É assim que se perde a vaga direta para a Champions

Era dia de acordar cedo. Dia desse horário maldito das 12:30 na Itália, e com o fim do horário de verão daqui e o começo do horário de verão lá, 7:30 da manhã de Brasília. 


O Napoli criava pouco. Tinha a posse, mas não ameaçava de verdade o goleiro Consigli. É bem verdade que em uma dessas tentativas, Mertens foi tocado na área e derrubado. A princípio, não me pareceu pênalti. Mas vendo os replays, era cada vez mais evidente que foi pênalti.


O fato é que no primeiro tempo, só fomos ameaçar de verdade a meta adversária dos 30 minutos em diante, quando aconteceram uma sequência de boas jogadas, com chutes de fora de Hamsik e Insigne, e um gol perdido por Callejón.


Faltava ser mais incisivo pra sair na frente do marcador. No começo do segundo tempo, na primeira grande jogada, Hamsik lançou Callejón na direita, e ele cruzou pra Mertens, de cabeça, por mais absurdo que isso pareça, colocar-nos a frente do placar. E quando um baixinho como Mertens marca de cabeça, coisa boa deve ser...


Momento de tranquilidade, Napoli ficaria na frente do marcador, buscaria o segundo, tudo parecia certo. O Sassuolo não ameaçava. A defesa vinha bem. Até que Hamsik quebrou-a. Sim, Hamsik quebrou a própria defesa. Na frente de um atacante como Berardi. Era pedir pra levar gol. Levamos.


Mas era só acertar as coisas lá na frente que ganharíamos o jogo. Tudo parecia estar a caminho. Falta de Mertens, na trave. Insigne em jogada individual? Trave de um jeito que parecia que foi gol. Parecia tudo no controle. Parecia, porque a zaga parou duas vezes. Primeiro, pra ver Cannavaro cabecear e Reina defender. Depois, deixou Mazzitelli livre pra marcar a virada neroverdì.


Felizmente a vantagem do time da casa duraria pouco tempo. No minuto seguinte ao gol, Milik entrou em campo. E três minutos após entrar, na primeira chance que apareceu na sua frente, finalmente o polonês voltou a marcar com a camisa napolitana.  


No último lance, no desespero, o eterno capitão Cannavaro desviou pra escanteio. A princípio, pareceu pênalti para todos, que ele teria tocado a mão na bola. Jogadores do Napoli reclamaram, a torcida reclamou. Mas o replay mostrou claramente que Cannavaro tocou a bola com a cabeça, e logo, não era pênalti.


O problema ao contrário do que alguns dizem, não é o "jogar bem". Tampouco é necessariamente nesse caso a falta de experiência. Não há experiência, jogo ou qualquer coisa que justifique lances como a cabeçada pra trás de Hamsik. São erros que custam vitórias, e custam campeonatos.


Um exemplo de que erros como esse custam coisas no ano: só de recuos que geraram gols, nessa temporada o Napoli tem sete pra contar história. Três erros de Jorginho (Besiktas, Benfica e Milan), e um de Albiol (Benfica), Koulibaly (Roma), Ghoulam (Juventus) e Hamsik (Sassuolo).


É bem verdade que existem casos como o deste domingo em que são muitos lances de azar, como duas bolas na trave, mas no final das contas são essas trapalhadas que formam tropeços. E que formam os pontos perdidos da temporada.


O título pode ser alarmante, é verdade. Mas só de pensar nos quatro pontos perdidos nos dois confrontos diante do Sassuolo, equipe de meio de tabela, estaríamos na frente da Roma. Sem falar nos outros quatro perdidos contra os quase rebaixados Palermo e Pescara. Estes ainda nos deixariam vivos na briga pelo Scudetto.


As vezes falta ao Napoli em jogos aparentemente "mais fáceis", como na teoria seria esse, matar o jogo logo. Ir com força pra resolver desde o começo, e sempre com atenção redobrada na defesa. Porque mesmo as vezes em jogos mais resolvidos, o Napoli já complicou, como foi na vitória diante do Empoli. 


Há algumas tentativas de culpabilizar o jogo, de fazer o simples, de falar sobre experiência, de citar até mesmo os rivais eficientes. É tentar explicar o inexplicável. Mas o fato é, que de tropeços assim, de trapalhadas assim, justamente em partidas coletivamente boas, explicam no final da temporada a colocação, e porque a vaga direta pra Champions ficou mais longe.


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Reina - Não teve culpa na trapalhada no lance do primeiro gol. Após uma boa defesa, poderia talvez fazer melhor no lance do segundo gol, mas não acho que seja o principal culpado. Nota: 6,0


Hysaj - Pelo seu lado, fez uma boa partida defensiva e não sofreu tanto, com a ausência do Sassuolo por ali. Tanto que os duelos com Ragusa na maioria das vezes eram longe da área. Nota: 6,0


Albiol - Esteve preciso em boa parte das jogadas defensivas da equipe, sendo por vezes o melhor nas ações, e importante nas saídas de bola. Só não contava com a trapalhada de Hamsik... Nota: 6,0


Koulibaly - No primeiro tempo, bobeou na frente de Defrel no único lance de perigo neroverdì. De resto, não correu grandes riscos, e neutralizou muito bem o jogo de Matri. Nota: 6,0


Strinic - Não teve culpa em nenhum dos dois gols sofridos, ainda que estes tenham saído pelo seu lado. Fez uma boa partida defensiva, mas não convenceu ofensivamente. Nota: 6,0


Allan - Com o poder físico, recuperou boas bolas no meio-campo e fez uma boa partida, perdendo poucas bolas por ali. Saiu mais cedo pela opção técnica de Sarri, que queria mais força ofensiva. Nota: 6,0


Jorginho - Não teve grandes sofrimentos na marcação, pelo contrário, com até 7 recuperações de bola no primeiro tempo, e geriu bem o jogo e a posse de bola, sendo o maior passador da equipe mais uma vez, com 95 passes certos de 105 tentados. Nota: 6,0


Hamsik - Uma partida desastrosa, apesar de ter iniciado a jogada do gol napolitano, o que lhe dá crédito. Mas o descrédito é total por várias decisões ofensivas erradas, escorregadas na frente da área, e a trapalhada do gol do Sassuolo. Nota: 5,0


Insigne - Sempre buscando jogo, mostrou que a sua renovação de contrato assinada e confirmada na véspera foi justa. Uma pena que no segundo tempo a bola na trave lhe negaria o gol. Nota: 6,5


Mertens - Bem marcado no primeiro tempo, esteve meio sumido no jogo, ainda que tivesse sofrido um pênalti não marcado. No segundo tempo, com um toque de cabeça, abriu o placar. Nota: 6,5


Callejón - Criou boas jogadas pela direita, com um aproveitamento quase perfeito nos cruzamentos pra área. Tanto que foi em um deles que saiu o gol de Mertens. Nota: 6,0


Zielinski - Entrou no jogo para melhorar a saída de bola e os avanços ofensivos. Na parte defensiva, foi bem, e na parte ofensiva, não fez grande diferença. Nota: 6,0 


Milik - Entrou com personalidade, e esteve na hora certa e no lugar certo pra girar e marcar o gol do empate napolitano. Só isso já foi necessário. Nota: 6,5


Ghoulam - Entrou pra cruzar bola no alto e na área. Só cruzou uma bola rasteira e pra nada. Fica com a nota média. Nota: 6,0 


Sarri - A equipe fez um bom primeiro tempo defensivo, só falhava na ofensividade, muito pelo dia lento do meio-campo, especialmente da figura de Hamsik. Com posse de bola, parecia que ia dar certo. As ações apareciam, os gols saíram. Mas não contavam com os erros defensivos. E isso fez a diferença pro resultado final. Até mexeu certo, mas demorou muito pra mexer no time após a primeira correta substituição colocando Zielinski, e teve a sorte de no desespero, Milik entrar e corresponder, ao contrário de Ghoulam, que não fez o mesmo. Nota: 6,0


Site oficial: SSC Napoli
Site oficial: SSC Napoli

A imagem de Hamsik é a imagem do Napoli diante do Sassuolo