, Palmeiras. Há muitos títulos a ganhar.


Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução
Cesar Greco/Ag Palmeiras/Reprodução

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