A jato: em 8 minutos, Napoli transforma jogo difícil em goleada

Quando o Napoli divulgou a escalação do jogo, muitos torcedores nas redes sociais aprovaram boa parte dela, mas alguns contestaram especialmente a presença de Maggio no time titular. A estratégia de Sarri estaria errada mais uma vez? Estaria Sarri poupando contra os fortes e colocando força máxima contra os mais fracos?


Foi o que deu a entender ainda mais em um primeiro tempo irreconhecível, como a maioria da temporada até aqui em relação aos 45 minutos iniciais. Nos primeiros 20 minutos, era a Lazio quem tocava a bola, criava, contava com a sorte, e o Napoli era o inverso disso. Tudo parecia o contrário. E o time laziale, bem treinado por Simone Inzaghi, se aproveitava disso.


Quase sempre Immobile recebia livre, embora Reina tenha tido boas saídas. O Napoli só chegou de verdade em um chute de fora de Insigne aos 26. Logo foi castigado. A cabeçada contra de Hamsik na trave foi um prenúncio de que algo de ruim estava por vir.


Na continuação da jogada, mostrando um dos problemas do Napoli, a Lazio marcou o seu gol. A sobra após o escanteio em algumas vezes gera perigo à defesa napolitana. E nesse caso, com a bobeada pelo lado ao deixar Immobile livre, especialmente de Koulibaly na marcação, De Vrij marcou, com um pouco de colaboração de Reina.


O gol acordou o Napoli, mas, apesar de boas chances como a bola na trave de Hamsik, e da chance de Callejón bem defendida por Strakosha, era muito pouco pra quem queria o gol de empate e pensar em uma hipotética virada.


Alguns fatores ajudaram no "turning point" da partida. A Lazio sofreu muito com lesões. Primeiro, perdeu Bastos; depois, De Vrij. Chegou a jogar com três zagueiros improvisados na segunda etapa, em um trio com Basta, Lucas Leiva e Radu.


No segundo tempo, a coisa mudou. De repente, o Napoli estava mais a jato no ataque. Criando jogadas com maior velocidade. Mas o perigo estava na bola parada. Primeiro, Koulibaly cabeceou pra defesa de Strakosha. Mas o placar e o jogo mudariam mesmo em oito minutos.


Primeiro, após escanteio cobrado, Albiol finalizou sozinho e Strakosha defendeu, mas Koulibaly estava lá no rebote pra empurrar pro gol. O empate era importante já pra arquitetar uma reação. Mas ela veio até rápida demais.


Não demorou nem dois minutos, e uma bela tabela de Hamsik, que até então estava sumido, com Callejón, que recebeu o toque final dentro da área e bateu cruzado, sem chances pra Strakosha. E de repente, o Napoli virou o jogo.


Mas a cereja do bolo só poderia ser feita com Mertens. Primeiro, ele foi acionado, parecia que ia driblar Strakosha, mas o goleiro tocou na bola e ela ia pra lateral. O belga viu que o albanês estava voltando e resolveu chutar. A bola caiu certo no gol. Caindo como uma bola de três no basquete. Tudo pra colocar o Napoli com três no marcador.


A partir daí, o Napoli tocou a bola e passou a realmente dominar o jogo. Não criava tanto até pela falta de necessidade para tal, embora tenha chegado em algumas bolas paradas. E de repente, os 10 mil napolitanos presentes ao Olimpico começavam a gritar "olé" pra cada toque de bola do Napoli.


Nos minutos finais, Zielinski entrou a jato na área e foi derrubado. O árbitro marcou pênalti, e Jorginho bateu com uma tranquilidade tão absurda que já na cobrança Strakosha estava caído. Durante a corrida, ele parece que vai errar, mas, quando toca na bola, é uma frieza absurda demais pra marcar.


De um 1 a 0 contra em um campo difícil e em um clássico, o Napoli transformou em goleada. É uma demonstração do tamanho da força da equipe. Uma demonstração impressionante de uma equipe que fez 19 gols em 5 jogos. 


Os números fazem até esquecer ainda algumas deficiências e alguns problemas da equipe, mas no fim, não é nada mal jogar da forma que o Napoli jogou na segunda etapa. Falta ajustar as coisas em relação a primeira etapa, e fazer com que as falhas sejam menores. Mas que um Napoli a jato dessa forma, transformando um jogo perdido em oito minutos em um banho de bola anima, ah, isso anima...


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Reina - Teve boas saídas do gol, seguro em algumas oportunidades, como na saída nos pés de Immobile, mas poderia fazer melhor no lance do gol laziale. Nota: 5,5


Maggio - Quando falamos no nome dele, esperamos em uma queda em respeito a Hysaj, mas contra a Lazio, o italiano concedeu pouco e até demonstrou mais fisicidade em alguns confrontos no ataque, boa partida. Nota: 6,5


Albiol - Diversos cortes durante a partida, sem perder a calma mesmo nos momentos difíceis. Foi inteligente na movimentação na segunda trave pra concluir no lance do primeiro gol. Nota: 6,5


Koulibaly - Não foi tão bem no lance do primeiro gol laziale, mas ofensivamente se recuperou com o gol de empate napolitano, em um lance de oportunismo ofensivo. Nota: 6,5


Ghoulam - Outro que não foi bem no lance do gol laziale, em vista que a jogada de Immobile saiu pelo seu lado sem nenhuma objeção feita pelo argelino. Foi melhor no ataque, onde ajudou a criar chances. Nota: 6,0


Allan - Deu mais força física ao meio-campo, ganhando em várias disputas individuais, e recuperando várias bolas pelo meio, ajudando também no ataque em algumas oportunidades. Nota: 6,5


Jorginho - Frieza do pênalti cobrado com qualidade a parte, a partida dele teve grandes momentos, com o meia ajudando muito Hamsik na saída de jogo. Também iniciou a jogada do terceiro gol. Sua produção só caiu quando ele cansou. Nota: 7,0


Hamsik - Esteve mais sumido no jogo em momentos da primeira etapa, até que a medida que o Napoli foi melhorando no jogo, ele foi aparecendo. Uma bola na trave, e a bela trama com Callejón no segundo gol foram as marcas de sua partida. Nota: 6,5


Insigne - Procurava jogo mesmo nos piores momentos do Napoli em campo. Sempre procurava também os companheiros, por pior que fossem as dificuldades. Não marcou, mas colocou uma bola na trave da Lazio. Nota: 7,0


Mertens - Teve momentos perdidos, mais isolados na primeira etapa, mas na segunda etapa aos poucos foi se acertando, com ataques em profundidade, e recebendo bons lançamentos, como o de Jorginho, que transformaria em gol normal, mas aí tudo fez com que ele transformasse em um fora de série, como ele. O homem do jogo. Nota: 8,0


Callejón - No primeiro tempo, Radu lhe negara algumas possibilidades pelo seu lado. Mas na segunda etapa, pôde atuar com um pouco mais de liberdade. E com mais liberdade, conseguiu fazer o segundo gol em uma bela tabela com Hamsik. Nota: 7,0


Zielinski - Entrada de impacto no jogo, participou de ações ofensivas, não teve trabalho defensivo, e sofreu o pênalti que gerou o quarto gol napolitano no jogo. Nota: 6,5


Milik - Entrou nos minutos finais, foi até acionado, conseguiu algumas faltas no ataque, mas nada de mais. Nota: 6,0 


Rog - Entrou nos minutos finais, e foi pouco acionado, em uma posição até interessante, jogando pela direita, poderia ser mais observado. Nota: 6,0


Sarri - Conseguiu pela primeira vez desde 1988, dez vitórias consecutivas com o Napoli. Conseguiu através de uma estratégia que de início parecia questionável, com a titularidade de Maggio, mas que com o decorrer da partida se tornaria uma decisão certa. Demorou a substituir, mas acabou fazendo corretamente, em um momento em que se precisava esfriar o jogo nos minutos finais. E de uma das substituições, saiu o pênalti que fechou o placar. Mas o grande destaque mesmo, foram os oito minutos de futebol "a jato" que garantiram a vitória. Nota: 7,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

Comemoração coletiva, sarrista, do segundo gol napolitano marcado por Callejón