Como o Napoli foi ao inferno do futebol italiano e hoje bate nas portas do céu

O processo do inferno no Napoli começou em meio ao verão de 1992. Depois do doping, e da saída de Maradona para o Sevilla, o Napoli se viu num dilema: se reforçar ou redimensionar a equipe a uma nova realidade? O Napoli optou por tentar se reforçar dentro de campo.


Na temporada 1992-93, foram 36 bilhões de liras investidos no mercado em contratações, e outros 34 em altos salários, muitas vezes feitos como um “cala boca” para que não se falasse contra Ferlaino, em meio ao momento que ele, ao lado de Matarrese, presidente da FIGC, se preocupava mais em brigar publicamente com Maradona, chegando até a impedir sua ida ao Sevilla. 


Os bancos, tão importantes em empréstimos que viabilizaram contratações ao longo da década, já não emprestavam mais dinheiro a Ferlaino e ao Napoli. Quem sonhou com Stoichkov no verão de 1992 (em negociação semelhante a de Neymar nos dias atuais, naquela época com final feliz para os blaugranás) teria de ver outros nomes vestirem a camisa napolitana.


Domínio público
Domínio público

Luciano Moggi, nos tempos áureos de diretor-esportivo do Napoli, e Corrado Ferlaino, ainda como presidente do Napoli


E tudo piorou depois que, em 1993, Corrado Ferlaino, em meio ao fim das confusões com Maradona, foi preso. Ele foi citado na Operação Mãos Limpas (a inspiração de Sérgio Moro para a Lava-Jato brasileira), por ser acusado de pagamento de suborno para que suas empresas pudessem participar da reconstrução de casas no sul italiano após o terremoto na região em 1980. Após sair da cadeia, em 24 dias, renunciou a presidência do clube.


Ellenio Gallo assumiu o clube e logo tinha uma bomba nas mãos. Os patrocinadores, como a empresa alimentícia Voiello, já não achavam o clube tão interessante para anunciar. Os bancos, agora então, não queriam ver o Napoli nem pintado de ouro, mesmo porque Ferlaino ainda era o principal acionista do clube.


Aos poucos a dívida foi explodindo. Em meados de 1994, a dívida chegava aos 88 bilhões das velhas liras em fevereiro. Em março, virou 110 bilhões. Enquanto isso, em meio a ameaças para alguns jogadores, e a boa campanha na Serie A, pouco antes de grande vitória sobre o poderoso Milan, o elenco fez uma carta pública reivindicando o pagamento dos salários atrasados.


As dívidas de Ferlaino chegaram a tal ponto que o Napoli precisou vender um por um jogador. Em 1993, Crippa e Zola foram embora em direção ao Parma. Em 1994, os maiores baques: as vendas de Thern e Fonseca para a rival Roma, Di Canio ao Milan, e a saída do técnico Marcello Lippi para a Juventus, que trouxe outra perda forte: a venda de Ciro Ferrara para os bianconeri. Resultado de que o clube definitivamente era uma bagunça. Nem a vaga na Copa da Uefa conquistada na última rodada diante do Foggia era algo para se animar.


 


A bagunça no Napoli era tão grande que podemos resumir uma situação: na temporada 1994-95, após a saída de Marcello Lippi, o saudoso sérvio Vujadin Boskov, campeão da Serie A e finalista da Champions com a Sampdoria, assumiu o clube. Mas ele não tinha licença para treinar na liga principal. O que foi feito?


Apenas uma pessoa no clube tinha licença para ser treinador. O brasileiro Jarbas Faustino, o popular Cané, era para a federação o auxiliar-técnico de Boskov, tinha ficha registrada. Mas nunca sequer sentou no banco. Era uma manobra do clube, usando a habilitação de Cané para criar uma para Boskov, segundo o próprio.


E em 1995, definitivamente, a bomba explodiu. Para saldar a dívida, muita coisa foi tentada. A venda de Cannavaro (contra sua declarada vontade de ficar no Napoli) ao Parma não saldou as coisas. A torcida pregava que “O Napoli não deveria morrer”. De fato não morreu. Graças a manobras financeiras e jurídicas e a volta de quem não havia saído por completo.


Corrado Ferlaino chegou a ir a justiça em 1995 para que as ações que ele vendeu a Ellenio Gallo no ano anterior fossem anuladas, tendo em vista que a família Gallo não conseguiu pagar uma dívida que chegava a época a 12 milhões de dólares. O passivo do clube chegava aos 18 milhões de dólares, e os bancos pediam um embargo de bens que chegava a 30 milhões.


Ferlaino voltou definitivamente, agora dando como garantia do pagamento das dívidas bancárias seus empreendimentos. A princípio o Napoli conseguiu se safar e se inscrever para o campeonato de 1995-96. Mas o crescimento passaria longe de ser sustentável. Toda possível estrela que surgisse, era vendida, muitas vezes para rivais. 


Além disso, para os mais novos: sabe o olho clínico do Napoli pra contratações que se tem hoje em dia? Era o contrário. Antigamente, os técnicos rejeitavam Pippo Inzaghi, como aconteceu com Boskov em 1995-96. Resultado: nem duas temporadas depois e ele virou o artilheiro da Serie A, e o resto é (muita) história para juventinos e rossoneri de Milão.


Após a chegada de Gigi Simoni ao comando napolitano, as coisas pareciam melhorar. Um bom primeiro turno, na briga pelas copas europeias pareciam bons sinais. Apenas pareciam. Logo as notícias da saída de André Cruz, um dos pilares do time, começaram a abater. Ainda assim, o Napoli chegou a final da Coppa Italia.


Mas antes da final, Ferlaino resolveu demitir Simoni. Motivo: o técnico estava com um pré-acordo para dirigir a Inter na temporada seguinte. O resultado que se deu foi que o Napoli passou longe das copas europeias no final da Serie A, e acabou perdendo a Coppa para o Vicenza na prorrogação da segunda partida, apesar de ter vencido o primeiro jogo em casa.


Mas como o Napoli foi parar na Serie B em 1997-98? A temporada inicialmente parecia promissora. Ferlaino traria de volta Ottavio Bianchi para assumir a casamata napolitana. Observou jogadores brasileiros como Edmundo e Donizete, e outros argentinos, como Astrada e Berti, do River Plate. Não conseguiu nenhum. Ou melhor, conseguiu apenas Calderón, do Independiente, que era convocado por Passarella para a seleção argentina.


O campeonato começou. E o Napoli só perdia. Clássico com a Lazio? Perdia. Outros clássicos? Perdia. Contra a Roma então, tomou 6, com direito a uma tripletta de Balbo. A única vitória naquele período foi contra o Empoli na segunda rodada. A contestação da torcida era forte com direito a cânticos como “Chi non salta Ferlaino è”. Nem reforços como o de Giannini, eterno ídolo romanista, adiantavam. 


Foram quatro técnicos. Bortolo Mutti começou o campeonato e caiu na 5ª rodada. Depois, outras cinco rodadas com Carlo Mazzone. Em seguida, Giovanni Galeone durou o dobro, e caiu somente na 20ª rodada. Daí em diante, Vincenzo Montefusco tentou evitar o inevitável, e não conseguiu. Além disso, durante aquela temporada foram três diretores de futebol. 


De tanto perder, o Napoli até certo ponto demorou pra cair. Em 11 de abril de 1998, após perder para o Parma por 3 a 1, fomos rebaixados com seis rodadas de antecedência. Naquela tarde, se marcou o abraço fraternal e dolorido de Pino Taglialatela e do adversário Fabio Cannavaro. Um abraço de ambos que viveram bem o período de decadência napolitano.


Os outrora reforços, como Calderón e Igor Protti, fracassaram. Foram apenas 14 pontos durante todo o campeonato, formando um dos piores times da história da Serie A, e o pior Napoli de todos os tempos na primeira divisão. Com apenas duas vitórias durante o campeonato inteiro. E uma mancha técnica na história do clube.


 


O Napoli inicialmente não se recuperava. Fez uma campanha muito irregular, perdendo muitos pontos pra times da parte de baixo, e passou longe do acesso. Só melhorou um pouco no segundo turno da Serie B por conta da chegada do atacante Schwoch, que começava a fazer seus gols.


Mesmo com a temporada problemática, havia interesse no Napoli. Em meio a intertemporada em 1999, um certo Aurelio De Laurentiis, cineasta de sucesso nos EUA, sobrinho de Dino De Laurentiis, no qual a carreira no cinema é mais bem sucedida ainda. Fez uma proposta de 100 bilhões de liras pelo clube a Ferlaino. O então presidente napolitano negou a proposta.


No fim de 1999, em meio a campanha na Serie B, primeiro pintaram notícias de uma venda do Napoli para um grupo inglês. Ferlaino começou a ideia de colocar o Napoli na bolsa de valores, em meio a exemplos de sucesso como o dos rivais Juve, Inter e Milan (presentes até hoje na bolsa), e as outras rivais Roma e Lazio (que não tem mais capital aberto).


Durante a temporada 1999-00, outro tentara comprar o Napoli: Calisto Tanzi, então dono do Parma (seu nome será revisto mais a frente). Tinha um projeto de retomar a grandeza do clube, e até de fazer a partir do clube um poder midiático, como os Cecchi Gori tinham com a Fiorentina, e claro, Berlusconi tinha com o Milan.


Em abril de 2000, Giorgio Corbelli, presidente da Telemarket, ofereceu 140 bilhões de liras a Ferlaino por metade das ações do Napoli. E finalmente acertou com o clube. Metade para Corbelli, que viraria o presidente do clube, e metade para Ferlaino.


Tudo parecia que voltaria a dar certo. Afinal, além da proposta de Corbelli, o time treinado por Novellino embalava cada vez mais na Serie B, e no meio da B, após a vitória no confronto direto contra a Sampdoria, entrou na zona do acesso e não saiu mais, especialmente por conta do ataque de Schwoch e Stellone. A volta pra Serie A acabou sendo confirmada contra o Pistoiese, com uma rodada de antecedência.


 


Em meio a aquilo tudo, a situação parecia a famosa casa da mãe Joana, onde ninguém manda. Afinal, era de um lado Corbelli tentando mandar, do outro o fantasma de Ferlaino, ainda presente com algumas ações no clube. Primeiro, por conta disso, o técnico do acesso, Walter Novellino, deixou o clube.


Em termos de técnico, o Napoli agiu rápido. Trouxe Zdenek Zeman, já com a marca do sucesso no Foggia, e de bons trabalhos com Lazio e Roma durante a década de 90. O tcheco sonhava em fazer do Napoli um Ajax, um time sustentável, com jovens jogadores, promessas da base e por aí vai. 


A bagunça da primeira parte da temporada fez uma enorme diferença. Pro mercado, de negociações que não deram certo, como as por Fábio Aurélio e Sorín, e em histórias típicas do Napoli daquele período. Dessa vez, o Napoli teve especulados nomes como Roberto Baggio e o retorno de Gianfranco Zola. Em vez deles, veio o suíço David Sesa.


O resultado não poderia dar em outra coisa que não mais problemas. Com uma tabela complicada, o Napoli não venceu nenhum dos 6 primeiros jogos do campeonato, incluindo clássicos contra Juve e Inter, e uma surra sofrida para o Bologna por 5 a 1. Em meio a protestos que incluíam bombas na casa de Ferlaino, Zeman foi demitido após o empate com o Perugia.


Com Mondonico, aos poucos o Napoli tentava se recuperar. Chegou a contratar Edmundo, mas o brasileiro não conseguiu salvar o time, apesar de conseguir marcar gols em alguns jogos importantes, embora tivesse seus problemas com o presidente Corbelli. O primeiro turno que o Napoli acabou só vencendo quatro vezes fez diferença.


Apesar da bagunça da temporada 2000-01, ficam marcadas algumas coisas: primeiro, alguns erros de arbitragem, como um gol mal anulado diante do Brescia, em um empate em casa no San Paolo. E por fim, a maior polêmica daquela edição do campeonato:


Na penúltima rodada, havia um clássico entre Napoli e Roma no San Paolo, com maciça presença dos tifosi romanistas, que só dependiam da vitória para levar a capital o título que não vinha desde 1983. Aos napolitanos, servia seguir na luta contra o rebaixamento, e torcer contra o Hellas Verona diante do Parma. Além disso, torcer contra Reggina e Lecce.


Em Nápoles, numa partida equilibrada, com grandes momentos, o Napoli conseguiu um empate heróico e ficou em 2 a 2. Reggina e Lecce empataram seus jogos, mas o Verona conseguiu uma vitória diante do Parma com pênalti estranho cometido por Benarrivo, lenda dos crociati.


Anos depois, a procuradoria de Parma descobriu que Calisto Tanzi (aquele que era mesmo proprietário do Hellas Verona), sendo dono de dois clubes em uma mesma divisão, o que era proibido pela lei do futebol italiano. E que, portanto, havia interesses em comum para ambas as partes, afinal, o prejuízo da B é técnico e financeiro.


Ao ligar os pontos, muita gente liga o retorno pra Serie B a esse fato. Este ponto ajudou a empurrar o Napoli pra Serie B. De nada adiantou vencer a Fiorentina na última rodada, já que Reggina, Verona e Lecce venceram seus jogos também. O Napoli pagou por um primeiro turno tenebroso, e por erros externos no segundo turno.


 


Em 2002, em meio à luta pelo acesso, um ponto importante: Corbelli, ainda como presidente do Napoli, foi preso em meio a acusações de estar envolvido com o crime organizado, com associação criminosa. Além dessa questão, o então presidente napolitano e suas empresas eram acusados de vendas de obras de arte falsificadas.


Em seguida, Corbelli vendeu o Napoli. Anos depois, em 2010, Corbelli cobrava uma dívida de 31 milhões de euros de Naldi, em relação ao procedimento da venda do clube, alegando que o seu sucessor não havia pagado a ele todo o dinheiro da venda do clube, mas Naldi venceu na justiça.


Depois de uma campanha irregular, fomos com poucas chances de acesso na reta final, e perdemos as chances de acesso na penúltima rodada e ficamos na quinta posição. Ali era quase como um tiro de misericórdia. Uma campanha irregular, e longe do acesso na Serie B em 2002-03, e o destino do Napoli estava selado.


Em meio a um momento em que outros clubes como Roma, Lazio, Torino e o Parma também sofriam com dívidas, o momento napolitano era um dos mais graves do país. O não acesso era uma sentença de sofrimento. Salvatore Naldi chegou a assumir o clube, mas em um cenário de terra arrasada, não conseguiu fazer nada dentro e fora de campo com o time, que vivia no meio de tabela na B.


Depois de insucessos, o fato de o Napoli estar sem pagar salários desde setembro de 2003, em junho de 2004, após os fracassos na Serie B, ainda que conseguisse manter o clube, o presidente Salvatore Naldi abandonou o clube, em meio a uma dívida de 67 milhões de euros, e uma ausência de capital social. Ali se tratava de um clube em estágio terminal. E o objetivo era tentar impedir a falência judicial.


Depois que todos largaram o clube, o processo de falência era inevitável. E o Tribunal de Nápoles declarou o clube como falido em 2 de agosto de 2004. Era uma morte anunciada há tempos, já que o clube não apresentara garantias bancárias para a FIGC de que poderia apresentar ao menos 7 milhões de euros para pagar dívidas com o estado. 


O Napoli tinha chegado ao seu inferno. Mas a história não acabaria ali. Em meio a uma ideia fracassada de Luciano Gaucci, Aurelio De Laurentiis voltaria, após a proposta rejeitada em 1999, para salvar o clube. Eram novos tempos, tempos de Napoli Soccer, novo nome azzurro por um tempo, a partir da compra de AdL em setembro de 2004.


Ali todos começariam a fazer a sua parte para salvar o clube. De Laurentiis em dois anos saldou uma dívida declarada de mais de 30 milhões de euros. Com um modelo baseado na Fiorentina dos Della Valle, fez o Napoli fechar no azul em tempos de Serie C, e aos poucos montou uma base sólida dentro e fora de campo.


A torcida sempre apoiou. Desde o primeiro jogo do "novo Napoli", em que o time saiu aplaudido após um empate em 3 a 3 com o Cittadella, os tifosi sempre estiveram presentes. E tudo ajudava para o time crescer, e voltar ao céu do futebol italiano.


Ainda assim, a primeira tentativa de sair da Serie C1, bateu na trave. Nos playoffs, o Napoli foi derrotado na final pelo rival Avellino. A ferida cicatrizou rápido, e a temporada 2005-06, foi de um acesso simples, muito graças aos gols de Roberto "Pampa" Sosa e Emanuele Calaiò, e de jogadores como Gianluca Grava.


Em um período de quase um mês, tudo voltava ao normal. Em 15 de abril, o jogo da volta a Serie B, a vitória por 2 a 0 diante do Perugia. Em 24 de maio, o Napoli conseguiu "limpar" o nome, e voltou a ser a Società Sportiva Calcio Napoli como era antes.


Na Serie B, um encontro entre realidades distintas. De um lado, o emergente Napoli. Do outro, a super rica Juventus. Os dois foram os protagonistas daquela edição de 2006-07. Enquanto a Juve subiu com folga, como já era esperado, o Napoli esperou um pouco mais. 


Na rodada final, o Napoli precisava de um empate para voltar a Serie A. Dependendo do resultado do jogo entre Piacenza e Triestina, bastava um empate para os dois subirem juntos. O Piacenza acabou empatando. E tudo deu certo. Voltamos dentro de campo, e saímos do inferno no campo. E justo ao lado dos irmãos rossoblù. Festa inesquecível das duas equipes no Luigi Ferraris.


Após o retorno, o Napoli, através de uma ideia que se mantém até hoje, de contratações certeiras, foco em jovens jogadores, e um modelo sustentável de finanças, saiu do inferno financeiro, do inferno técnico de jogar a Serie B, para bater na porta dos céus da Champions League e dos competidores pelo Scudetto.


Não é nenhuma coincidência que as primeiras duas grandes contratações do Napoli no retorno a Serie A foram simplesmente Lavezzi e Cavani. Logo na primeira temporada, voltamos a Europa. Com Mazzarri a partir de 2009-10, voltamos a Champions League em 2010-11, a ser campeões em 11-12 e brigar por Scudetto em 12-13.


Com Benítez, novamente fomos campeões e voltou a uma semifinal europeia. Com Sarri, virou fixo na briga pelo Scudetto. E não para por aí. Se não ganha tanto quanto os outros, a cada dia mais aumenta seu poder, e a cada dia bate mais na porta do céu dos títulos, brigando sempre com rivais da sua grandeza. Como sempre deve ser o Napoli.  


Reprodução: Getty Images
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A gestão de De Laurentiis, as vezes contestado, tirou o Napoli do inferno e trouxe de volta ao céu dos que brigam por troféus